A Comarca de Virginópolis, situada no Vale do Rio Doce, passou a contar com a expansão oficial do projeto "Conscientizar", uma iniciativa direcionada à criação de grupos reflexivos para autores de violência doméstica e familiar contra a mulher. A solenidade de inauguração da nova fase ocorreu no município de Sardoá, marcando a chegada de um programa que busca combater a reincidência de atos violentos na região mineira.
Em resumo:
- Comarca de Virginópolis recebeu a expansão do projeto Conscientizar.
- Iniciativa foca em grupos reflexivos para autores de violência doméstica e familiar.
- Projeto é uma iniciativa da Assoleste com cooperação do TJMG e outras instituições.
Criado originalmente em 2024 na Comarca de Mantena, o projeto tem demonstrado eficácia na diminuição dos índices de violência cometidos pelos participantes. A expansão para Virginópolis amplia o alcance da rede de proteção, passando a abranger outras cinco cidades da região, enquanto o formato original em Mantena atende a sete municípios locais.
Parceria interinstitucional e atuação em rede
O desenvolvimento e a implantação do "Conscientizar" são frutos de uma articulação da Associação dos Municípios da Microrregião do Leste de Minas (Assoleste). A iniciativa conta com cooperação interinstitucional envolvendo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), além das Polícias Civil (PCMG) e Militar (PMMG) do Estado, prefeituras e outras instituições comprometidas com o enfrentamento à violência de gênero.
Para o juiz diretor do Foro da Comarca de Virginópolis, David Miranda Barroso, a integração entre os diferentes órgãos é fundamental para garantir a segurança das vítimas. O magistrado pontua que a atuação conjunta acontece desde o primeiro contato com a vítima, seja por meio de corporações como o Corpo de Bombeiros ou pelas forças policiais, culminando na posterior atuação da Justiça com o deferimento de medidas protetivas.
Reflexão e desconstrução da masculinidade tóxica
Segundo o juiz David Miranda Barroso, a iniciativa atua diretamente na prevenção de novos episódios de violência ao confrontar a convicção equivocada de muitos agressores. O magistrado destaca que o grupo reflexivo propicia um espaço para que os homens reconheçam o erro, auxiliando na desconstrução de condutas agressivas e padrões associados à masculinidade tóxica para romper o ciclo vicioso.
A juíza da 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância da Juventude da Comarca de Mantena, Samira da Cunha Ribeiro Morais, detalhou a dinâmica de funcionamento dos encontros. Conforme a magistrada, o projeto na comarca de origem lida com ameaças veladas que podem evoluir para lesões corporais e feminicídios, motivando a criação de reuniões semanais com até 20 homens acompanhados por psicólogos e assistentes sociais.
Perspectivas de expansão e combate a todas as formas de violência
Durante o evento oficial de lançamento, a prefeita de Sardoá e presidente da Assoleste, Ivania Maia, ressaltou a importância de estender o modelo para outras localidades, como a Comarca de Itambacuri. A gestora enfatizou que a atuação da Justiça precisa estar próxima da população para combater não apenas a agressão física, mas também a violência psicológica, humilhações, ameaças e o controle excessivo.
A expectativa dos organizadores é que, com o apoio técnico e o acompanhamento contínuo nos grupos reflexivos, os participantes possam compreender suas responsabilidades legais e sociais. A proposta busca garantir que, ao retornarem ao convívio familiar, esses homens possuam uma perspectiva transformada sobre as relações interpessoais e o respeito aos direitos das mulheres.
*Com informações oficiais de Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
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