Medido pela FGV, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) teve alta de 9,4% em 2022. Seja nos gastos ou na contratação de profissionais, o brasileiro procura maneiras de economizar nas reformas. Para isso, o orçamento de obra é parte central, ajudando a planejar os gastos, reduzi-los e impedir a interrupção por falta de dinheiro – realidade de 18% dos projetos segundo estudo realizado pela Obramax.
Para fazê-lo, o primeiro passo é avaliar os objetivos da reforma – podem ser manutenção, mudanças estéticas ou preparar o imóvel para venda ou aluguel. Pesquisar os custos de materiais de construção e mão de obra são outras etapas cruciais além de, é claro, planejar o que deseja ser feito e quais cômodos serão restaurados.
Custo médio de reformas varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil
O custo médio de uma reforma varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por metro quadrado. Segundo o arquiteto Julio Beraldo, o cálculo do custo da obra deve considerar os cômodos que serão reformados. “Um banheiro, por exemplo, pode custar muito mais que uma sala por causa do tipo de piso, encanamento e outras particularidades”, explica.
Deste orçamento, geralmente 30% é destinado à mão de obra – embora o preço dos materiais de construção como pisos e revestimentos possa reduzir ainda mais esta proporção. “Já fiz obra que foi 10% porque os acabamentos escolhidos foram muito caros”, conta Beraldo.
Além disso, imprevistos podem gerar até gastos extras de até 5% do valor total da obra. Entre elas estão equipamentos, erros do projeto, diária extras dos profissionais e até gastos com o desentulho do imóvel.
Para evitar isso, a arquiteta Fernanda Tegacini explica que analisar o projeto antes e durante a reforma é essencial. “Assim, o cliente já vê o que daquelas ideias ele quer cortar ou mudar. Isso evita, inclusive, um retrabalho do arquiteto lá na frente", diz. Segundo ela, isso também evita atrasos no trabalho, já que evita a necessidade de mudanças no meio do caminho.
29% das reformas são feitas sem profissionais qualificados
Com o objetivo de cortar gastos, há pessoas optam por fazer a reforma por conta própria. Segundo a pesquisa da Obramax, 29% dos clientes do varejo de construção escolhem esta opção. No entanto, ela oferece riscos. “Muitas vezes a pessoa pode querer cortar a mão de obra, tentar fazer algo por conta própria, mas não recomendamos. Se ela tiver algum problema, isso pode sair muito mais caro”, explica Tegacini.
Por isso, a arquiteta alerta para a importância de procurar economizar nos materiais de construção, procurando fornecedores e opções econômicas e de qualidade – ou esperar. “Uma dica boa é que o cliente espere um pouco para recuperar seu fôlego financeiro. Ele pode, por exemplo, deixar pra comprar móveis em um segundo momento", afirma.
Os riscos na reforma, no entanto, não se resumem à ausência de profissionais: também é necessário avaliar a formação e capacitação antes de contratá-los para evitar imprevistos. “Uma obra feita sem o devido planejamento ou acompanhamento técnico pode custar muito mais do que o cliente imagina. Já acompanhei casos em que o cliente perdeu toda a obra, tendo de quebrar tudo e fazer tudo do zero novamente”, conta a engenheira civil Thais C. Ribeiro.
A contratação de profissionais qualificados é importante, inclusive, para economizar com os materiais de construção. "Embora inicialmente pareça mais caro, um profissional conhece mais fornecedores, consegue barganhar, além de otimizar os gastos. Ele vai saber como montar algo e economizar com isso", explica Tegacini.
Outra opção, segundo ela, é contratar um seguro para obras e reformas. Ele protege o projeto de imprevistos como desmoronamentos, roubos, furtos, incêndios, explosões e até erros na construção. "Às vezes, o valor do seguro é 1% da obra e vale a pena. Evita dor de cabeça no futuro", orienta.
E nas reformas com objetivo de venda ou aluguel do imóvel?
Caso o objetivo da reforma seja preparar o imóvel para novos inquilinos, é crucial analisar o valor dele no mercado na hora de elaborar o orçamento. Segundo o Rafael Pais, cofundador da Decorati, o recomendado é que o proprietário gaste entre 10% a 15% do preço caso o objetivo seja a venda e entre 8% e 10% se a finalidade for o aluguel.
“Essa é a porcentagem suficiente para que o dinheiro investido retorne na venda ou aluguel. Se o proprietário gastar mais do que isso, o retorno não irá acompanhar”, explica. Pais ainda explica que a reforma ajudará a acelerar o processo, facilitando a decisão do interessado no imóvel – afinal, ele não precisará se preocupar com o receio de gastar dinheiro adicional em obras.
Para Beraldo, o cálculo do orçamento para estas finalidades não pode ultrapassar 30%. "Assim valoriza mais aquele imóvel e, com o tempo, a obra se paga", conta. Caso contrário o proprietário gaste acima disso, o retorno do investimento será mais difícil.
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