O Instituto Estadual de Florestas (IEF) emitiu um alerta oficial sobre os graves impactos decorrentes da domesticação ilegal de animais silvestres, destacando o Jabuti-piranga como uma das espécies mais afetadas pelo tráfico e pelo comércio irregular no Brasil. Apesar de serem popularmente considerados animais de fácil manejo, os especialistas da instituição ressaltam que os quelônios demandam cuidados complexos a longo prazo. A prática compromete a conservação da fauna e traz sérios riscos ao bem-estar animal.
Superlotação nos Centros de Triagem e riscos biológicos
A gravidade do cenário é evidenciada pelo volume de acolhimentos registrados nos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) espalhados pelo estado. Atualmente, a rede assistencial mantém cerca de 300 jabutis sob cuidados nas unidades de Belo Horizonte, Montes Claros, Patos de Minas, Divinópolis e
Além das dificuldades logísticas de reabilitação, um estudo conduzido pela pesquisadora Nathália Rodrigues, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelou dados alarmantes sobre a saúde pública. A análise laboratorial constatou que 72% os jabutis avaliados apresentavam contaminação por bactérias do tipo estafilococos. Desse total, 56% das amostras exibiram resistência a antimicrobianos comuns, como a penicilina e a tetraciclina. Segundo os cientistas, essa super-resistência bacteriana decorre da contaminação ambiental e representa uma ameaça de transmissão para os seres humanos.
Longevidade e critérios estritos para a criação legal
A Diretoria de Proteção à Fauna do IEF esclarece que os jabutis não são domesticados e mantêm suas necessidades selvagens intactas. O órgão pondera que a espécie possui uma longevidade que pode superar os 80 anos, o que exige um planejamento financeiro e estrutural rigoroso por parte dos tutores para garantir o bem-estar ao longo das décadas. Os animais necessitam de recintos espaçosos, alimentação balanceada, controle de umidade e banhos de sol regulares para o desenvolvimento saudável da carapaça.
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FAQ
Como comprar um jabuti de forma legalizada?
A aquisição legalizada deve ser feita unicamente por meio de criatórios comerciais que possuam autorização expressa do Ibama e do IEF, garantindo que o animal nasceu em cativeiro autorizado e possui a documentação necessária.
Quanto tempo vive um jabuti e quais os principais cuidados?
Um jabuti pode viver mais de 80 anos e necessita de uma estrutura específica de longo prazo que inclui alimentação balanceada, espaço amplo, controle rigoroso de umidade, exposição diária ao sol e consultas periódicas com veterinários especializados.
O jabuti de estimação pode transmitir doenças para humanos?
Sim, pois pesquisas recentes do IEF apontam que 72% dos animais analisados carregavam bactérias estafilococos, sendo que mais da metade demonstrou resistência a antibióticos comuns, o que representa um risco real de contaminação para os tutores.
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