Nesta terça-feira, 25 de julho, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e o Dia Municipal da Mulher Negra Cirene Candanda. Como forma de reforçar a importância da luta das mulheres negras por respeito e representatividade, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) promoveu a roda de conversa “Mulheres Pretas nos espaços de poder”. O evento, realizado no Auditório Cirene Candanda, na Casa dos Conselhos, abordou questões como representatividade, resistência, tomada de decisões e desafios.
Iniciando o debate, a secretária municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Fabiola Paulino, relembrou o caso da vereadora assassinada Marielle Franco. “Ela era uma mulher que expressava as questões que pautava, uma personificação de tudo que representava. Por qual motivo a presença dela incomodava tanto?”, indagou. Fabiola também citou a frase de Conceição Evaristo, “combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer".
Em seguida, foi a vez da subcomandante da Guarda Municipal, Elaine Maria da Silva, falar da importância da representatividade. “Sou preta, mãe e uma mulher que ocupa um cargo de comando. Há um tempo não podíamos usar o cabelo do nosso jeito. Hoje, estou comandando um batalhão, tendo voz e inspirando crianças”.
A diretora-geral da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), Giane Elisa, ressaltou que, à medida em que os status da sociedade vão mudando, gera-se uma desacomodação. “A tendência do racismo e do machismo é nos fazer desacreditar de nós mesmas. Nossa sociedade é extremamente racista, com mentalidade colonialista, onde se é esperado que corpos pretos ocupem espaços de menos prestígio, quando ocorre o contrário acontece essa desacomodação. O corpo negro no espaço de poder gera deslegitimação e encaremos um tipo de solidão que quando mulheres negras se destacam não vemos pessoas como nós”, concluiu.
A assessora de políticas para as mulheres da SEDH, Samara Miranda, comentou que a ancestralidade é reprimida por muitas vezes e que o descrédito é uma constante. “O turbante que uso incomoda, mas o conhecer nos liberta, e é preciso trabalhar por uma gestão humana e inclusiva”.
Mulheres Negras na História
Também como parte das comemorações pelo dia 25 de junho, as praças do Vila Ideal, Santa Luzia, Manoel Honório, Parque Halfeld, Benfica, Vitorino Braga, São Mateus e Praça Antônio Carlos receberam placas que contam a trajetória de cidadãs que são exemplos de resistência.
As homenageadas pela iniciativa são Roza Cabinda, Cirene Izidorio Candanda, Maria Euzébia Delfino, Almerinda da Silva Hora, Verônica Francisca de Carvalho Castro, Georgina do Carmo Sales de Almeida, Gabriela do Carmo Santana Crochet e Nancy de Carvalho.