A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e acendeu um alerta entre os setores industriais de Minas Gerais. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), a medida pode reduzir a competitividade das empresas mineiras no mercado norte-americano e pressionar preços, margens de lucro e contratos de exportação.
A cobrança foi adotada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Produtos afetados movimentaram US$ 234 milhões
Levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG (CIN/FIEMG) aponta que os 15 principais produtos mineiros atingidos pela nova tarifa somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações para os Estados Unidos em 2025.
Entre os itens mais impactados estão:
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Sebo bovino, ovino e caprino (US$ 33,9 milhões);
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Disjuntores de baixa tensão (US$ 32,9 milhões);
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Preparações capilares (US$ 22,2 milhões);
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Pedras preciosas e semipreciosas trabalhadas (US$ 21,3 milhões);
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Produtos derivados de magnesita, dolomita e cromita (US$ 19,1 milhões).
Em alguns desses segmentos, Minas Gerais responde por praticamente toda a exportação brasileira. É o caso de produtos refratários e de ardósia trabalhada, cuja participação do estado supera 99% do total nacional.
Produtos estratégicos ficaram de fora da tarifa
Apesar da preocupação, a FIEMG destaca que parte importante da pauta exportadora mineira foi preservada.
Entre os produtos isentos estão café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e alguns produtos químicos.
Segundo a entidade, os 15 principais produtos isentos movimentaram aproximadamente US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, valor muito superior aos cerca de US$ 234 milhões registrados pelos principais itens atingidos.
Empresas podem enfrentar perda de competitividade
Na avaliação da FIEMG, a nova tarifa pode levar importadores americanos a buscar fornecedores de outros países, além de aumentar a pressão por renegociação de preços e contratos.
A entidade afirma que setores diretamente afetados podem perder espaço em mercados estratégicos caso seus concorrentes continuem operando sem a cobrança adicional.
FIEMG acompanha possível nova tarifa
Além da cobrança já em vigor, a Federação acompanha com preocupação um novo anúncio previsto para sexta-feira (24).
O USTR avalia aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias produzidas com suposto uso de trabalho forçado. Caso a medida seja confirmada e acumulada à tarifa atual, alguns produtos brasileiros poderão ser tributados em 37,5%.
A coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG, Verônica Ribeiro Winter, afirmou que a principal preocupação está na diferença de tratamento entre os fornecedores internacionais que disputam o mercado norte-americano.
Segundo ela, o momento exige negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, além de regras claras para preservar contratos e reduzir a insegurança das empresas exportadoras.
FIEMG defende negociações e diversificação de mercados
A Federação também defende a ampliação da lista de exceções, maior previsibilidade sobre a aplicação das tarifas e a adoção de medidas de apoio às empresas mais afetadas.
Para a entidade, fortalecer as negociações diplomáticas e ampliar a diversificação dos mercados de exportação são estratégias fundamentais para reduzir os impactos da nova política comercial norte-americana.
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