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Segunda-feira, 25 de Maio 2026
Minas Gerais

IEF alerta para os riscos e impactos da domesticação de jabutis em Minas Gerais

Instituto reforça ações de reabilitação na rede de Cetras e aponta perigos à saúde pública e à conservação da fauna

Talia Santana
Por Talia Santana
IEF alerta para os riscos e impactos da domesticação de jabutis em Minas Gerais
Arturo Añez / Pexels
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O Instituto Estadual de Florestas (IEF) emitiu um alerta oficial sobre os graves impactos decorrentes da domesticação ilegal de animais silvestres, destacando o Jabuti-piranga como uma das espécies mais afetadas pelo tráfico e pelo comércio irregular no Brasil. Apesar de serem popularmente considerados animais de fácil manejo, os especialistas da instituição ressaltam que os quelônios demandam cuidados complexos a longo prazo. A prática compromete a conservação da fauna e traz sérios riscos ao bem-estar animal.

Superlotação nos Centros de Triagem e riscos biológicos

A gravidade do cenário é evidenciada pelo volume de acolhimentos registrados nos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) espalhados pelo estado. Atualmente, a rede assistencial mantém cerca de 300 jabutis sob cuidados nas unidades de Belo Horizonte, Montes Claros, Patos de Minas, Divinópolis e Juiz de Fora. Apenas no Cetras de Divinópolis há pelo menos 135 animais abrigados, enquanto a capital mineira concentra cerca de cem indivíduos da espécie Jabuti-piranga. Diante desse fluxo, o IEF atua no manejo e na destinação de espécimes que foram vítimas de cativeiro irregular, maus-tratos ou abandono.

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Além das dificuldades logísticas de reabilitação, um estudo conduzido pela pesquisadora Nathália Rodrigues, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelou dados alarmantes sobre a saúde pública. A análise laboratorial constatou que 72% os jabutis avaliados apresentavam contaminação por bactérias do tipo estafilococos. Desse total, 56% das amostras exibiram resistência a antimicrobianos comuns, como a penicilina e a tetraciclina. Segundo os cientistas, essa super-resistência bacteriana decorre da contaminação ambiental e representa uma ameaça de transmissão para os seres humanos.

Longevidade e critérios estritos para a criação legal

A Diretoria de Proteção à Fauna do IEF esclarece que os jabutis não são domesticados e mantêm suas necessidades selvagens intactas. O órgão pondera que a espécie possui uma longevidade que pode superar os 80 anos, o que exige um planejamento financeiro e estrutural rigoroso por parte dos tutores para garantir o bem-estar ao longo das décadas. Os animais necessitam de recintos espaçosos, alimentação balanceada, controle de umidade e banhos de sol regulares para o desenvolvimento saudável da carapaça.

Para quem deseja adquirir o réptil de forma regularizada em Minas Gerais, o procedimento deve ocorrer exclusivamente por meio de criadouros comerciais devidamente autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo próprio IEF. O comércio sem a devida documentação e sem a marcação individual do animal configura crime ambiental. O alerta foi reforçado em razão do Dia Mundial da Tartaruga, celebrado em (23/05), buscando conscientizar a população de que animais silvestres não devem ser tratados como pets convencionais.

FAQ

Como comprar um jabuti de forma legalizada?

A aquisição legalizada deve ser feita unicamente por meio de criatórios comerciais que possuam autorização expressa do Ibama e do IEF, garantindo que o animal nasceu em cativeiro autorizado e possui a documentação necessária.

Quanto tempo vive um jabuti e quais os principais cuidados?

Um jabuti pode viver mais de 80 anos e necessita de uma estrutura específica de longo prazo que inclui alimentação balanceada, espaço amplo, controle rigoroso de umidade, exposição diária ao sol e consultas periódicas com veterinários especializados.

O jabuti de estimação pode transmitir doenças para humanos?

Sim, pois pesquisas recentes do IEF apontam que 72% dos animais analisados carregavam bactérias estafilococos, sendo que mais da metade demonstrou resistência a antibióticos comuns, o que representa um risco real de contaminação para os tutores.

FONTE/CRÉDITOS: Governo de Minas Gerais

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