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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Política

Câmara dos Deputados finaliza audiências e prepara relatório de projeto que equipara misoginia ao racismo

Proposta, já aprovada no Senado, ainda pode receber sugestões na Câmara antes da votação

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Câmara dos Deputados finaliza audiências e prepara relatório de projeto que equipara misoginia ao racismo
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
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Nesta quarta-feira (3), a Câmara dos Deputados concluiu as audiências públicas do grupo de trabalho responsável pela análise do Projeto de Lei 896/23. A iniciativa visa equiparar a misoginia, conceituada como ódio ou aversão às mulheres, ao crime de racismo, propondo penas de reclusão de 2 a 5 anos para combater discursos de ódio e a discriminação fundamentada na supremacia masculina. O relatório final será apresentado em 10 de maio.

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), coordenadora do colegiado, informou que o grupo ainda está aberto a receber sugestões técnicas. Essas contribuições serão cruciais para a elaboração da versão definitiva do texto antes de sua votação. O relatório está agendado para ser apresentado na próxima quarta-feira, dia 10 de maio, às 14 horas.

A audiência pública final contou com a participação de renomados juristas, pesquisadores e representantes diplomáticos. O foco do debate foi a avaliação da eficácia jurídica da proposta, buscando garantir que os mecanismos a serem implementados sejam aplicáveis pelo sistema de Justiça. Além disso, a discussão visou assegurar a conformidade do projeto com os princípios da Constituição Federal, como a liberdade de expressão e a dignidade humana.

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Experiências internacionais no combate à misoginia

Representantes de outros países apresentaram suas respectivas abordagens legislativas. Simon Fairweather, por exemplo, detalhou que o Reino Unido incorporou o gênero como uma das motivações para crimes de ódio. Conforme a legislação britânica, a pena para um delito se agrava significativamente caso seja comprovada a hostilidade baseada no gênero. Fairweather também ressaltou iniciativas no ambiente digital, como a proibição de aplicativos de inteligência artificial que criam imagens de mulheres sem vestimentas sem consentimento.

Por outro lado, Cynthia Ohayon, da embaixada francesa, explicou que a legislação da França opta por não utilizar o termo "misoginia". A justificativa é que a palavra é considerada muito ampla e subjetiva. O sistema jurídico francês, em vez disso, concentra-se nas definições de "sexismo" ou "violência sexista e sexual". Ohayon destacou a rigorosa punição do assédio de rua e de ataques virtuais orquestrados no país. Contudo, ela advertiu que a existência de leis não é suficiente, mencionando a subnotificação e o arquivamento de casos como desafios persistentes na França.

Perspectivas jurídicas e decisões do STF

Maira Recchia, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-SP, enfatizou a urgência de uma legislação brasileira robusta. O objetivo é conter a escalada da violência de gênero, que tem sido intensificada por grupos organizados no ambiente digital.

Recchia propôs a inclusão do termo "preconceito de gênero" ao lado de "misoginia" no texto do projeto. Essa medida visa harmonizar a proposta com as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal. A advogada salientou que "a nossa liberdade de expressão encontra limite quando ela violenta o outro".

A constitucionalista Alice Bianchini, que preside a Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas, assegurou a adequação técnica da proposta para sua incorporação ao sistema penal. Ela refutou as críticas de que o texto seria conceitualmente vago, esclarecendo que o projeto segue a mesma fundamentação de leis existentes que criminalizam o racismo e a homotransfobia. Bianchini foi enfática ao afirmar que "o discurso de ódio não está acobertado pela liberdade de expressão".

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o projeto já obteve aprovação no Senado. A proposta prevê, adicionalmente, a duplicação das penas do Código Penal para delitos como injúria, difamação e calúnia, quando cometidos contra mulheres em situações de violência doméstica.

Caso o texto seja aprovado pela Câmara dos Deputados sem quaisquer modificações, ele poderá ser encaminhado diretamente para a sanção presidencial.

Entenda o processo de tramitação de projetos de lei

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias

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