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Quarta-feira, 08 de Julho 2026
Minas Gerais

Construção civil em Minas Gerais recua no início de 2026 e acende sinal de alerta

Estado registra queda no PIB do setor e no nível de empregos, caminhando na contramão do crescimento nacional

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Construção civil em Minas Gerais recua no início de 2026 e acende sinal de alerta
Imagem: evening_tao no Magnific
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O setor da construção civil em Minas Gerais começou o ano de 2026 em ritmo lento. De acordo com o Boletim da Construção, elaborado pela Gerência de Economia da FIEMG, o PIB do segmento no estado encolheu 3,7% no primeiro trimestre do ano. O resultado acentua o processo de desaceleração iniciado no ano passado e coloca o mercado mineiro em uma direção oposta à média nacional.

A perda de fôlego impacta não apenas a economia, mas também o desenvolvimento social, afetando a oferta de moradias e a geração de empregos. No primeiro trimestre, a população ocupada no setor em Minas Gerais caiu 2,4% em relação ao mesmo período de 2025.

O descompasso entre o desempenho estadual e o nacional fica evidente quando analisados os principais indicadores do período:

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Indicador Econômico (1º Trimestre de 2026) Minas Gerais Brasil
Evolução do PIB do setor (em relação ao 1º tri/2025) -3,7% +1,3%
Variação trimestral (em relação ao 4º tri/2025) -0,2% +2,9%
Geração de Emprego (população ocupada no setor) -2,4% +0,4%
Desempenho em 2025 (acumulado do ano anterior) -2,3% +0,5%

Juros altos e falta de confiança travam investimentos

Na avaliação da federação industrial, a atividade privada regional vem enfrentando dificuldades para reagir devido a barreiras macroeconômicas locais e globais.

"A combinação de crédito ainda caro, elevado custo de financiamento e baixo nível de confiança continua restringindo os investimentos privados e dificultando uma retomada consistente da atividade", afirma o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio.

Embora as vendas de materiais de construção tenham esboçado uma reação pontual em março, crescendo 8,7% (acima dos 8,1% do Brasil), o acumulado do ano para o comércio de insumos em Minas Gerais ainda amarga uma queda de 1,9%.

Mão de obra qualificada inflaciona os custos

Outro grande desafio mapeado pelo boletim é o custo de produção. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) registrou alta acumulada de 5,84% em 12 meses até março de 2026.

Houve um alívio nos preços de materiais e serviços, que subiram 3,75%. Por outro lado, as despesas com mão de obra dispararam 8,82%, impulsionadas diretamente pela escassez de trabalhadores qualificados disponíveis no mercado mineiro.

Para completar o cenário desafiador, as condições de financiamento seguem severas. Em abril de 2026, as concessões de crédito imobiliário atingiram o recorde de R$ 21,8 bilhões. Contudo, 84,8% desse montante (R$ 18,5 bilhões) vieram de linhas de crédito regulado, o que sinaliza que os programas habitacionais públicos estão sustentando o mercado, enquanto o investimento por vias tradicionais de financiamento continua sufocado pelas altas taxas de juros.

A expectativa da FIEMG é que o setor feche 2026 próximo da estabilidade, sem forças para recuperar as perdas acumuladas nos últimos dois anos.

FAQ

Por que a construção civil em Minas Gerais está caindo enquanto o Brasil cresce?

O mercado mineiro enfrenta um ajuste econômico mais severo, travado pela combinação de juros altos para financiamento, baixo nível de confiança dos investidores privados e custos locais elevados.

O que tem encarecido os custos da construção no estado?

O principal vilão atual é o custo da mão de obra, que acumulou alta de 8,82% devido à forte escassez de trabalhadores qualificados no mercado. Os preços de materiais e serviços, por sua vez, registraram uma pressão menor (3,75%).

Qual tipo de crédito tem sustentado o setor imobiliário em 2026?

O crédito regulado (atrelado a programas habitacionais do governo e fundos oficiais) responde por 84,8% de todos os financiamentos concedidos, servindo como o principal pilar para evitar uma queda ainda maior do setor.

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FONTE/CRÉDITOS: FIEMG

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