O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, ao passo que a dívida pública permaneceu em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando a marca de R$ 11,1 trilhões.
As informações foram divulgadas no relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central (BC).
Apesar da estabilidade em relação a agosto, o endividamento continua no patamar mais alto desde 2021.
O indicador reflete os impactos remanescentes da pandemia de covid-19 nas contas do país.
Houve uma melhora na comparação com setembro do ano anterior, quando o resultado negativo atingiu R$ 17,5 bilhões.
O conceito de déficit primário abrange a diferença entre as receitas e as despesas estatais.
Nesse cálculo, os juros incidentes sobre a dívida pública não entram na soma.
Desempenho por esfera de governo
Durante o mês de setembro, o comportamento fiscal variou entre os diferentes níveis administrativos.
- Governo Central: superávit de R$ 3,5 bilhões;
- Estados e municípios: déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões;
- Empresas estatais: déficit de R$ 3,4 bilhões.
O resultado negativo consolidado somou R$ 5,497 bilhões, apresentando recuo frente ao mês precedente.
No acumulado entre janeiro e setembro, o déficit primário chegou a R$ 94,3 bilhões, o que representa 0,93% do PIB.
Divergências metodológicas
O Tesouro Nacional reportou um superávit de R$ 4,8 bilhões para o Governo Central no mesmo período.
A diferença numérica em relação ao Banco Central ocorre por conta dos critérios adotados.
Enquanto o Tesouro foca na execução orçamentária, o Banco Central monitora a variação do endividamento.
Evolução da dívida bruta
A Dívida Bruta do Governo Geral somou R$ 11,1 trilhões, mantendo-se estável frente ao mês anterior.
O avanço acumulado no ano foi de 4,3 pontos percentuais segundo o Banco Central.
Os juros nominais e o comportamento do PIB nominal influenciaram diretamente esse patamar.
Impacto dos juros
As despesas com juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões em setembro, superando o resultado de 2025.
O acumulado em 12 meses chegou a R$ 1,205 trilhão, equivalente a quase 9% do PIB.
A alta reflete operações de swap cambial, expansão do estoque da dívida e a inflação oficial medida pelo IPCA.

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