O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) formalizou, nesta quarta-feira (11), um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, buscando anular a decisão do ministro Flávio Dino que determinou a suspensão do pagamento de benefícios extras ilegais, conhecidos como “penduricalhos”, nos Três Poderes. Tais verbas são concedidas a servidores públicos e frequentemente excedem o teto remuneratório constitucional de R$ 46,3 mil.
Na semana anterior, o ministro Dino havia emitido uma liminar estabelecendo que as verbas indenizatórias desprovidas de base legal deveriam ser interrompidas no prazo de 60 dias.
Em sua argumentação no recurso, o TJSP alegou que a paralisação dos pagamentos não deveria ocorrer antes que o Congresso Nacional aprovasse as regras que definem quais verbas indenizatórias podem ser consideradas admissíveis como exceção ao teto constitucional de R$ 46,3 mil, conforme exigido pela própria decisão do ministro.
“Antes do decurso de prazo razoável a ser assegurado ao legislador para a adoção das medidas legislativas necessárias à regulamentação definitiva pendente não se mostra adequado estabelecer disciplina substitutiva geral, ou seja, não é possível à Suprema Corte, mediante decisão aditiva, fixar o regramento aplicável”, argumentou a corte paulista.
O tribunal também enfatizou a importância da autocontenção do Supremo ao analisar o caso.
Impacto das parcelas indenizatórias
“A suspensão generalizada de parcelas indenizatórias, antes da lei ordinária nacional prevista na Constituição, pode gerar assimetria federativa, comprometer irremediavelmente a administração da justiça, produzir efeitos financeiros irreversíveis e criar insegurança jurídica sistêmica”, alertou o TJSP.
O plenário do Supremo Tribunal Federal agendou para o dia 25 de fevereiro o julgamento definitivo da decisão do ministro Flávio Dino que determinou a interrupção do pagamento dos benefícios extras.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se