O multi-instrumentista e compositor juiz-forano Diogo Veiga lança nesta sexta-feira, 10, o single “Ijexá pra Oxum”, primeira das quatro faixas do EP “Egbe tóbi ode”, financiado pelo Programa Cultural Murilo Mendes, mantido pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e gerenciado pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa). A música será disponibilizada em todas as plataformas de streaming de música, permitindo que o público tenha um contato inicial com o trabalho do artista, que apresentará o EP completo, com quatro faixas, no próximo dia 24, também em ambiente virtual.
A musicalidade afrocentrada é a principal característica da produção autoral de Diogo, que começou a pesquisar os instrumentos africanos há cerca de cinco anos, descobrindo um mundo inteiro de possibilidades musicais. “Até os 32 anos, eu não conhecia essa questão da ancestralidade. Como um homem preto, como eu não conhecia essa música? Eu fico pensando que tem muita gente falando de ancestralidade hoje em dia e acaba não conhecendo nada sobre isso”.
Gà, tambor tama, tambores lẹ̀, mbira dzavadzimu, balafon são alguns dos instrumentos que representam essa sonoridade e que estão presentes na composição autoral de Diogo. O single “Ijexá pra Oxum” é interpretado com gà, tambores lẹ̀, humpi e hum e caxixis, ou seja, uma instrumentação pouco comum e que resulta em uma música ainda rara de se ouvir em Juiz de Fora e no Brasil.
A pesquisa de Diogo sobre a instrumentação africana teve duas origens principais: o início da atuação como arte educador e a entrada para o candomblé. A grande questão que o impulsionava era estar em contato com uma musicalidade que o representasse mais, que falasse de suas alegrias e dores, que tivesse a sua cor. “Quando eu estou com esses instrumentos, fico mais preto”.
Com o tempo, Diogo foi conhecendo outros musicistas que também desenvolvem essas pesquisas, como Fábio Simões, do Rio de Janeiro, e Mo Maie, de Mariana/MG, tendo acesso, também, a instrumentos como o balafon, um piano ancestral muito potente.
Pensando na sua atuação como arte educador, Diogo acredita que o single “Ijexá pra Oxum” colabora na grande missão de apresentar uma sonoridade nova para as crianças. “Na África, quando alguém está tocando um instrumento como o balafon, essa pessoa também está contando uma história da comunidade. Isso desenvolve a oralidade e também o respeito e a civilidade/educação por quem está ouvindo essa história. No meu dia a dia de arte educador, tento unir tudo isso e apresentar esse mundo para as crianças”.
Ficha técnica: ÌJẸ̀ṢÀ PRA OṢÙN
Composição: Diogo Veiga e Caru Calixto
Arranjos: Diogo Veiga
Instrumentos: gà, tambores lẹ̀, humpi e hum e caxixis e voz por Diogo Veiga
Violão e arranjo: Henrique Vilella
Coro: Diogo Veiga, Sônia Rodrigues, Caru Calixto, Hugo de Castro e Henrique Vilella
Produção executiva e gestão do projeto: Salila
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