Nesta quarta-feira (29), o advogado-geral da União, Jorge Messias, teve sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo Senado Federal, com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Em sua primeira declaração após o resultado, Messias afirmou ter participado do processo de forma íntegra e franca, agradecendo os votos recebidos e aceitando a decisão do parlamento.
Em declaração a jornalistas, o ministro da AGU enfatizou sua postura durante a sabatina, afirmando ter se submetido "de coração aberto, de alma leve, espírito franco". Ele reiterou ter expressado suas verdades e sentimentos, reconhecendo que a vida é feita de vitórias e derrotas.
Messias reforçou a soberania do Senado, declarando: "Temos que aceitar, o Senado é soberano, o plenário do Senado é soberano. O plenário falou. Agradeço os votos que recebi, faz parte do processo democrático saber ganhar, saber perder".
Para a aprovação da indicação de Messias, eram necessários no mínimo 41 votos dos 81 senadores. Com o placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis, a nomeação foi oficialmente arquivada pelo Congresso Nacional.
A rejeição de Jorge Messias representa um marco histórico, sendo a primeira vez em mais de 130 anos que um nome indicado a ministro do STF é barrado pelo Senado.
Reflexão sobre a fé e o processo
Consciente da dificuldade de uma reprovação para alguém com sua trajetória, Jorge Messias expressou uma perspectiva de fé. "Não é simples alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação", disse ele.
O advogado-geral, que é evangélico e contava com apoio de segmentos religiosos, acrescentou: "Eu aprendi que a minha está nas mãos de Deus, e Deus sabe de todas as coisas. Deus tem um plano para a nossa vida... Lutei o bom combate, como todo cristão e preciso aceitar o plano de Deus na minha vida".
A indicação de Jorge Messias, formalizada por meio da Mensagem Oficial (MSF 7/2026) ao Senado no início de abril, havia sido anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há aproximadamente cinco meses.
Messias estava sendo cotado para ocupar a vaga no STF que será deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que anunciou sua aposentadoria antecipada da Corte, prevista para outubro de 2025.
Agradecimento a Lula e "vida limpa"
Durante sua fala, Messias também abordou o que descreveu como um processo de "desconstrução de sua imagem" ao longo dos últimos cinco meses. Ele fez questão de ressaltar sua "vida limpa" e expressou gratidão ao presidente Lula pela oportunidade da indicação.
"O presidente Lula me deu uma grande honra de ter participado desse processo e agradeço a ele pela oportunidade", declarou. Messias reiterou que não vê o ocorrido como um fim, mas sim como "uma etapa do processo da minha vida".
O advogado-geral finalizou sua fala destacando sua condição de servidor público de carreira, enfatizando que sua trajetória profissional não depende da ocupação de um cargo público.
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