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Domingo, 24 de Maio 2026
Ciência e Tecnologia

Iniciativa Amazônia+10 apresenta resultados, com impactos positivos na região

Em pouco mais de três anos, são quase 2 mil pesquisadores envolvidos em 61 projetos, que mobilizaram 8.700 atores locais; nova chamada de propostas será feita em 2026

Talia Santana
Por Talia Santana
Iniciativa Amazônia+10 apresenta resultados, com impactos positivos na região
Anunciada pela FAPESP em 2021, durante a COP26 de Glasgow, a iniciativa se traduziu em um consórcio envolvendo o Estado de São Paulo e os nove Estados da Amazônia Legal (foto: Luciana Constantino/Agência FAPESP)
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COP30

Luciana Constantino, de Belém | Agência FAPESP – Criada há pouco mais de três anos com o objetivo de ampliar o financiamento à pesquisa e à inovação na Amazônia Legal, a Iniciativa Amazônia+10 conseguiu envolver pesquisadores ligados a instituições da região, que contaram com a participação de atores locais em etapas dos estudos, e já obteve resultados práticos, contribuindo com decisões de comunidades locais e políticas públicas.

Esses são alguns dos resultados apresentados na COP30, em Belém (PA), para mostrar os principais impactos da iniciativa. O evento foi realizado no Museu Emílio Goeldi, um dos espaços dedicados à ciência durante as duas semanas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, e teve a participação de cientistas, parceiros e sociedade civil.

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Para mapear esses dados, a iniciativa realizou uma espécie de “censo”, por meio de questionário, respondido por 1.265 pesquisadores, dos quais 43% são nativos da região. Estão ligados a 171 instituições do Brasil e de outros seis países – pelo menos 17% deles estão em instituições paraenses e 13% a amazonenses.

Desde 2022, a Amazônia+10 envolveu no total mais de 1.950 pesquisadores em 61 projetos financiados. Foram produzidos 365 conteúdos acadêmicos e tecnológicos – média de seis por projeto –, entre artigos científicos (243), teses, dissertações, patentes e outros tipos de propriedade intelectual. Desses, 12 projetos tiveram impacto verificado em políticas públicas e duas patentes foram registradas.

Entre alguns resultados já divulgados estão o projeto que monitora os impactos da usina hidrelétrica de Belo Monte sobre o regime hidrológico do rio Xingu.

Além de colocar indígenas e ribeirinhos como protagonistas na coleta de dados, o programa ofereceu subsídios ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para definição de vazão ecológica e contribuiu com o fortalecimento do Monitoramento Ambiental Territorial Independente (MATI), que atua na Volta Grande do Xingu, no Pará, como referência em ciência comunitária.

Representantes do projeto também participaram de dois debates promovidos pelo Ministério Público Federal na Zona Verde da COP30.

“Esses resultados mostram, não só com números, mas com produtos ao longo desses três anos, a diversidade e o impacto positivo para a ciência brasileira e para as comunidades locais”, avalia Rafael Andery, secretário-executivo da Amazônia+10.

Anunciada pela FAPESP em 2021, durante a COP26 de Glasgow, a iniciativa se traduziu em um consórcio envolvendo o Estado de São Paulo e os nove Estados da Amazônia Legal (por isso, Amazônia+10) para a realização de pesquisas científicas na região. O programa foi assumido pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e hoje conta com a participação das FAPs de 25 unidades da Federação, já mobilizou R$ 162 milhões e tem 16 parceiros externos.

Teve sua primeira chamada de propostas baseada no apoio a projetos colaborativos, divididos em áreas de interesse sobre estudos do território da Amazônia e das pessoas que vivem na floresta e nas cidades da região, além do fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.

Com isso, 80% dos projetos apoiados envolveram algum ator não acadêmico em seu planejamento e desenvolvimento, mobilizando mais de 8.700 participantes, muitos deles de comunidades locais.

“Alguns estudos mostram que o Brasil tem o que consideramos vazios de pesquisa científica, ou seja, lugares aonde a ciência não chega. Um deles era a região conhecida como ‘Cabeça do Cachorro’ [no extremo noroeste do Amazonas, fronteira com Colômbia e Venezuela]. Conseguimos ter resposta a isso, com três projetos desenvolvidos por lá”, afirma João Arthur Reis, assessor da FAPESP para a Iniciativa Amazônia+10.

O presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Marcel do Nascimento Botelho, destacou a inovação da iniciativa. “É um modelo diferente e inovador, que tem se mostrado complexo, mas, ao mesmo tempo, eficiente. Tem uma conjunção de pesquisadores de diferentes partes do planeta com foco específico na Amazônia, conjugando conservação e as pessoas que nela vivem.”

Pesquisadora do Museu Emílio Goeldi, a arqueóloga Helena Lima, integrante do projeto Vozes da Amazônia Indígena, reforçou a importância da ciência da região. “Vemos o potencial de mostrar que a Amazônia tem instituições e pesquisadores de excelência. Isso tem de ser valorizado.”

Expandindo conhecimento

Durante a COP30, pesquisadores de várias regiões brasileiras que integram a iniciativa apresentaram seus projetos, reafirmando o papel estratégico da ciência produzida no território para enfrentar os desafios climáticos e sociais.

Em um deles – uma imersão intercultural – o objetivo foi evidenciar o protagonismo dos povos indígenas e tradicionais. Por meio dos painéis, os participantes conheceram a realidade das populações e debateram questões como justiça climática e desigualdade de gênero.

Além do fortalecimento comunitário, o “censo” apresentado pela iniciativa aponta contribuições para a expansão da infraestrutura de pesquisa e divulgação dos resultados, com a publicação de livros e documentários.

Para 2026, a Iniciativa Amazônia+10 abrirá uma nova chamada de projetos com foco em desafios da sociobioeconomia na Amazônia Legal, que deverão incluir o envolvimento de organizações socioprodutivas do território

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

 

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FONTE/CRÉDITOS: Luciana Constantino, de Belém | Agência FAPESP

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