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Quinta-feira, 09 de Julho 2026
Justiça

Presidente do Rio Metrópole preso em operação contra desvio de R$ 86,3 milhões

Instituto era responsável por projetos de mobilidade e saneamento e teria sido usado para desviar verbas estaduais.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Presidente do Rio Metrópole preso em operação contra desvio de R$ 86,3 milhões
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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O presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, foi preso nesta quinta-feira (9) em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação investiga um suposto esquema de corrupção que teria desviado R$ 86,28 milhões dos cofres públicos do estado. Seis pessoas foram detidas no total, em uma operação que cumpriu nove mandados de busca e apreensão na capital e em cidades da região metropolitana e serrana.

O IRM, autarquia estadual com a função de elaborar projetos em áreas como mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação, teria sido utilizado como fachada para o desvio de recursos. O MPRJ denunciou 11 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

Esquema de desvio de verbas

De acordo com a denúncia, os acusados teriam se valido de contratos milionários firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar os fundos públicos. O esquema envolvia o pagamento a duas empresas contratadas, que posteriormente repassavam os valores, através de contratos simulados, para o Instituto Bio, uma organização não governamental (ONG).

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A presidente da ONG, Caroline Soares Barros, recebia o dinheiro em sua conta pessoal e, em seguida, realizava saques em espécie. O transporte do dinheiro era feito com o auxílio de uma empresa privada de escolta armada, controlada por um dos denunciados, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores.

A investigação teve início em janeiro deste ano, após Caroline ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, retirados de uma agência bancária em Teresópolis. A ONG em questão, segundo os investigadores, não possuía estrutura operacional compatível com os serviços supostamente contratados e não contava com funcionários.

A Engeconsult Consultores Técnicos LTDA, uma das empresas contratadas, recebeu R$ 58,3 milhões do IRM em dois contratos. Já a R. Peotta Engenharia e Consultoria LTDA obteve R$ 25,1 milhões, distribuídos em um contrato e três aditivos. Os procuradores solicitaram à Justiça a suspensão imediata dessas contratações.

Envolvidos e articulação

Entre os denunciados está Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e membro da Comissão Técnica de Licitação. Ele é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ) e é apontado como o articulador do direcionamento das licitações.

O deputado estadual declarou ter sido surpreendido pela operação e negou qualquer responsabilidade pela indicação de seu pai ao cargo. Ele manifestou o desejo de que todos os fatos sejam devidamente apurados.

Outro denunciado é Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil. A investigação aponta que ele gerenciava o grupo RioForte, responsável pela escolta armada do dinheiro desviado.

Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado que ocupava a chefia da Procuradoria-Geral do IRM, também foi denunciado. Ele é acusado de emitir pareceres que forneceram respaldo jurídico para as contratações e para o reajuste irregular de contratos.

A Agência Brasil buscou contato com as defesas dos denunciados e se coloca à disposição para incluir suas manifestações.

Medidas judiciais e apoio institucional

O MPRJ requereu à Justiça o bloqueio e sequestro de bens dos envolvidos e das empresas, no valor de até R$ 86,3 milhões. Adicionalmente, foi solicitado o pagamento de R$ 200 milhões por danos morais coletivos. A Justiça já determinou o afastamento dos denunciados de seus cargos públicos.

A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ, com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Corregedoria da Polícia Civil.

O governo do Rio de Janeiro informou que a operação é resultado de um trabalho conjunto entre diferentes órgãos estaduos. Uma auditoria interna da Controladoria Geral do Estado (CGE) e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) identificou indícios de irregularidades nos contratos.

“Assim que os relatórios foram concluídos, o governo encaminhou formalmente o material ao Ministério Público, órgão competente para conduzir investigações criminais”, declarou o governo em nota oficial.

O governo ressaltou que o Instituto Rio Metrópole é uma autarquia com mandato fixo de quatro anos para seu presidente, e a atual gestão, nomeada na administração anterior, tem compromisso até o final de dezembro de 2026.

Desde 23 de março, o governo do estado é ocupado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro, que foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos na eleição de 2022.

Com a ausência de vice-governador eleito e de presidente da Assembleia Legislativa, coube ao presidente do TJ-RJ assumir o Executivo estadual. O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará em agosto o julgamento que definirá a forma de ocupação do cargo de governador até 2026: por eleição direta ou indireta.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - repórter da Agência Brasil

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