O Governo de Minas e a UFMG anunciaram, nesta quinta-feira (28/8), a concessão das patentes nacional e internacional da vacina Calixcoca, inovação terapêutica contra a dependência de crack e cocaína. A conquista marca o início da etapa que permitirá a realização de testes em humanos.
Investimentos para os testes clínicos
Durante a celebração dos 40 anos da Fapemig, em Belo Horizonte, o governador Romeu Zema e a reitora Sandra Goulart confirmaram o aporte de R$ 18,8 milhões para viabilizar os ensaios clínicos. Desse total, R$ 10 milhões vêm da Secretaria de Saúde (SES-MG) e R$ 8,8 milhões da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), via Fapemig.
O secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, ressaltou a importância do investimento:
“A Calixcoca é a primeira vacina contra crack e cocaína. Nos testes em animais, já demonstrou alta eficiência. Esse investimento permitirá avançar para que, em alguns anos, a vacina esteja disponível na rede pública”.
Inovação reconhecida no Brasil e no mundo
Diferente de vacinas testadas em outros países, a Calixcoca é não proteica, baseada na molécula sintética V4N2 (calixareno). Ela induz a produção de anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, impedindo que a droga alcance o cérebro.
Nos resultados pré-clínicos, além da redução da dependência, houve menos abortos espontâneos em ratas expostas à droga, com nascimento de filhotes mais saudáveis. O projeto já recebeu prêmios como o Euro Inovação na Saúde (2023) e o Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica (2023).
Ciência mineira em destaque
A solenidade também celebrou os 40 anos da Fapemig, que em 2025 deve ultrapassar R$ 560 milhões em investimentos. A meta do Governo de Minas é aportar mais de R$ 1 bilhão em ciência, tecnologia e inovação até 2026.
Segundo o presidente da fundação, Carlos Alberto Arruda de Oliveira:
“Temos orgulho de ser parte essencial do ecossistema científico. Nosso compromisso é gerar soluções para a saúde, o bem-estar dos mineiros e o crescimento econômico do país”.
Cooperação com foco na segurança alimentar
No evento, também foi firmado um Acordo de Cooperação Técnica entre Minas Gerais e Paraná para pesquisas em melhoramento de soja e feijão. A primeira chamada pública destinará R$ 10 milhões a estudos em genômica do feijoeiro, da soja e do microbioma dos solos, fortalecendo ainda mais o agronegócio nacional.
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