O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou um balanço detalhado de sua participação na “Convergência Nacional”. A estratégia, articulada pelo Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado (GNCOC), intensificou o enfrentamento a facções criminosas nos meses de maio e junho de 2026 com operações simultâneas em solo mineiro.
Estrutura da mobilização e prisões em massa
As ações mobilizaram o Gaeco Central e cinco unidades regionais baseadas em Juiz de Fora, Visconde do Rio Branco, Uberaba, Uberlândia e Patos de Minas. Ao todo, as forças de segurança deflagraram oito operações integradas que resultaram na prisão de 96 pessoas e no cumprimento de 280 mandados judiciais de busca, apreensão e sequestro de bens.
Os agentes conseguiram recolher cerca de R$ 1 milhão em dinheiro espécie e ativos físicos. O foco central das investigações envolveu a asfixia financeira e a desarticulação estrutural de quadrilhas envolvidas em tráfico de drogas, fraudes bancárias, comércio ilegal de armas, cartel e roubo de veículos.
Operação Ícaro III e o combate a facções
O principal destaque operacional em número de capturas foi a Operação Ícaro III, desencadeada na região da Zona da Mata. A ação teve como alvo direto a estrutura da facção Comando Vermelho, culminando na prisão de 49 suspeitos que integravam desde a liderança até as bases operacionais e financeiras do grupo. A ofensiva cumpriu mais de 200 mandados e congelou aproximadamente R$ 8,4 milhões em contas dos investigados.
Ainda no combate ao narcotráfico e à violência armada, o Gaeco deflagrou a Operação Murus no Triângulo Mineiro, desestruturando a logística de distribuição de entorpecentes em Uberlândia e Uberaba. Já a Operação Vulcano II mirou o comércio ilegal de armamentos e munições na capital paulista e no interior de Minas, terminando com 11 presos e a apreensão de arsenais que abasteciam quadrilhas violentas.
Golpes bancários e adulteração de veículos
No campo dos crimes financeiros, a Operação 9º Círculo desmantelou um esquema interestadual especializado em fraudes bancárias. Os criminosos aliciavam entregadores de cartões de crédito para violar e trocar os chips das correspondências antes que chegassem aos clientes. O MPMG identificou 1.289 cartões adulterados e 87 mil transações suspeitas que movimentaram R$ 21,9 milhões. Onze golpistas foram detidos e o Judiciário determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens do bando.
Paralelamente, a Operação Chassi Frio sufocou o roubo e furto de veículos no Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. Quatro pessoas foram presas em flagrante em galpões utilizados como desmanches clandestinos, onde a polícia apreendeu motores raspados, autopeças ilícitas, armas e cheques.
Cartel de placas automotivas na Zona da Mata
As autoridades detalharam também os desdobramentos da Operação Guildas Medievais, que apurou crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de cartel na estampagem de placas do Mercosul. O grupo econômico operava de forma criminosa para fixar preços abusivos e restringir a livre concorrência de mercado, usando de coação e "laranjas" para ocultar o patrimônio gerado.
As equipes do Gaeco cumpriram 37 mandados em cidades de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. As medidas judiciais resultaram na apreensão de montantes em dinheiro, computadores e documentos, além da determinação expressa de suspensão das atividades empresariais das firmas envolvidas na fraude comercial.
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