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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Economia

Exportações brasileiras para os Estados Unidos caem 14% em maio

A queda nas exportações para os Estados Unidos persiste desde a implementação de tarifas em agosto do ano passado, impactando o comércio bilateral.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Exportações brasileiras para os Estados Unidos caem 14% em maio
© Wilson Dias/Agência Brasil
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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revelou nesta quarta-feira (3) que as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 14% em maio, comparado ao mesmo mês do ano anterior. Este recuo mantém uma tendência observada desde agosto do ano passado, período em que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump entraram em vigor, impactando as vendas para o mercado estadunidense e contrastando com o desempenho crescente de outros parceiros, como a China.

Apesar desse declínio, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, ponderou que os dados atuais não são suficientes para afirmar uma alteração estrutural nas relações comerciais bilaterais.

"É prematuro diagnosticar uma mudança estrutural", explicou Brandão. Ele detalhou que os fluxos do comércio exterior demandam tempo para se ajustar, variando conforme a composição da pauta.

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Bens sob encomenda, por exemplo, sentem um impacto mais acentuado, ao contrário de commodities e alimentos, que compõem grande parte das exportações para os Estados Unidos, incluindo petróleo, celulose, combustíveis, carne e café. "Pode haver uma retração devido ao aumento de custos, mas a recuperação pode ser rápida", completou.

O diretor também enfatizou que a intensidade da retração nas exportações para os Estados Unidos tem mostrado sinais de desaceleração nos últimos meses.

Brandão detalhou a trajetória: "A maior queda foi registrada em outubro, com 35%. Em janeiro, a redução foi de 26%, mas esse ritmo tem diminuído progressivamente: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e, mais recentemente, 14% em maio."

Comércio com os Estados Unidos

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic confirmou que o intercâmbio comercial bilateral com os Estados Unidos apresentou enfraquecimento em maio.

Os principais indicadores para o mês de maio foram:

  • • Exportações para os EUA: US$ 3,09 bilhões (-14%)
  • • Importações dos EUA: US$ 3,21 bilhões (-11%)
  • • Déficit comercial em maio: US$ 121 milhões

No acumulado de janeiro a maio, o cenário foi o seguinte:

• Exportações: US$ 14,01 bilhões (-16%)

• Importações: US$ 15,48 bilhões (-12,6%)

• Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão

A fatia dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também encolheu, caindo de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio deste ano.

China ganha espaço

Em contraste com a retração das exportações para os Estados Unidos, a China consolidou sua posição como o principal destino dos produtos brasileiros, ampliando sua participação.

No mês de maio, as vendas para o mercado chinês registraram um aumento de 9,5%, atingindo US$ 10,5 bilhões. As importações provenientes da China também cresceram, com um avanço de 24,2%, totalizando US$ 6,8 bilhões.

Esse desempenho resultou em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no período.

Considerando o acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os números com a China foram:

  • Exportações: US$ 43,26 bilhões (+21,8%)
  • Importações: US$ 30,76 bilhões (+4,1%)
  • Superávit: US$ 15,5 bilhões

A participação da China na pauta de exportações brasileiras expandiu-se, passando de 32,1% para 32,9% no mesmo intervalo.

Petróleo em destaque

Herlon Brandão também apontou o conflito no Oriente Médio como um fator crucial para o expressivo crescimento das exportações de combustíveis derivados de petróleo pela indústria de transformação.

Segundo o diretor, os choques de oferta decorrentes da instabilidade geopolítica resultaram na elevação dos preços internacionais, o que, por sua vez, impulsionou o valor exportado pelo Brasil.

Em maio, os resultados para o setor foram:

  • As exportações de óleos combustíveis registraram um aumento de 75,2% em volume;
  • O valor total exportado cresceu 49,8%.

Contudo, as exportações de petróleo bruto apresentaram um cenário distinto, com uma queda de 9,3% em valor e uma retração de 42,1% no volume embarcado em maio, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O diretor do Mdic esclareceu que esse movimento é considerado pontual e não possui ligação com o imposto de exportação instituído pelo governo para o produto.

"O Brasil demonstra grande competitividade. A imposição do imposto de exportação não deverá afetar a oferta brasileira ao mercado externo, especialmente em um contexto de preços elevados. As empresas mantêm a produção de petróleo e os investimentos prosseguem", assegurou Brandão.

Como evidência, Brandão mencionou a inauguração de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.

Saldo comercial

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil alcançou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões. Este valor representa um avanço significativo em relação aos US$ 24,33 bilhões apurados no período homólogo do ano anterior.

Esse resultado positivo foi impulsionado, sobretudo, pelo incremento das exportações para a China e pelo robusto desempenho de produtos do setor de energia e commodities (bens primários com cotação internacional).

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

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