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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Saúde

Vacinação com a Pneumo 20 no SUS inicia em junho, ampliando proteção contra doenças pneumocócicas

O novo imunizante, que já era comercializado na rede privada com custo elevado, visa fortalecer o combate à pneumonia e meningite em crianças.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Vacinação com a Pneumo 20 no SUS inicia em junho, ampliando proteção contra doenças pneumocócicas
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que a vacinação com a Pneumo 20 para crianças de até 5 anos terá início na segunda quinzena de junho, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país. Esta medida representa um avanço significativo no Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo proteção ampliada contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por quadros severos de pneumonia e meningite, que causam hospitalizações e óbitos.

Este imunizante inovador, agora acessível via SUS, confere defesa contra vinte sorotipos da Streptococcus pneumoniae. Esta bactéria é reconhecida como a principal agente etiológico de enfermidades sérias, como pneumonia e meningite, que frequentemente resultam em hospitalizações, sequelas e, lamentavelmente, óbitos.

A inclusão da Pneumo 20 marca o quarto imunobiológico incorporado ao calendário infantil pela gestão atual do Ministério da Saúde. Anteriormente, a vacina já estava disponível na rede privada, com um custo por dose que superava os R$ 500.

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O ministro Padilha assegurou que "todos os passos necessários foram concluídos", incluindo a emissão de nota técnica e o início da distribuição aos estados e municípios. A expectativa é que a vacinação da Pneumo 20 para crianças comece na segunda quinzena de junho, possivelmente a partir do dia 15.

A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), popularmente conhecida como Pneumo 20, substituirá a versão 10-valente. Com essa mudança, o número de sorotipos bacterianos prevenidos será duplicado, ampliando significativamente a proteção.

A doença pneumocócica e seus impactos

A doença pneumocócica é uma infecção originada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, também conhecida como pneumococo, que pode manifestar-se em quadros clínicos variados, desde condições mais brandas, como inflamações no ouvido ou sinusite, até infecções graves.

Entre as formas mais severas estão a pneumonia bacteriana, a meningite e a sepse, que representam riscos consideráveis à saúde.

O pneumococo é estimado como o agente causador de até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 30%. Além das crianças pequenas, grupos como idosos, indivíduos com comorbidades e aqueles com imunossupressão são considerados mais vulneráveis à infecção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a doença pneumocócica como a principal causa de mortalidade infantil por enfermidade prevenível. No Brasil, o período entre 2023 e 2025 registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos.

Especificamente entre crianças com menos de 5 anos, foram contabilizados 616 casos e 188 mortes nesse mesmo intervalo, evidenciando a urgência da imunização.

O principal diferencial da nova vacina, conforme o Ministério da Saúde, reside na sua capacidade de ampliar a proteção imunológica. Ela abrange sorotipos frequentemente associados à pneumonia invasiva, notadamente os tipos 3, 6A e 19A, tornando-a mais completa que as formulações prévias.

Além disso, a Pneumo 20 oferece proteção contra a otite média, uma condição que pode resultar em perda auditiva e, em casos mais graves, evoluir para uma infecção generalizada com risco de óbito.

A pasta de saúde já iniciou a distribuição das 514 mil doses iniciais do imunizante. A campanha de vacinação terá seu pontapé inicial à medida que os estados receberem e encaminharem as doses aos respectivos municípios.

O governo federal projeta disponibilizar um total de mais de 6,1 milhões de doses da Pneumo 20 ao longo deste ano.

O histórico da vacinação pneumocócica no Brasil

A inclusão da vacina VPC10 no calendário básico infantil, em 2010, marcou um ponto crucial na prevenção da doença pneumocócica. Desde então, observou-se uma redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva entre crianças de até dois anos, abrangendo os 10 sorotipos combatidos pela vacina.

Adicionalmente, os registros de meningite pneumocócica na mesma faixa etária apresentaram uma queda expressiva de 65%, demonstrando a eficácia das campanhas anteriores.

Contudo, nos anos mais recentes, uma preocupante elevação nos casos tem sido notada. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças menores de 5 anos.

Esse número médio anual aumentou para 211,3 casos no período de 2022 a 2024, sublinhando a necessidade de uma proteção mais abrangente.

Dados de vigilância do Ministério da Saúde revelam que quase 40% dos casos graves, com amostras coletadas entre 2018 e 2023, foram atribuídos a apenas dois tipos da bactéria que não eram cobertos pela VPC10. Esses sorotipos, entretanto, estão agora contemplados na nova formulação da VPC20.

Grupos prioritários para a vacinação com a Pneumo 20

O Ministério da Saúde detalhou que a vacina Pneumo 20 será disponibilizada para os seguintes grupos prioritários:

  • Crianças com idade inferior a 5 anos;
  • Indivíduos de povos indígenas com mais de 5 anos (sem histórico de vacinação com pneumo conjugada);
  • Idosos a partir dos 60 anos que estejam acamados ou institucionalizados;
  • Pessoas com condições clínicas específicas, acompanhadas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Durante a fase de transição para o novo imunizante, o esquema vacinal básico para crianças seguirá um modelo específico. Ele incluirá uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses de idade e uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses.

Posteriormente, será aplicada uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, com a condição de que haja um intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço.

As vacinas VPC13 e VPP23 continuarão a ser empregadas em estratégias diferenciadas, até que seus estoques sejam completamente finalizados.

Esta estratégia combinada será mantida até o esgotamento dos estoques da Pneumo 10. Uma vez que essas doses se esgotem, o esquema vacinal passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.

Para facilitar o acompanhamento, pais, mães e responsáveis podem verificar o histórico de vacinação em tempo real através da Caderneta Digital de Saúde da Criança, acessível pelo aplicativo Meu SUS Digital.

Avanços e resultados na cobertura vacinal infantil

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde reportou a recuperação de todas as coberturas vacinais infantis, um feito que reverteu a tendência de declínio observada até 2022. A imunização contra doenças pneumocócicas refletiu esse progresso.

A cobertura do esquema básico para essas doenças evoluiu de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e atingiu 93,45% em 2025. Para 2026, a cobertura parcial acumulada já alcança 86,33%, conforme dados da pasta.

"Com muita luta, estamos superando o negacionismo e a oposição antivacina, resgatando a credibilidade do nosso Programa Nacional de Imunização", afirmou o ministro Padilha. A declaração foi feita durante uma entrevista onde ele detalhou o novo esquema de vacinação com a Pneumo 20.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil

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