Você conseguiria imaginar alguém tentando limitar o que você fala dentro da sua casa? Eu também não. Isso simplesmente não é possível. Dentro de casa você fala o que quer, da maneira como quer porque aquele espaço também é para isso. Agora, imagina você tentando limitar os seus próprios pensamentos. Recriminando-os, criticando cada um deles, julgando-os como pensamentos inadequados, errados, ruins...
A nossa casa é o nosso espaço de segurança. Ou pelo menos deveria ser. É o espaço onde temos a liberdade de nos vestir como quisermos, de falar o que quisermos e de agir da maneira que nos convém. De forma semelhante, na nossa mente simplesmente pensamos como pensamos. Pensamentos são apenas eventos mentais. Eles não são necessariamente a realidade em si. Não precisamos tratá-los como se fossem uma verdade absoluta sobre o mundo, sobre os outros ou sobre nós mesmos.
Quando algo nos desagrada na nossa casa procuramos fazer o possível para melhorar o ambiente. Algumas vezes, consideramos inclusive, mudar de casa. Porém, nós não podemos simplesmente nos mudar ou fugir de nós mesmos. Sempre estaremos ‘presos’ a nossa casa interna. Então limpar, organizar e faxinar ela, se tornam hábitos saudáveis e rotineiros. Mesmo não sendo possível uma mudança, é possível uma reforma interna e muitas vezes, isso é imprescindível. Aprender novos hábitos, dar espaço para novas maneiras de pensar e agir, quando nos damos conta, parece que aquele espaço é outro. Está completamente transformado.
Na nossa casa, só entram as pessoas que autorizamos. Elas precisam bater na porta e serem convidadas a entrar. Da mesma maneira, alguns pensamentos precisam de uma certa autorização interna para ficarem o tempo inteiro sendo ruminados. Toda hora eles aparecem, sem bater na porta, entram e ficam no nosso espaço incomodando. Algumas visitas indesejadas, que não costumam bater na porta, mas simplesmente entram sem consentimento, vão embora quando paramos de lhes dar atenção e nos ocupamos com outras coisas. Muitos pensamentos deixam de incomodar exatamente da mesma maneira.
Em sua casa, você pode ser você mesmo. Você não precisa encenar, não precisa fingir. Ali é o espaço onde você tem a liberdade de SER. Você tem a liberdade, inclusive, de falar o que quiser ou sobre quem quiser, isso também é liberdade de expressão. Não há problemas em ter algum hábito que a maioria das pessoas consideraria estranho se esse hábito lhe faz bem e não machuca ninguém. Se alguém se incomoda com a maneira como você vive dentro da sua casa, provavelmente esse problema não é seu. Então, nem sempre a opinião do outro sobre a maneira como você escolheu lidar com a sua casa interna precisa ser validada por você. Viva a sua liberdade!
Autora:
Mônica Reis é mãe de três garotos lindos de viver. Uma pessoa curiosa que gosta de conhecer
novos lugares e de ler que é outra forma de viajar. É formada em psicologia e atua no âmbito
clínico atendendo jovens e adultos.
Localização: Barra dos Coqueiros SE.
Instagram: @bymonicareis.
Comentários: