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Justiça

Cármen Lúcia defende que o Judiciário priorize a credibilidade sobre a popularidade

A ministra do STF enfatiza a necessidade de construir confiança na Justiça, destacando que "quem perde uma causa não gosta da decisão".

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Cármen Lúcia defende que o Judiciário priorize a credibilidade sobre a popularidade
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Nesta sexta-feira (19), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou que o Judiciário brasileiro deve concentrar seus esforços na edificação da credibilidade junto à população, e não na busca por popularidade. A declaração, proferida no Rio de Janeiro, durante o encerramento do evento "A Justiça do Amanhã", sublinha a importância de um sistema judicial que inspire confiança e garanta a aplicação imparcial da lei.

O evento "A Justiça do Amanhã" serviu como palco para discussões cruciais sobre ética, transparência, eficiência e os rumos futuros da Justiça no país.

Segundo a magistrada, com duas décadas de atuação no STF, a credibilidade das deliberações judiciais está intrinsecamente ligada à convicção de que o juiz atuou com total isenção e em estrito cumprimento da legislação vigente.

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"É fundamental que estruturemos um poder no qual a sociedade possa depositar sua confiança", afirmou a ministra. Ela complementou, "Não busco a simpatia, pois é evidente que quem não obtém um resultado favorável em uma causa não aprova a decisão, muito menos o magistrado que a proferiu."

Cármen Lúcia reforçou que o essencial é que o cidadão reconheça que a atuação foi correta, pautada pela lei, e que seu único compromisso, assumido há 20 anos ao tomar posse no STF, é com a Constituição e as leis da República.

Avanços no Código de Ética do STF

A incessante busca por confiança e transparência na conduta dos magistrados se alinha diretamente com o projeto de Código de Ética do qual a ministra Cármen Lúcia é relatora. A iniciativa para a criação dessa norma foi elevada à condição de prioridade pelo ministro Edson Fachin, que a designou para a função no início do ano.

Em fase de elaboração, a proposta visa instituir limites claros e deveres específicos para prevenir potenciais conflitos de interesse. Entre as diretrizes esperadas, destacam-se as normas para a participação de ministros em eventos ou palestras patrocinados por empresas com litígios no STF. Além disso, a regulamentação deve abordar a atuação de familiares de magistrados em escritórios de advocacia que atuam perante o tribunal.

Contexto e origem da proposta

O debate acerca da urgência de um código normativo para o Tribunal ganhou notável impulso em decorrência das investigações envolvendo o Banco Master e menções a membros do STF. Publicamente, o ministro Alexandre de Moraes negou qualquer contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra sob investigação na Operação Compliance Zero.

Em um movimento paralelo, o ministro Dias Toffoli optou por se afastar da relatoria do inquérito que apura fraudes na mesma instituição financeira. Seu afastamento foi motivado por relatórios policiais que indicaram irregularidades em um fundo de investimento vinculado ao banco, o qual adquiriu cotas de um empreendimento turístico onde o próprio magistrado detém sociedade.

Resistências internas na Corte

A aprovação do projeto, contudo, ainda gera divergências entre os ministros nos bastidores, conforme revelou Edson Fachin. As discussões internas giram em torno da conveniência política do momento para a votação das novas regras e da exequibilidade de sua fiscalização.

Dentre as divergências de cunho técnico, destaca-se a obrigatoriedade de divulgação antecipada de compromissos acadêmicos e agendas de palestras dos ministros. Essa questão levanta preocupações relativas à segurança institucional dos magistrados, somando-se às discussões sobre as regras específicas de impedimento em julgamentos.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil

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