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Sábado, 06 de Junho 2026
Justiça

Moraes vota para que Malafaia vire réu por ataques ao Alto Comando do Exército

Acusação da PGR se fundamenta em discurso proferido pelo pastor na Avenida Paulista, em abril de 2023

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Moraes vota para que Malafaia vire réu por ataques ao Alto Comando do Exército
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Nesta sexta-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou seu voto favorável para que o pastor evangélico Silas Malafaia seja processado pelos delitos de calúnia e injúria. As acusações referem-se a supostas ofensas dirigidas aos generais de quatro estrelas que integram o Alto Comando do Exército.

O processo teve início de julgamento na mesma sexta-feira (6) pela Primeira Turma do STF, em formato de sessão virtual. Até o momento, apenas o relator, ministro Moraes, proferiu seu voto. Os demais membros do colegiado — Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia — dispõem até as 23h59 de 13 de março para registrar suas posições.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou a denúncia contra Malafaia, que surgiu após um pronunciamento feito pelo líder religioso em uma manifestação na Avenida Paulista, ocorrida em 6 de abril de 2023.

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Naquele evento, as declarações de Malafaia foram impulsionadas pela detenção recente do general Walter Braga Netto. A prisão ocorreu no contexto das apurações sobre a suposta trama golpista que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro de forma ilegítima no comando do país.

Em cima de um carro de som, o líder religioso proferiu, na ocasião: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes”.

Malafaia exigia ações dos militares como reação à prisão de Braga Netto, que havia sido candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

“Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem”, complementou Malafaia.

Posteriormente, um vídeo contendo o discurso foi divulgado pelo pastor evangélico em suas plataformas digitais, atingindo, conforme a PGR, mais de 300 mil visualizações. A descrição da postagem afirmava: “Minha fala contra os generais covardes do alto comando, não contra o glorioso Exército Brasileiro”.

Segundo a PGR, Malafaia cometeu o delito de calúnia ao se referir aos militares como covardes, visto que a covardia é tipificada como crime no Código Penal Militar. Quanto à injúria, a acusação aponta que o pastor teve a intenção deliberada de ultrajar os integrantes das Forças Armadas.

Qualificação

A Procuradoria-Geral da República solicita que os crimes sejam considerados qualificados, o que implicaria em um aumento da pena. Os fundamentos para essa qualificação incluem o fato de os delitos terem sido cometidos contra agentes públicos, em decorrência de suas atribuições, na presença de diversas testemunhas e contra indivíduos com mais de 60 anos, todos elementos que configuram agravantes para essa categoria de infração.

A defesa de Malafaia contesta a competência do Supremo para julgar o caso, argumentando que o pastor não possui foro privilegiado. No que tange ao mérito, os advogados sustentam que as declarações do líder evangélico não provocaram danos, o que, em sua visão, anularia a justa causa para a denúncia.

Moraes, por sua vez, refutou as alegações da defesa, afirmando que os acontecimentos sob investigação possuem uma conexão “absoluta” com as acusações de calúnia e injúria dirigidas a agentes públicos, que já estão sendo apuradas no Inquérito das Fake News. Essa investigação foi instaurada em 2019 com o objetivo de apurar ataques e difamações contra os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil

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