O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, decidiu nesta Sexta-feira,3,que as emissoras de notícias via cabo CNN Brasil e GloboNews e a revista Vejaentreguem o conteúdo completo gravado das entrevistas que fizeram com o senador Marcos do Val,
A determinação também foi imposta à empresa Meta, a big tech que é proprietária das redes sociais Facebook e Instagram. No caso do Instagram, a ordem é para que “encaminhe aos autos” o “inteiro teor da live realizada pelo senador Marcos do Val em seu perfil no Instagram (@marcosdoval), na madrugada do dia ”.
A determinação está vinculada ao pedido da PF (Polícia Federal) para realizar a oitiva do senador. A Polícia ouviu o congressista na quinta-feira,2,também por determinação de Moraes, em razão de alegações feitas por Marcos do Val sobre tentativas de anular o resultado das eleições de 2022....
A determinação está vinculada ao pedido da PF (Polícia Federal) para realizar a oitiva do senador. A Polícia ouviu o congressista na quinta- feira,2, também por determinação de Moraes, em razão de alegações feitas por Marcos do Val sobre tentativas de
anular o resultado das eleições de 2022.
Moraes também prevê que Marcos do
Val seja investigado pelo possivel cometimento dos crimes de falso
testemunho (art. 342 do Código Penal);
denunciação caluniosa (art. 339); e coação no curso do processo (art. 344).
O senador declarou quatro versões diferentes sobre o caso. Na madrugada de quarta-feira,
1, fez uma live nas redes sociais afirmando que o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) tentou o "coagir" para participar de um golpe de Estado.
Depois, na quinta- feira,2, recuou sobre a declaração. Disse que a ideia teria partido do ex-deputado Daniel Silveira.
Os veículos de imprensa têm cinco dias para enviar a íntegra das entrevistas. A princípio, o ministro havia estipulado multa de R$ 100 mil para quem não cumprisse a determinação. Depois, voltou atrás e retirou a multa.
Também foi expedido ofício à empresa Meta, dona do Facebook e do Instagram, para que encaminhe, também em cinco dias, inteiro teor de live realizada pelo senador com a primeira versão sobre os fatos, a que mais implicava Bolsonaro.
As contradições de Marcos do Val
No depoimento dado à PF na quinta (2/2), assim como em outras ocasiões no mesmo dia, o senador não soube especificar onde teria acontecido o encontro com Daniel Silveira e Jair Bolsonaro,7, de de dezembro de 2022. Inicialmente, o senador relatou que o encontro havia acontecido no Palácio da Alvorada, mas depois negou. Segundo o parlamentar, a reunião teria sido realizada na Granja do Torto.
“Eu nunca fui lá. Nem como turista. Nem na casa, nem no campo, na casa do vice, onde estava Mourão, Paulo Guedes, eu nunca fui nesses lugares”, disse Marcos do Val ao ser questionado por jornalista na saída da PF, em Brasília.
Porém, a principal contradição nos relatos de Marcos do Val sobre o encontro com Bolsonaro e Silveira está na atitude do então presidente na ocasião. Em entrevista à revista Veja, antes da posse dos novos congressistas (1°/2), o senador afirmou ter ouvido diretamente de Jair Bolsonaro detalhes do plano para gravar clandestinamente o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O que corrobora a primeira versão dada pelo parlamentar, mas vai na contramão da segunda -de que Bolsonaro teria ficado calado enquanto Silveira dava detalhes sobre o plano para grampear Moraes.
Na gravação feita pelo veículo, ele é questionado se o próprio Bolsonaro pediu para que a gravação ilegal fosse feita. “Disse, sim. Que o GSI ia me dar o equipamento para poder montar para gravar. Aí eu falei assim, quando eu falei que ‘mas não vai ser aceito’. ‘Não, o GSI já tá avisado’. Quer dizer, já tinha validado a fala comigo. ‘Eles vão te equipar, botar o equipamento de escuta, de gravação e a sua missão é marcar com o Alexandre e conduzir o assunto até a hora que ele falar que ele, que ele avançou, extrapolou a Constituição, alguma coisa nesse sentido.’ Aí ele falou ‘ó, eu derrubo, eu anulo a eleição, o Lula não toma posse, eu continuo na Presidência e prendo o Alexandre de Moraes por conta da fala dele, que ele teria’”, explica, em áudio.
O áudio divulgado pela revista vai de encontro com a live realizada por Marcos do Val na madrugada de quinta, na qual o parlamentar revelou o caso. Na ocasião, o senador afirmou que houve uma “tentativa de Bolsonaro” de “coagir para que eu pudesse dar um golpe de Estado junto a ele”. Veja a cronologia da contradição:
* Entrevista à revista Veja (antes da posse de deputados e senadores eleitos, em 1°/2): Marcos do Val afirma que Bolsonaro teria participação direta no plano para gravar Alexandre de Moraes;
* Live realizada na madrugada de quinta-feira (2/2), após a posse de parlamentares: “Eu ficava p*to quando me chamavam de bolsonarista. Vocês me esperem, que vou soltar uma bomba. Sexta-feira vai sair na [revista] Veja a tentativa de Bolsonaro de me coagir para que eu pudesse dar um golpe de Estado junto a ele. Só para vocês terem ideia. E é lógico que eu denunciei”;
* Entrevista coletiva na manhã de quinta-feira (2/2): Marcos do Val entra em contradição e diz que o ex-presidente teria ficado calado durante toda a reunião. Nesta versão, o parlamentar responsabilizou Silveira pelo plano, e ainda garantiu que denunciou tudo ao ministro Alexandre de Moraes;
* Declaração após depoimento à PF, na noite de quinta-feira (2/2): Do Val mantém a versão anterior de que Bolsonaro ficou calado durante encontro em que Silveira teria detalhado plano para gravar Moraes