Recentemente, um estudo inédito do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro revelou que a recuperação de aproximadamente 80% dos veículos roubados ou furtados no estado, no ano passado, ocorreu predominantemente em cinco municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo, Belford Roxo e São João de Meriti. A pesquisa destaca que a maior parte desses veículos é localizada em áreas controladas pelo crime.
Essa constatação sublinha que a localização desses automóveis e motocicletas se dá, em grande medida, no interior de comunidades ou nas proximidades de regiões sob o domínio de organizações criminosas, evidenciando padrões específicos de atuação.
Padrões de recuperação em áreas de risco
Intitulado "Roubo e recuperação de veículos: padrões de criminalidade no estado do Rio de Janeiro", o levantamento do ISP, divulgado nesta terça-feira (23), detalha que das 17.228 recuperações registradas no ano passado, uma parcela significativa de 18% concentrou-se em apenas seis regiões da capital fluminense.
Entre essas áreas de alta incidência estão comunidades como o Chapadão, Pedreira, Juramento, Manguinhos, Parque Arará e o Complexo da Maré, indicando uma forte correlação com territórios de atuação de grupos criminosos.
O ISP ressalta que os crimes de roubo e furto de veículos representam alguns dos delitos patrimoniais mais frequentes no Rio de Janeiro. Seus impactos transcendem a mera perda material, pois contribuem para a sustentação de mercados ilícitos e o fortalecimento de diversas dinâmicas criminais.
Concentração geográfica dos crimes
A análise da distribuição de roubos e furtos de veículos por área geográfica revela uma concentração alarmante. Na capital fluminense, 50% dos casos ocorrem em apenas 4,3% do território municipal.
Em Duque de Caxias, a concentração atinge 2,6% da área. Já em São João de Meriti, São Gonçalo e Nova Iguaçu, as subtrações se concentram em 12%, 5,2% e 3% de suas respectivas áreas territoriais, respectivamente.
Agilidade na comunicação e recuperação
O relatório do ISP também destaca a rapidez na comunicação dos crimes às autoridades. Um total de 92,2% dos automóveis e 91,8% das motocicletas são registrados na polícia em até três dias após o ocorrido.
Essa agilidade se reflete na recuperação: a maioria desses veículos, especificamente 95,4% dos carros e 64,4% das motos, é encontrada e devolvida aos proprietários em um período de até 72 horas.
Para o ISP, esses fluxos de veículos roubados ou furtados sugerem trajetórias que são intencionalmente planejadas ou direcionadas para pontos de receptação. Isso ocorre em alinhamento com as complexas redes de transações ilícitas que operam em cada território afetado.

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