A Secretaria do Tesouro Nacional informou que o Governo Central alcançou um superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro. O resultado positivo reverteu o quadro negativo do mesmo mês de 2025, impulsionado por um crescimento real de 13,6% na receita líquida, que superou a expansão das despesas no período.
O avanço arrecadatório do Governo Central refletiu, em grande medida, a forte alta das receitas com a exploração de petróleo, o aumento no recolhimento do Imposto de Renda e o ingresso extraordinário decorrente do resgate de precatórios cancelados pelo Poder Judiciário.
Petróleo e arrecadação impulsionam receitas
As receitas com exploração de recursos naturais saltaram 71,9% em termos reais, gerando R$ 5,7 bilhões adicionais. De acordo com o Tesouro, esse desempenho expressivo resultou da combinação entre a valorização do petróleo no mercado mundial, a expansão da produção nacional e a comercialização promovida pela Pré-Sal Petróleo (PPSA).
Além disso, o item de demais receitas não administradas subiu R$ 12,8 bilhões, impulsionado pela devolução de precatórios de exercícios anteriores. Em paralelo, a arrecadação do Imposto de Renda cresceu R$ 7,3 bilhões acima da inflação, com destaque para o IRPJ, enquanto o imposto de exportação de óleo bruto adicionou R$ 2,9 bilhões às contas.
Impactos do cenário internacional nas despesas
No campo das despesas públicas, os créditos extraordinários registraram elevação de R$ 9,9 bilhões. A maior parcela dessas verbas foi alocada para amortecer os reflexos econômicos do conflito no Oriente Médio, reservando R$ 7,6 bilhões para subvenções no setor de combustíveis, como o diesel.
Com isso, a crise no Oriente Médio afetou simultaneamente as duas pontas do balanço estatal, aumentando a arrecadação petrolífera e exigindo gastos mitigadores. Já os benefícios previdenciários subiram R$ 2,1 bilhões em termos reais, impulsionados pela valorização do salário mínimo e pelo crescimento de beneficiários no RGPS.
Essa pressão nos gastos previdenciários e extraordinários acabou compensada, em parte, pelo corte real de R$ 8,4 bilhões em despesas discricionárias. Contudo, no acumulado de janeiro a setembro, o saldo fiscal permanece no vermelho, totalizando um déficit primário de R$ 90,2 bilhões, ante o saldo negativo de R$ 100,3 bilhões observado no mesmo intervalo de 2025.

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