O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de R$ 119 milhões em bens pertencentes a Valdemar Costa Neto, presidente do PL. A medida foi tomada em meio a suspeitas de que o ex-deputado federal teria atuado em indicações irregulares de emendas parlamentares, mesmo não possuindo mandato eletivo.
A decisão judicial é um desdobramento da Operação Transparência, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga possíveis desvios e manipulações de recursos públicos provenientes de emendas. O ministro Dino fundamentou sua determinação na suspeita de que Valdemar Costa Neto teria influenciado a destinação de verbas mesmo após o fim de seu mandato.
Em sua deliberação, Flávio Dino destacou que "consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos". Essa atuação levantou sérias questões sobre a legalidade das ações do presidente do PL.
As investigações apontam que as indicações irregulares de emendas ocorriam com a colaboração de funcionários da Câmara dos Deputados. Este *modus operandi* sugere um esquema organizado para burlar os procedimentos formais de alocação de recursos.
A Polícia Federal apurou que colaboradores da liderança do PL entravam em contato direto com uma servidora responsável pelo registro das emendas, solicitando a inclusão de indicações de recursos em nome de Valdemar Costa Neto. Essa prática levantou bandeiras vermelhas para os investigadores.
Um dos pontos cruciais da investigação é uma troca de mensagens entre Garigham Amarante Pinto, identificado como interlocutor direto de Valdemar, e a servidora Mariângela Fialek. Em uma dessas conversas, Garigham questiona: "Fechou o valor do Pres Valdemar?", ao que Mariângela responde: "Se puder trocar tudo turismo ótimo". O interlocutor, então, afirma: "24 milhões tá bom", evidenciando a suposta articulação para o direcionamento de verbas.
O caso segue em apuração pela Polícia Federal, e novas informações podem surgir à medida que a Operação Transparência avança, buscando esclarecer todos os detalhes sobre o suposto esquema de manipulação de emendas parlamentares.

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