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Sexta-feira, 24 de Abril 2026
Geral

Lançamento do livro Nossas Riquezas Pretas

Evento transmitido AO VIVO pelo Youtube

Alexandre Müller Hill Maestrini
Por Alexandre Müller Hill...
Lançamento do livro Nossas Riquezas Pretas
Alexandre Müller Hill Maestrini
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LANÇAMENTO ABERTO AO PÚBLICO

Local: Auditório MC AICE – Mercado Municipal – Juiz de Fora - MG
Horário: 18:30 – 21:00
Dia: 15.11.2025

Evento foi transmitido AO VIVO pelo Youtube 



O livro “Nossas Riquezas Pretas: Biografias Afro-juizforanas” traz cinquenta e quatro autobiografias de personalidades negras e negros de Juiz de Fora, exemplos de superação com histórias pessoais incríveis de resistência, força e ancestralidade.

PROGRAMAÇÃO DO LANÇAMENTO

Os 54 biografados com lugar de fala convidam para o lançamento com apresentações culturais: Batuque de Nelson Silva, Sil Andrade, Nzingas, Vozes da Rua e Makamba

artes

Antes do evento, os que compraram no pré-lançamento receberão seus livros físicos e os autobiografados estarão disponíveis para autógrafos. Contato imprensa e compra do livro: 32/988655253

A IDEIA DO LIVRO

Este livro é a contribuição crítica do autor ao processo de eliminação do racismo no nosso país. Ainda hoje observamos atentos na sociedade que em empregos estruturantes e de baixa renda a maioria é negra. Alexandre passou a observar com olhos críticos e percebeu a massa negra limpando a cidade, retirando o lixo, asfaltando as ruas, trabalhando em caixas de supermercado, atendendo nas empresas, servindo nos bares e restaurantes, construindo prédios, utilizando transporte público, aguardando nas filas do SUS, etc. Sem falar na lamentável esmagadora população carcerária, com mais de 70% de negros e pardos, escancarando o racismo estruturador, um verdadeiro ‘Apartheid à Brasileira’.

As 54 autobiografias representam um reencontro de Juiz de Fora consigo mesmo; durante as entrevistas o autor foi em busca da resposta de como é quando um ‘branco’ entra na luta antirracista. Alexandre sonha com a equidade, de mãos dadas, dar os primeiros passos para a visibilidade daqueles que a sociedade sempre tentou tornar invisíveis e legar exemplos positivos de sucessos para as futuras gerações.

O autor aponta para soluções como a valorização e a visibilidade de pessoas pretas, em busca do processo de catarse das relações entre todos os brasileiros para transformar o Brasil, em busca da mudança de paradigma para que as futuras gerações cresçam sem as amarras do racismo.



RESUMO

Este livro é o resultado de um projeto pessoal antirracista com o objetivo de tirar da invisibilidade muitos expoentes negros do Município de Juiz de Fora e legar exemplos positivos de sucesso de pessoas pretas para as futuras gerações. Os 54 auto-biografados são verdadeiros Griôs vivos, links geracionais importantíssimos para as futuras gerações.

O autor teve como objetivo mexer na nossa herança imaterial, nas alianças e prestígios que garantiram até hoje uma trajetória de sucesso para os brasileiros e brasileiras de pele clara, que tiveram o privilégio de transmitir tradições, riquezas e heranças culturais aos seus descendentes. Por isso, conhecer as histórias e auto-biografias dos negros e negras de nosso município é relevante na medida em que elas nos ajudam a compreender as estratégias dos invisibilizados para ter acesso às benesses da sociedade branca.

Os relatos desnudam uma violência diária e velada e as vezes declarada dos brasileiros privilegiados, aqueles com menos melaninas. As histórias evidenciam as circunstâncias inaceitáveis e revelam a dissociação entre oportunidades e as práticas sociais no cotidiano, confirmando a desigualdade social, e trazem trajetórias de luta até então silenciadas para o debate aberto na sociedade. Alexandre sugere que lutemos por uma sociedade brasileira mais justa e equânime, uma longa jornada antirracista revelando riquezas humanas ainda escondidas e potências negras de Juiz de Fora que foram invisibilizadas pelo racismo. #UBUNTUJF

SOBRE O AUTOR

Alexandre Müller Hill Maestrini já publicou em 2015 ‘Cerveja, Alemães e Juiz de Fora: A história do Polo Cervejeiro de Juiz de Fora’, em 2018 ‘Franz Hill: Diário de um Imigrante Alemão’, em 2021 ‘Lindolfo Hill: Um outro olhar para a esquerda’ e em 2022 lançou o livro-homenagem ‘Arte Sutil: A-Deus Borboleta Azul’. Formado em Educação Física pela UERJ, foi jogador e treinador profissional de voleibol, pós-graduado em Gestão Esportiva pelo Comitê Olímpico Suíço. Depois de morar vinte anos na Itália, Liechtenstein e na Suíça, voltou para o Brasil em 2010, foi gerente da Faculdade Estácio, assessor especial do Gabinete do Prefeito de Belo Horizonte e integrante do Comitê Organizador da Copa do Mundo FIFA 2014 em Belo Horizonte. Desde 2015 iniciou sua carreira de escritor e professor de alemão no Instituto Autobahn – Cultura Alemã de Juiz de Fora. Contato (32)988655253

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CONTEXTUALIZAÇÃO

Alexandre comentou que para entender este livro é necessário entender o contexto no qual ele escreveu em virtude do seu privilégio de branquitude. Ele acredita na informação como o caminho que nos leva à transformação da sociedade. O autor comentou que sabe que não veio ao mundo como racista, porém hoje tem a consciência, que sim, aprendemos a ser racista através das observações desde pequenino em práticas corriqueiras que moldam as crianças brancas através do copiar as atitudes do seu entorno, e que com dificuldade temos a chance de contestar. Lembrou que com o passar do tempo foi se naturalizando o seu lugar de privilégio, que se tornou uma zona de conforto, mais conhecida como ‘Branquitude’. Alexandre contou que nunca teve que trabalhar enquanto estudava na parte da manhã, tinha empregada e podia descansar de tarde e fazer esporte na parte da noite.

Com excelente escola passou no vestibular e foi para a faculdade gratuita sem ter que trabalhar nem pegar empréstimo. Ao se formar já tinha as portas abertas e, após morar vinte anos na Europa, voltou para o Brasil em 2010. Para sua surpresa chegou em uma Juiz de Fora que eu não enxergava antes, para ele um novo cenário social: “percebi que minha visão de mundo é que tinha mudado”. Não foi sem dor o ato de admitir que em nosso país, depois de 1888, após abolição da escravatura, sempre existiu um racismo perverso que estruturou nossa sociedade com privilégios para uns e luta pela sobrevivência para outros. Seu círculo social naturalizou em chamar esses nossos privilégios de ‘meritocracia’. Como assim? Questionou: “Que meritocracia é essa? Nós brancos já saímos lá na frente dos negros na corrida da vida”.

O país ainda insiste em esconder o racismo, que é muito mais cruel do que parece à primeira vista. A partir da abolição, veio a República em 1889, onde ‘teoricamente’ todos são cidadãos. Mas a branquitude queria justificar e legitimar seus privilégios: só recebeu direito ao voto quem era letrado. Belo golpe, pois a maioria dos ex-escravizados não sabiam ler e nem escrever. Só votava também quem tinha terra. Outro golpe, pois a maioria dos ex-escravizados não tinham nada. Iniciou-se naquele momento um novo processo de exclusão, muitos foram jogados na rua, outros foram parar nos morros, outros colocados em manicômios, outros foram calados nas cadeias, outros estão até hoje dormindo na rua.

Como pessoa ‘com pouca melanina’ Alexandre tomou consciência de seus privilégios da branquitude, procurou se posicionar sobre seu desconforto diante do cenário racista municipal: “senti a dor do outro, neste caso do negro, em mim mesmo”. Em 2015 começou a pesquisar no Arquivo Histórico do Município de Juiz de Fora e ficou mais evidente ainda a sua ‘antiga cegueira’ e desconhecimento quanto ao importantíssimo papel dos negros na construção de Juiz de Fora. Como uma pessoa pró-ativa percebeu que precisava fazer algo. Era necessário tomar uma atitude. A ideia deste projeto foi maturando aos poucos até 2023, quando decidiu não ficar somente no sentimento de culpa em relação aos negros; resolveu se responsabilizar e tomar uma atitude dentro das suas possibilidades, mas confessou que inicialmente foi paralisante, pois nunca aprendemos a não ser branco e vivermos sem os privilégios sociais.

Nesta altura da vida ele já estava com quase cinquenta anos quando percebeu claramente que não haverá um Brasil bom para todos enquanto existir racismo. Em 2016 quando se candidatou a vereador vivenciou a desigualdade, conheceu a periferia e começou a buscar uma trilha antirracista, na qual saberia que não seria amado pelos brancos e privilegiados. Por suas atitudes chegou até a ser orientado por alguns conhecidos negros a não se meter nisso: “não é um local que te pertence e você está correndo riscos, até de vida”, escutou. Já era tarde. Neste momento sentiu que estava em um caminho sem volta e resolveu tomar uma atitude proativa em direção a uma sociedade mais equânime para 100% dos brasileiros e brasileiras.

Do outro lado, o último impulso que ele precisava constatou analisando algumas estruturas de decisão do município, com altos salários, privilégios e prestígio social. Imagine que ainda em 2025, é quase inexistente a presença de negros e negras na maioria de instituições locais como Clube de Engenharia, Sociedade de Medicina, Associação Brasileira de Odontologia, Prefeito, OAB, TJMG, Câmara Municipal, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, Promotoria Pública, Advocacia Regional MG, Associação Mineira de Municípios, TVs e Jornais, Colunas Sociais, entre muitas outras. Locais de poder nos quais se ‘naturalizou a obviedade’ da quase exclusividade da presença de brancos e brancas, que ‘se sentem no direito’ de decidirem a vida de mais de 56% de uma população negra e parda.

Sem falar do absurdo ainda existente do ‘trabalho escravo moderno’, ficou muito incomodado com este privilégio injusto da ‘Branquitude’, sonhava em dar visibilidade e oportunidade para nossos tesouros perdidos e desperdiçados, que são verdadeiras riquezas e potências a serem ainda garimpada nos rincões das periferias, onde temos um empreendedorismo oculto pela discriminação e preconceito, mas que vai com certeza aflorar e contribuir para mudar definitivamente nosso Brasil para uma sociedade mais próspera.

Passando para a ação, o seu objetivo com este livro foi dar visibilidade para aqueles que a sociedade juizforana sempre tentou tornar invisíveis, assim nasceu o projeto Nossas Riquezas Pretas: Biografias Afro-juizforanas como um projeto antirracista do Instituto Autobahn destacando expoentes e potências negras e negros, legando exemplos positivos de sucesso para as futuras gerações. Queremos não escutar mais que não existem negras e negros aptos a assumirem postos de poder lado a lado com os brancos. No Brasil o colorismo cria relações desiguais, de acordo com o tom da pele; ele é um subproduto do racismo, justamente porque interfere na forma como a pessoa é vista pela sociedade. Determinando que quanto mais escuro o tom de pele, mais preconceito a pessoa sofrerá. Somente conhecendo as pessoas de verdade é que combateremos a ‘pigmentocracia’ que define até o acesso a locais que essas pessoas terão de acordo com o tom de pele.

Convicto, em 2023, Alexandre iniciou com uma coluna regular no Portal de Notícias RCWTV e entrevistou cinquenta e quatro profissionais. Mesmo sabendo que este seu trabalho representa somente a ponta do iceberg, as conversas foram marcadas de acordo com as disponibilidades dos convidados, porém nem todos puderam ou quiseram participar, o que não invalida meu esforço inicial de semear uma ideia e mostrar que em um município como Juiz de Fora, criado sobre as bases de um regime monarquista e escravista, ainda hoje seguimos desunidos, segregados e com marcas claras da divisão entre os que detêm o poder e aqueles que não tem acesso por conta do racismo estruturante. Conheça mais o projeto no site https://nossasriquezaspretasjf.com.br 

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FONTE/CRÉDITOS: Alexandre Müller Hill Maestrini
Comentários:
Alexandre Müller Hill Maestrini

Publicado por:

Alexandre Müller Hill Maestrini

Repórter na RCWTV – Rede de Canais Web, com foco na produção de conteúdo acessível, imparcial e de interesse público. Atua com responsabilidade e linguagem clara, aproximando a informação do leitor. Alexandre Müller Hill Maestrini é professor de...

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