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Sexta-feira, 01 de Marco de 2024
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Joubertt Telles – Excelência na arte de informar

Nossas Riquezas Pretas de Juiz de Fora #016

Alexandre Müller Hill Maestrini
Por Alexandre Müller Hill...
Joubertt Telles – Excelência na arte de informar
Joubertt Telles
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Você já sentou com uma pessoa negra para ouvir a história que ela têm para contar? Este projeto tem como objetivo destacar os expoentes negros do município de Juiz de Fora e legar exemplos positivos de sucesso de pessoas pretas para as futuras gerações. A reportagem #001 foi sobre Carina Dantas, a #002 foi com Antônio Carlos, a #003 com Geraldeli Rofino, a #004 com Sérgio Félix, a #005 com Fernando Eliotério, a #006 com Maurício Oliveira, a #007 com Ademir Fernandes, a #008 com Gilmara Mariosa, a #009 com Batista Coqueiral, a #010 com Cátia Rosa, a #011 com Eliane Moreira, a #012 com Antônio Carlos da Hora, a #013 com Ana Paula Torquato, a #014 com Alessandra Benony, a #015 com Sil Andrade e agora o convidado para a #016 é Joubertt Telles.

Por Alexandre Müller Hill Maestrini

O jovem jornalista e radialista Joubertt Pires Telles, hoje com 36 anos, nasceu em 15.09.1986 em Juiz de Fora como o caçula de três irmãos, a irmã Julyanne é a mais velha e o João o do meio. A mãe é a ex-manicure Luzia e o pai João um Capitão do Exército reformado. Curioso é que foi o padrinho dele, o Coronel Rui Duarte que trabalhava junto com o pai no 4° Departamento de Suprimentos do Exército Brasileiro em Juiz de Fora: “ele gostava do nome Joubertt e sugeriu aos meus pais”. Os pais sempre lutaram para fazer o melhor pelos filhos e, em 45 anos de casados, nunca permitiram que a família passasse fome: “mas passamos sim grandes dificuldades”, contou Joubertt. As condições de vida em que eles cresceram eram simples, sem luxo, sem nada especial, mas para cuidar dos filhos a mãe deixou a profissão, enquanto o pai trabalhava para levar o sustento de casa, uma situação comum no Brasil. Ele contou orgulhoso e em reconhecimento que seus pais são as maiores referências para ele: “sem a educação deles não sei o que seria de mim. Sou eternamente grato e tenho honra de ser filho deles”, comentou meio sentimental.

Foto acima no batizado de Joubertt (da esquerda para direita: tia Marlene irmã da mãe, a mãe Luzia com Joubertt no colo, o pai João, o padrinho Rui Duarte e a tia/madrinha Angélica irmã do seu pai). Joubertt contou que infelizmente não tem muito conhecimento sobre seus antepassados, nem da sua árvore genealógica: “só sei que a família da minha mãe tem mistura indígena e negra”. Sua avó materna nasceu na Fazenda Santana, que fica próxima a Coronel Pacheco, onde parte da família nasceu e viveu. Do lado paterno, não tem muito conhecimento: “meus familiares estão espalhados pelos estados do sudeste”, mas uma certeza ele tem: “minha descendência é negra e indígena”. Ele contou que como homem negro respeita seus ancestrais e não pode deixar que essa memória se perca: “seria como eu perder um pedaço de mim”, por isso é preciso zelar, crer, respeitar e amar nossa ancestralidade, confessou.


Joubertt passou praticamente toda sua infância e adolescência no Bairro Poço Rico, em Juiz de Fora – MG (fotos acima da pré-escola até 11 anos) e por lá fez grandes amigos: “uma amizade forte e bonita, como uma irmandade mesmo”. No bairro sua família era uma das mais simples da rua: “morávamos em uma casa num beco, mas foi o que meus avós paternos conseguiram com muita luta deixar para os filhos e netos”. Ele descreveu que a vila onde cresceram tinha somente cinco casinhas pequenas e humildes. Quando criança Joubertt percebia o tratamento diferenciado que recebiam de alguns poucos moradores da rua por serem pobres e negros: “eram nítidas as reações, mas a maioria nos tratavam normalmente”. Mas isso não o abalou, pois sua criação e educação familiar foi primordial para esse processo. Joubertt fez a pré-escola na Escola Menino Jesus de Praga, que ficava na Rua Feliciano Pena, no Bairro Mariano Procópio. Da primeira a oitava série ele estudou na Escola Estadual Estevão de Oliveira, a qual não existe mais. Ele não se lembra de ter sido preterido na época da escola por racismo de cor, pois tinha uma agravante: “eu era gordinho, bem gordinho mesmo, e isso era o motivo principal de piadinhas na época”.

Com o passar do tempo, seu pai foi subindo de posto no exército e com isso a situação foi melhorando financeiramente. Ele se lembra quando o pai conseguiu comprar seu primeiro carro: “aquilo intrigou aqueles poucos vizinhos”, pois eles não acreditavam que eles podiam ter um carro também. Com a situação um pouco melhor, Joubertt foi em 2002 cursar o ensino médio em um colégio particular da cidade Colégio Meta e la percebeu a diferenciação: “eu era o único negro da sala e foi um choque cultural muito grande”. Ele sentia que alguns poucos alunos não lhe davam importância: “por outro lado fiz grandes amigos por lá”, mas por não ter tido uma boa base nas escolas públicas pelas quais passou, acabou repetindo o segundo ano. Quando em 2004 se mudou para o colégio particular Rede de Ensino Apogeu a situação melhorou e tudo ficou mais igualitário: “mesmo assim só éramos dois negros na minha escola”. Com o passar do tempo, Joubertt sentia que a situação ia melhorando e foi só no segundo semestre de 2004 que a desigualdade diminuiu quando concluiu o segundo e o terceiro ano no colégio Conexão. Na foto abaixo Joubertt com seus amigos, na maioria brancos, no seu bairro Poço Rico.

Por ter sofrido tanto racismo na pele em sua vida, ele ingressou cedo na luta contra o racismo estrutural. Joubertt acredita que mesmo com situação financeira modesta, "a educação vem de berço", pois as crianças não nascem preconceituosas: “quem está em volta dela é que cria esses rótulos”, e insistiu em afirmar que na verdade somos todos iguais, independente da cor e da crença. Porém confessou que ele precisou desenvolver uma estratégia pessoal para tentar mudar esse panorama: ”me coloco sempre em evidência e tento mostrar que tudo é possível”. Joubertt tem dado visibilidade aos seus trabalhos e se dedicado em tudo que faz, se projeta nas redes sociais para que todos o conheçam como ele realmente é: “sei que sou referência para muitos jovens que estão vindo por aí e quero ser exemplo para eles e ajudá-los a não sofrer com preconceitos como eu sofri”. Uma das grandes causas que ele defende é a luta para ter mais negros na imprensa em Juiz de Fora: “infelizmente ainda não temos muitos representantes pretos”. Ele acredita que era simples ter mais negros na imprensa local: “pois mão de obra qualificada negra é o que não falta”. Joubertt tem mostrado seu trabalho e dá palestras nas escolas do município, assim pretende ajudar a reverter parte desse racismo estrutural: “continuarei fazendo esse papel e quero ser a voz dos menos favorecidos”.

Entristecido lamentou que: “já perdi a conta de quantas vezes fui menosprezado e desprezado por ser negro”. Em supermercados e lojas de departamento sofreu racismo na pele: “os seguranças marcavam os negros mais duramente que zagueiros truculentos de time de futebol”, usou a figura de linguagem do futebol. Já passou por situações muito triste em lojas de roupa: “onde eu ia, tinha um fiscal atrás de mim e muitas vezes o atendente não me dava atenção ou nem me atendia”. Quando questionava a situação para a gerência, só recebia pedido de desculpa e diziam que não aconteceria de novo: “mas não faziam nada e isso também é crime”. De tantos momentos triste vividos é claro que ficava triste: "tentava não dar importância e seguia como sempre fui, pessoa simples e humilde”. Ele sonha que um dia parem de tratá-lo bem pela sua profissão ou ocupação: “quero que me tratem com respeito por quem eu sou”. Durante a adolescência ele praticou Taekwondo como amador, esporte que o desenvolveu em todos os sentidos. Joubertt percebeu que existiam excelentes atletas, ganhadores de competições regionais, estaduais, nacional e internacionais: “porém o meu esporte Taekwondo não era muito divulgado”. Ele viu que o mesmo ocorria em outras modalidades esportivas em Juiz de Fora, e como Joubertt gostava muito de rádio e amava esportes, surgiu a vontade de divulgar esses fatos para a população: “por isso resolvi cursar jornalismo”. Hoje lembra que desde muito pequeno percebeu que já tinha uma referência em casa: “herdei dos meus pais que adoravam escutar rádio, de preferência AM”. Mas suas influências profissionais viriam principalmente do esporte, além de outras áreas do jornalismo, tanto local, estadual e nacional: “sempre acompanhei profissionais do rádio, da televisão e da mídia impressa".
Inicialmente em 2005 ele tentou cursar jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora, mas ficou somente como excedente. Como não foi chamado tentou o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais, mas não teve sucesso. Não querendo perder tempo e esperar um ano para fazer um novo processo na UFJF, Joubertt decidiu prestar vestibular para Comunicação com Habilitação em Jornalismo na Faculdade Estácio de Juiz de Fora. Aprovado e com poucas condições de pagar o curso integral: “só me matriculei em 2006 porque conseguiu um desconto muito bom”, sorri. Já na faculdade, nos oito períodos que passou lá, Joubertt conquistou grandes amigos: “dos cinco negros da minha sala, atualmente somente dois estão no ramo”, ele mesmo e a Eliane Moreira, hoje uma referência no jornalismo e telejornalismo que brilha na TV Record de Belo Horizonte. O desejo de Joubertt era atuar como jornalista na área de esporte e unir suas duas paixões e até o Trabalho de Conclusão de Curso em 2010 foi voltado ao esporte com o tema “Como os programas esportivos da cidade abordavam outras modalidades esportivas, sem ser o futebol”.

Para financiar seus estudos ele atuou em outras áreas: “não tenho vergonha de ter trabalhado em uma drogaria e em uma empresa de panfletagem, aprendi muito”. Porém sua paixão era mesmo o rádio e ele logo em 2009 conseguiu um estágio de oito meses no SIRCOM (Sistema Regional de Comunicação), empresa que englobava a Rádio Globo, Dário Regional e TVE. Ele teve a oportunidade de trabalhar por quatro meses na Rádio Globo e quatro meses no jornal impresso Diário Regional: “foram uma grande escola para mim”. Dentre suas lutas no estágio, Joubertt gosta de falar de esporte, sem focar no futebol. Fato que o levou a ser referência na época: “como abordava assuntos de outras modalidades, as fontes sempre me procuravam e eu destacava também sobre bocha, ginástica olímpica, artes marciais, etc: “foi muito bom e gratificante”. Em 2010 Joubert Telles além de jornalista, era também radialista apaixonado em Juiz de Fora – MG. No vídeo abaixo, gravado por Léo de Oliveira no início dos anos de 2010, Joubert na época estava trabalhando na Rádio Globo Juiz de Fora (hoje Rádio Play) e deu seu depoimento sobre o que pensava sobre o veículo Rádio: “o rádio para mim é a melhor forma que existe porque mexe com o imaginário das pessoas. O rádio é amigo das pessoas, independente de onde ele está, o radinho pode estar do lado delas, sempre tocando e passando notícias e instrução”.

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Depois de formado, em 2011 Joubertt trabalhou na área de transportes, mas logo em 2012 retornou para sua paixão e foi contratado pela Rádio Globo AM de Juiz de Fora: "por lá iniciei minha carreira oficialmente e tive a honra de trabalhar com grandes nomes do rádio local", locutores esses que ele ouvia desde criança. De 2012 a 2017 foi repórter da Rádio Globo AM de Juiz de Fora, onde fazia trabalhos de produção, reportagem, locução e apresentação de programas. Com o trabalho focado no jornalismo de cidade, a prestação de serviço, a utilidade pública e policial, Joubertt teve a oportunidade de prestar um excelente trabalho e de ajudar muitas pessoas: “é um trabalho muito gratificante e com grande reconhecimento”. Ele foi também assistente legislativo da Câmara Municipal de Juiz de Fora de fevereiro a dezembro de 2015.


Apaixonado por história da cidade e amante das cervejas, Joubertt juntou o útil ao agradável e fez inúmeras matérias com grande repercussão na cidade, como a história e produção da cerveja de Juiz de Fora, e o livro “Cerveja, Alemães e Juiz de Fora” (ebook pdf grátis) lançado em 2015 foi uma das suas fontes além de muitas entrevistas com produtores locais. Depois de cinco anos de Rádio Globo AM, começou seu trabalho na Rádio Itatiaia FM de Juiz de Fora em 2016 como repórter, mas ainda ficou mais de um ano dividindo o trabalho entre as duas emissoras: “na Rádio de Minas meu trabalho ficou mais reconhecido e é levado para todos os cantos do Estado”. Foi nessa emissora que ganhou em 2017 o prêmio na 1ª edição do Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo na categoria Rádio com o tema "A evolução do comércio de bens e serviços no desenvolvimento socioeconômico de Juiz de Fora" (foto acima em 2017 com Désia Souza e Victor Dousseau) . A reportagem mostrou a importância das cervejarias artesanais para o desenvolvimento do município. Em 2018 foi finalista da 2ª edição do Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo na categoria Rádio com o tema "Inovação e Tecnologia em Juiz de Fora", a matéria mostrou que o uso de aplicativos é uma tendência na prestação de serviços da cidade. Na foto abaixo Joubertt entrevistou personalidades pela FM Itatiaia que dispensam apresentações: Zico, Margarida Salomão e Geraldo Rufino.

Em janeiro de 2018 o repórter da FM Itatiaia Joubertt Telles, recebeu pelas mãos de Marcelo Guedes Barra (a direita na foto) do compositor e sambista Régis da Vila (foto abaixo esquerda), presidente do Instituto Cultura do Samba, em evento no Círculo Militar, o “Troféu Marcelo Barra de Amor ao Samba”. Marcelo Barra é uma referência do carnaval de Juiz de Fora e sempre esteve junto com o Zé Kodak e se tornou o presidente do conselho deliberativo da Associação Recreativa General da Banda, mantenedora da Banda Daki. No final dos anos 60, Marcelo Barra começou sua trajetória como presidente do bloco Doméstica de Luxo. Na cerimônia do “Troféu Marcelo Barra de Amor ao Samba”, Joubertt foi homenageado por seu destaque do jornalismo local e por falar nas mídias bastante sobre o tema Samba e Carnaval em suas transmissões.

Joubertt teve em sua carreira a oportunidade de entrevistar grandes personagens, entre elas citou a entrevista exclusiva em 15.07.2022 com o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua primeira visita na cidade após a facada: “fui muito criticado, mas fiz o meu papel de jornalista e faria com qualquer um”. Por conta dessa atitude neutra e profissional, Joubertt conseguiu uma exclusiva com Bolsonaro, mesmo com toda imprensa nacional presente em Juiz de Fora e não conseguiu falar com o ex-presidente. Somente eu e devido a atitude que tomei: ”estava no Aeroporto da Serrinha no meio de centenas de jornalistas e aproveitei a oportunidade que ele me deu espontaneamente me chamando para seguir com ele na sua moto”, Joubertt conseguiu assim a única entrevista de 6 minutos da visita do então Presidente da República em Juiz de Fora”.

Em junho de 2023, Joubertt marcou presença na solenidade de reabertura total da Villa Ferreira Lage do Museu Mariano Procópio. O local ele tinha visitando quando criança e adolescente e somente após 16 anos fechado, retornou como profissional da FM Itatiaia cobrindo o evento: “momento histórico para qualquer juizforano”. (foto de capa). Com sua simpatia, em 2023 já é uma referência para jovens bloggers, jornalistas e Casts como a garotada do ZN CAST da zona norte de Juiz de Fora (vídeo abaixo). Ele tem sido chamado por muitos para programas e palestras sobre jornalismo: "e atendo a todos dentro do possível". Apesar de sua excelência diante das câmeras e microfones: "na vida privada me considero uma pessoa tímida".

Joubertt nunca se esquece de dar uma dica para que as pessoas não desistam dos seus sonhos e lutem sempre por eles. Ele é a prova viva e gosta de contar aos jovens que: "aparecerão obstáculos que podem fazer a gente desistir, mas esse é o momento de lutar mais", aconselha.

Ele aprendeu que se preparando bem (foto acima) a vitória vem e que aparecerá com um gostinho todo especial: “dá aquela sensação no final do dia de dever cumprido e a certeza que estamos seguindo no caminho certo”. Joubertt resume sua vida moral: “faça sempre o correto, não faça o mal e os benefícios a médio e longo prazo serão indescritíveis”, e finalizou dizendo: “a cidade deve muito aos negros, pois nós ajudamos a construí-la”.

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Alexandre Müller Hill Maestrini

Publicado por:

Alexandre Müller Hill Maestrini

Alexandre Müller Hill Maestrini é professor de alemão no Instituto Autobahn e autor de quatro livros: Cerveja, Alemães e Juiz de Fora, Franz Hill – Diário de um Imigrante Alemão, Lindolfo Hill – Um outro olhar para a esquerda e Arte Sutil.

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