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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
Economia

Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e preocupa indústria de Minas Gerais

FIEMG alerta para perda de competitividade de produtos mineiros e teme nova sobretaxa que pode elevar cobrança para 37,5%.

Henrique Salvato
Por Henrique Salvato
Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e preocupa indústria de Minas Gerais
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tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e acendeu um alerta entre os setores industriais de Minas Gerais. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), a medida pode reduzir a competitividade das empresas mineiras no mercado norte-americano e pressionar preços, margens de lucro e contratos de exportação.

A cobrança foi adotada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Produtos afetados movimentaram US$ 234 milhões

Levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG (CIN/FIEMG) aponta que os 15 principais produtos mineiros atingidos pela nova tarifa somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações para os Estados Unidos em 2025.

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Entre os itens mais impactados estão:

  • Sebo bovino, ovino e caprino (US$ 33,9 milhões);

  • Disjuntores de baixa tensão (US$ 32,9 milhões);

  • Preparações capilares (US$ 22,2 milhões);

  • Pedras preciosas e semipreciosas trabalhadas (US$ 21,3 milhões);

  • Produtos derivados de magnesita, dolomita e cromita (US$ 19,1 milhões).

Em alguns desses segmentos, Minas Gerais responde por praticamente toda a exportação brasileira. É o caso de produtos refratários e de ardósia trabalhada, cuja participação do estado supera 99% do total nacional.

Produtos estratégicos ficaram de fora da tarifa

Apesar da preocupação, a FIEMG destaca que parte importante da pauta exportadora mineira foi preservada.

Entre os produtos isentos estão café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e alguns produtos químicos.

Segundo a entidade, os 15 principais produtos isentos movimentaram aproximadamente US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, valor muito superior aos cerca de US$ 234 milhões registrados pelos principais itens atingidos.

Empresas podem enfrentar perda de competitividade

Na avaliação da FIEMG, a nova tarifa pode levar importadores americanos a buscar fornecedores de outros países, além de aumentar a pressão por renegociação de preços e contratos.

A entidade afirma que setores diretamente afetados podem perder espaço em mercados estratégicos caso seus concorrentes continuem operando sem a cobrança adicional.

FIEMG acompanha possível nova tarifa

Além da cobrança já em vigor, a Federação acompanha com preocupação um novo anúncio previsto para sexta-feira (24).

O USTR avalia aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias produzidas com suposto uso de trabalho forçado. Caso a medida seja confirmada e acumulada à tarifa atual, alguns produtos brasileiros poderão ser tributados em 37,5%.

A coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG, Verônica Ribeiro Winter, afirmou que a principal preocupação está na diferença de tratamento entre os fornecedores internacionais que disputam o mercado norte-americano.

Segundo ela, o momento exige negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, além de regras claras para preservar contratos e reduzir a insegurança das empresas exportadoras.

FIEMG defende negociações e diversificação de mercados

A Federação também defende a ampliação da lista de exceções, maior previsibilidade sobre a aplicação das tarifas e a adoção de medidas de apoio às empresas mais afetadas.

Para a entidade, fortalecer as negociações diplomáticas e ampliar a diversificação dos mercados de exportação são estratégias fundamentais para reduzir os impactos da nova política comercial norte-americana.

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