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Política

Mobilização nacional pressiona o Senado pelo fim da escala 6x1

Atos em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal buscam acelerar a tramitação da PEC 221/2019, que segue parada no Senado desde maio.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Mobilização nacional pressiona o Senado pelo fim da escala 6x1
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Nesta terça-feira (30), uma ampla mobilização nacional foi deflagrada em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de pressionar o Senado Federal pela aprovação da PEC 221/2019, que visa ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada de trabalho. No Rio de Janeiro, o ato inaugural reuniu centenas de pessoas, expressando o cansaço dos trabalhadores diante da atual rotina de apenas um dia de folga semanal.

A operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, de 22 anos, que trabalha oito horas diárias em pé, exemplificou o desabafo coletivo. Para ela, a mudança na escala de trabalho traria “diversos alívios”, permitindo mais tempo para cuidados pessoais, saúde e convívio familiar de qualidade.

Fátima, que sonha em cursar uma faculdade e se tornar professora, ressaltou a falta de tempo para si e para os seus entes queridos. A manifestação na capital fluminense, da qual ela participou, percorreu cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da movimentada Avenida Brasil, em uma caminhada de quase duas horas.

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Jornada em 21 cidades

Essa série de jornadas é parte de um esforço nacional coordenado por importantes entidades, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), e as frentes populares Povo Sem Medo e Brasil Popular.

Os ativistas buscam impulsionar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O texto propõe a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, além de garantir dois dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer prejuízo salarial aos trabalhadores.

Tramitação da PEC

A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, mas encontra-se estagnada no Senado. Desde então, aguarda o despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para dar continuidade à sua tramitação.

Se o Senado aprovar a proposta sem alterações de mérito, ela seguirá diretamente para a promulgação pelo Congresso Nacional. Contudo, caso os senadores promovam modificações no texto, a PEC terá de retornar para nova análise na Câmara dos Deputados.

No início de junho, o senador Alcolumbre indicou que a PEC deveria ser avaliada “sem pressa” e que o texto poderia ser aprimorado. Diante desse cenário, Leonardo Guimarães, ativista da Frente Brasil Popular, informou que centrais e movimentos sociais têm um encontro agendado para quarta-feira (1º) com Davi Alcolumbre, na tentativa de “destravar a pauta do fim da escala 6x1”.

A CUT, por sua vez, lançou o site "Na Pressão", uma ferramenta para que a população possa enviar mensagens e pressionar os parlamentares. Para entender mais sobre a proposta, acesse: Entenda a PEC que acaba com a escala 6x1.

O vereador Rick Azevedo (PSOL), do Rio de Janeiro, criador do VAT e um dos articuladores nacionais do movimento, descreve a virada de semestre como um “momento crucial para os trabalhadores brasileiros”. Ele criticou a lentidão de Alcolumbre na tramitação da PEC, garantindo que a classe trabalhadora “não recuará”.

“Hoje não se trata mais só de um balconista de farmácia querendo o fim da escala 6x1. O recado concreto que a gente pode dar hoje é que nós não vamos desistir”, declarou Azevedo à Agência Brasil, relembrando sua profissão anterior, que o levou a viralizar nas redes sociais e mobilizar parte da população por mudanças trabalhistas.

“O décimo terceiro salário, as férias remuneradas, licença-maternidade, entre outros direitos, foram conquistas da classe trabalhadora. A gente também vai conquistar o fim da escala 6x1”, afirmou o vereador.

Apoio da população

Gabriel Siqueira, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), destacou o apoio expressivo dos populares que cruzaram com os ativistas durante a manifestação. Ele também ressaltou a solidariedade demonstrada a diversas categorias, como os motoristas de ônibus da capital fluminense, que estavam em seu segundo dia de greve.

“Durante todo o percurso, fomos muito bem recebidos pelos trabalhadores, o que mostra que essa luta já ganhou o apoio da classe trabalhadora brasileira”, avaliou Siqueira.

Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, enfatizou que sua categoria é uma das mais afetadas pela escala de apenas uma folga semanal. Ele defende que mais dias de descanso resultariam em maior dedicação e produtividade dos funcionários.

“Com trabalhador mais descansado e com uma jornada de trabalho mais digna, consequentemente a produtividade tem de aumentar”, assegurou Ayer. Ele concluiu que “essa conta o empresariado não está disposto a fazer”.

Impactos

Nos últimos meses, diversas pesquisas têm apresentado conclusões divergentes sobre os potenciais impactos da mudança na escala de trabalho para a economia brasileira. Alguns estudos corroboram as preocupações de representantes do setor produtivo, como industriais e empresários do comércio, que preveem efeitos negativos como perda de produtividade, inflação e aumento da informalidade.

Por outro lado, outras análises sugerem que mais dias de folga poderiam elevar a motivação dos empregados e proporcionar maior tempo para o consumo, impulsionando a economia.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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