A preservação da memória coletiva e a valorização cultural ganham um novo modelo de atuação na Zona da Mata. Uma iniciativa de extensão desenvolvida pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está aproximando o corpo acadêmico dos moradores do Dom Bosco, bairro vizinho ao campus sede. Trata-se do Projeto Museu de Território, que atua sob a perspectiva da museologia social. Diferente das instituições tradicionais sediadas em prédios fechados, o conceito desta proposta abrange toda a dimensão geográfica e afetiva do bairro, transformando as lembranças, trajetórias e o legado cultural da própria comunidade no acervo principal do projeto.
Origem do projeto e formação de rede multidisciplinar
A iniciativa, consolidada como projeto de extensão universitária, nasceu a partir das pesquisas da professora Luciane Monteiro de Oliveira, curadora do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana da UFJF, que historicamente identificou o potencial museológico e a ancestralidade do bairro, ligado a relatos de antigos quilombos e fixação de ex-escravizados na região. A formalização das atividades ocorreu mediante parceria com o docente do Departamento de Turismo, Edwaldo Sérgio dos Anjos Júnior, atual coordenador da proposta. O grupo de trabalho reúne cerca de 25 integrantes, entre professores, estudantes de graduação de diferentes cursos e lideranças comunitárias locais.
Mapeamento cultural e eixos históricos identificados
Na fase atual de execução, a equipe multidisciplinar dedica-se à elaboração do inventário do bairro, concentrando os esforços de mapeamento nas regiões conhecidas como Chapadão e Morro dos Cabritos. Os pesquisadores identificaram três eixos centrais fortemente consolidados no imaginário social dos moradores:
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Religiosidade: Presença de um dos terreiros de matriz africana mais antigos da Zona da Mata e de uma capela construída na década de 1930.
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Recursos Naturais: Histórico de arranjos comunitários para captação de água por meio de poços artesianos e bicas, antes da chegada tardia do saneamento básico, além da existência de uma nascente no Morro dos Cabritos.
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Vínculos Comunitários: Alto nível de parentesco entre as famílias locais e forte tradição em festividades de rua, religiosas e escolares.
Sensibilização e protagonismo na gestão comunitária
Para além do levantamento de dados, o projeto realiza um trabalho de sensibilização com atores-chave do bairro, promovendo visitas técnicas guiadas a experiências semelhantes consolidadas no Brasil, como o Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), em Belo Horizonte, e o Museu das Remoções, no Rio de Janeiro. O planejamento estrutural prevê que o processo de criação, organização e consolidação do plano museológico seja gerido de forma conjunta, garantindo que a própria população do bairro Dom Bosco assuma o protagonismo e a gestão efetiva das rotas e marcos simbólicos no futuro. Informações institucionais e o dia a dia das ações de campo podem ser acompanhados pelo perfil oficial do projeto na rede social digital.
FAQ
O que é um Museu de Território e como ele funciona na prática?
É um conceito fundamentado na museologia social onde o museu não se restringe a uma edificação ou patrimônio arquitetônico fechado. O acervo é composto pelo próprio território geográfico, pelas paisagens, referências históricas, memórias vivas e manifestações culturais dos moradores de uma determinada localidade.
Quem são os responsáveis pela execução e catalogação das informações do bairro?
O projeto é coordenado pelo Departamento de Turismo da UFJF e conta com uma equipe multidisciplinar de aproximadamente 25 pessoas, divididas entre professores da instituição, alunos bolsistas de cursos como Cinema e Audiovisual, Arquitetura e Urbanismo, além dos próprios moradores e líderes comunitários do Dom Bosco.
Como a comunidade local participa e como acompanhar o andamento do projeto?
Os moradores atuam como os principais detentores da história oral e guias dos pontos históricos durante a elaboração do inventário. O objetivo final é torná-los gestores definitivos do espaço. O público interessado pode acompanhar o cronograma e os registros das atividades por meio da página oficial do Instagram no endereço eletrônico @proj.museudomboscojf.

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