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Sabado, 18 de Maio de 2024
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Nzinga apresenta: Lá nas Minas, Contos de Lavadeiras

Grupo de Mulheres Negras Contadoras de Histórias #nossasriquezaspretasjf

Alexandre Müller Hill Maestrini
Por Alexandre Müller Hill...
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Nzinga apresenta: Lá nas Minas, Contos de Lavadeiras
Foto capa: E.p.D. Flávia Carvalho, Lucimar Silvério, Claudilene Oliveira, Tereza Cristina, Luciene Silvério, Vanda Ferreira, Marilda Simeão
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Por Alexandre Müller Hill Maestrini

Saudades de ouvir uma boa história? Então se liga nessa dica imperdível! O espetáculo do Grupo Nzinga "Lá nas Minas : Contos de Lavadeiras" é sem dúvida uma de #NossasRiquezasPretasJF e realizará quatro apresentações gratuitas no período de maio, junho e julho de 2024 no Município de Juiz de Fora. São apresentadas histórias de mulheres pretas que foram historicamente silenciadas, mas sobreviveram. Os contos das Nzingas falam sobre mulheres de fé, descalças, de roupas molhadas, que carregavam suas trouxas com coragem e criaram filhos e netos.
O espetáculo dura sempre uma hora, e através da contação, de forma simples e emotiva, busca resgatar as histórias de lavadeiras de minas e suas memórias. É um verdadeiro momento de aquilombamento; um encontro para reflexões sobre a luta antirracista, o ativismo através da oralidade e a educação para a convivência. Confira os espetáculos abaixo e compartilhe:
1) Dia 19.05.2024 às 16 horas no Teatro da Praça CEU – Benfica
2) Dia 09.06.2024 às 16 horas no Centro Cultural Dnar Rocha – Mariano Procópio
3) Dia 23.06.2024 às 16 horas no Centro Cultural Dnar Rocha – Mariano Procópio
4) Dia 27.07.2024 às 18 horas no Museu Ferroviário – Centro

O espetáculo encanta, educa, inclui e sensibiliza através de contos da tradição africana e afro-brasileira. Com o pé no chão e saias coloridas as sete artistas mostram que a lavação de roupas nas minas, em Minas Gerais, tinha um repertório permeado de companheirismo, sofrimento, resiliência, fé e esperança no futuro. São vários contos: “Dona Cecê” de Vanda Ferreira, “Maria” de Lucimar Silvério, “Maria Cristina” de Claudilene Oliveira, “Dona Cida” de Luciene Silvério e “Maria, oriunda de Várgea de Santo Antônio” de Marilda Simeão; todos eles provenientes das memórias revisitadas das integrantes em busca de experiências dentro das próprias famílias que lavavam roupas nas minas, em casa em tanques ou mesmo em tinas. São textos autorais que retratam as avós e mães Lavadeiras: “inclusive algumas que já partiram para o Orum, mas falamos delas com orgulho”, confirmou Lucimar. Além dos contos, as Nzingas também encantam com suas músicas ancestrais.

O espetáculo é destinado a todos e gratuitamente aberto ao público sedento por histórias cheias de vivências que conectam as contadoras aos ouvintes de forma emocionante e surpreendente: “é um momento de aquecer as almas e memórias”, comentou Tereza Cristina. É uma homenagem para todas as lavadeiras, e algumas delas representam a ancestralidade das integrantes do grupo: “é importante colocarmos pra fora toda essa oralidade que acreditamos ser de extrema importância”, explicou Lucimar. Para Claudilene: “o objetivo é abordar as experiências e os desafios dos autores negros em Juiz de Fora. Vanda explicou que: “apesar de o trabalho dos escritores não ocorrer na linha da oralidade, a essência da contação é mantida”.

O Grupo Nzinga de Mulheres Negras Contadoras de Histórias é um grupo autônomo de direção coletiva composto por mulheres negras, professoras, diretoras que contam histórias, contos e poesias, indígenas africanas e afro-brasileiras (foto acima). São mulheres fortes, conscientes de onde vieram, de onde estão e aonde querem e podem chegar. Para Marilda: “quando falamos de mulher negra, o nosso lugar de fala nos endossa. Devemos sim falar de racismo e de questões como a solidão da mulher negra, da educação, do mercado de trabalho, porque esses corpos ainda dita onde elas devem estar”.
Segundo Claudilene: “o grupo surgiu da ideia de mulheres negras professoras que se juntaram, ao chamado de Flávia, para educar para a oralidade, levando as próprias histórias a partir de nós mesmas e as histórias africanas”. Flávia explicou que: “o nome do grupo é uma homenagem à Rainha Africana Nzinga Mbandi de Matambo e Ndongo, da atual região de Angola”. Luciene acrescentou que: “nós que trabalhamos nas escolas sentimos a necessidade de levar as histórias pretas para os pretos e não pretos, pois precismos falar delas de nós para nós e falar de valores que precisam ser compartilhados”. Por isso a prioridade é a educação: “é nas escolas de bairros onde 90% dos alunos são pretos, e é lá que a educação vai poder fazer a maior mudança”, explicou Vanda.

Vanda Ferreira lembrou da trajetória do grupo e que desde 2020 já realizam ações com o compromisso de contribuir com a educação antirracista e viabilizar a implantação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que incluem a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” no currículo oficial da Rede de Ensino, apresentando propostas pedagógicas ligadas à promoção da igualdade racial e de gênero nas escolas. Lucimar acrescentou que: “também já nos apresentamos na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, no Museu Ferroviário e os ingressos esgotaram”. Em 2023 o espetáculo "Lá nas Minas : Contos de Lavadeiras" foi contemplado em 2023 pela Funalfa no Edital Murilão e desde então vem se apresentando em diversos locais.
O Edital "Murilão" tem o intuito de fomentar ações e iniciativas artísticas e culturais, individuais ou coletivas, promovidas por agentes culturais de Juiz de Fora. Marilda completou que os apoios financeiros são oriundos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura/Fumic e a contrapartida do edital são esses quatro eventos gratuitos. Em âmbito nacional, o espetáculo foi habilitado na preliminar do edital da Funarte "Retomada 2023 do teatro” e o plano do Grupo Nzinga é levar o espetáculo para todo o Brasil.

Para as idealizadoras, grupos como o Nzinga são importantes para preencher nossas vidas de significado: “pois precisamos valorizar nossas memórias e todos aqueles que vieram antes de nós, lavaram, passaram, trabalharam para formar a geração futura”, concluiu Marilda que para elas, somente juntos desconstruiremos o racismo estrutural. Para as Nzingas, o grupo é uma ferramenta de luta para a descolonização das mentes através dos contos africanos. Para quem quiser participar, o Grupo ensaia toda as quintas-feiras nos espaços do Museu de Crédito Real e já tem um projeto de sucesso de mais de dois anos na Praça CEU “Contei, Cantei e Nzinguei” que conta histórias todos os últimos sábados dos meses, reverenciando os povos originários, um momento repleto de amor, respeito e emoção.

Como a Rainha Nzinga, o Grupo Nzinga também oferece resistência à prática racista naturalizada nas mentes que perdura desde o Brasil colônia escravocrata até hoje: “levamos informação e formação, pois só o conhecimento liberta”, explicou Lucimar. Como foi as mulheres que sempre tiveram um papel central na luta e resiliência, assim o Nzinga atua também na formação de novas contadoras de história e dos professores, na busca de engajar mais gente na luta antirracista se dá principalmente dos aquilombamentos, aqueles encontros, conversas e reflexões em grupo. A caminhada dessas mulheres é de afeto, luta e carinho que vem de longe: “precismos falar abertamente sobre a contribuição africana para a construção de nossa sociedade”, concluiu Vanda. Segundo as Nzingas, é por caminharmos de mãos dadas que estamos sempre chegando mais longe e nos tornando melhores. Ninguém larga a mão de ninguém. UBUNTU. Viva Nzinga.
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FONTE/CRÉDITOS: Flávia Carvalho, Lucimar Silvério, Claudilene Oliveira, Tereza Cristina, Luciene Silvério, Vanda Ferreira, Marilda Simeão
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Alexandre Müller Hill Maestrini

Publicado por:

Alexandre Müller Hill Maestrini

Alexandre Müller Hill Maestrini é professor de alemão no Instituto Autobahn e autor de quatro livros: Cerveja, Alemães e Juiz de Fora, Franz Hill – Diário de um Imigrante Alemão, Lindolfo Hill – Um outro olhar para a esquerda e Arte Sutil.

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