Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 04 de Junho 2026
Brasil/Mundo

Presidente da Fenaj afirma que dia do jornalista não é motivo de celebração

Categoria lamenta ausência da exigência de diploma há 15 anos e expressa preocupação com regulamentação de profissionais multimídia.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Presidente da Fenaj afirma que dia do jornalista não é motivo de celebração
© Lula Marques/ Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A data de 7 de abril, comemorada como o Dia do Jornalista, deixou de ser um motivo de festa para a classe há quase duas décadas.

“É um período de muitos desafios. Enfrentamos não apenas a violência constante, mas também a crescente precarização da nossa atividade profissional”, declara Samira de Castro, líder da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O descontentamento entre os profissionais da imprensa remonta a 2009, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 8 votos a 1, que o diploma não seria mais obrigatório para o exercício da profissão de jornalista.

Publicidade

Leia Também:

A decisão da Corte atendeu a um recurso do Ministério Público Federal (MPF) e do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp).

O argumento apresentado era que o Decreto-Lei 972/69, que datava da ditadura militar (1964-1985) e estabelecia a obrigatoriedade do diploma, havia se tornado obsoleto. Em outras palavras, a norma estaria em desacordo com a liberdade de expressão assegurada pela Constituição Federal de 1988.

Dezesseis anos após essa decisão, a insatisfação dos jornalistas se intensificou em janeiro deste ano, segundo Samira Castro, com a aprovação e sanção da Lei nº 15.325 pelo Congresso Nacional, que regulamenta a atuação de profissionais multimídia.

“Quando pensávamos que a situação não poderia piorar, surge essa nova lei”, comenta a presidente da Fenaj, que vê a legislação como um fator de ampliação da desregulamentação no setor de comunicação.

“O profissional multimídia atua sem uma jornada de trabalho definida, sem garantia salarial e até mesmo sem representação sindical.”

Prerrogativas ameaçadas

A presidente da Fenaj ressalta que a atuação de multimídia, ao abranger funções jornalísticas, coloca em risco “uma prerrogativa crucial da nossa categoria: o sigilo da fonte”. Este direito é garantido pela Constituição Federal (artigo 5º, inciso 14) e reforçado no Código de Ética dos Jornalistas (também em seu artigo 5º).

A tramitação da Lei do Multimídia, desde sua apresentação na Câmara dos Deputados em 3 de outubro de 2023, foi significativamente mais rápida (2 anos, 3 meses e 3 dias) do que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 206/2012, que busca restabelecer a obrigatoriedade do diploma de jornalista e está em andamento há 15 anos, 9 meses e 5 dias.

A PEC, protocolada em 2 de julho de 2009 e já aprovada no Senado Federal, encontra-se parada desde 31 de outubro de 2023 na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, apesar de possuir status de “regime de tramitação especial”, conforme informações do portal legislativo.

Impacto da influência digital

Samira de Castro avalia que a rápida regulamentação dos multimídias beneficia plataformas internacionais de redes sociais e “a própria classe política que ganhou destaque a partir da influência digital.”

A representante dos jornalistas considera que a ausência da exigência de diploma para jornalistas prejudica a qualidade da informação disseminada na sociedade, causa perdas para as empresas de comunicação tradicionais e também afeta a classe política.

“Tenho viajado pelo Brasil e conversado com secretários de comunicação estaduais. Eles relatam que os governos sofrem assédio de indivíduos que publicam em redes sociais e passam a exigir verbas públicas, alegando exercer o jornalismo.”

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam uma queda no emprego formal de jornalistas nos anos em que o diploma deixou de ser exigido. Entre 2013 e 2023, o número de jornalistas contratados com carteira assinada diminuiu de 60.899 para 49.917, representando uma queda de 18%.

FONTE/CRÉDITOS: Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp RCWTV
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR