O dia 10 de novembro é marcado como Dia Nacional Prevenção e Combate à Surdez, problema que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) afeta mais de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo. A surdez é caracterizada pela perda da capacidade de ouvir em níveis considerados normais. Essa diminuição auditiva, na maioria das vezes, acontece de maneira gradual e chega a acometer cerca de 50% da população maior de 70 anos.
No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia, de cada mil crianças nascidas, entre 3 e 5 já possuem algum problema auditivo. Por meio de políticas públicas eficientes é possível mitigar os impactos dessa doença na população. Uma delas é diagnosticar esses recém-nascidos através do exame das otoemissões acústicas, o teste da orelhinha, que contribui para o melhor prognóstico durante a vida. Para a população em geral, o exame de audiometria completa o diagnóstico estabelecido pelo otorrinolaringologista, médico especializado no trato de doenças relacionadas ao ouvido e outras partes do corpo.
Contudo, apesar de alguns indivíduos já nascerem com algum tipo de deficiência auditiva, boa parte das pessoas desenvolvem o problema ao longo da vida. A otorrinolaringologista do Departamento de Clínicas Especializadas (DCE) do PAM Marechal e professora substituta da Faculdade de Medicina da UFJF, Ludimila de Oliveira Cardoso Ouverney, conta que devemos ficar atentos a algumas situações do nosso dia a dia. “O sinal de alerta vem quando você percebe que não está tendo uma boa audição, ou não consegue entender o que é dito e tem que pedir para as pessoas repetirem e, principalmente, quando as pessoas que você convive começa a notar essa sua perda auditiva”, explica.
Além disso, quando se fala em surdez é preciso ter um olhar mais atento para os idosos e as pessoas que trabalham em locais com alta exposição a ruídos. Na terceira idade, devido ao envelhecimento natural e à perda da capacidade dos órgãos, a frequência da perda auditiva é maior e está atrelada à presbiacusia, uma doença caracterizada pela degeneração do ouvido associada à idade. “A partir dos 55 anos, nos adultos que estão mais perto de se tornarem idosos, é esperado o início da perda auditiva por conta da idade”.
Ainda de acordo com a médica, “já é sabido que a exposição a ruídos de alta intensidade por muitas horas é a causa de perda auditiva por lesão das células ciliadas externas, que são as células da nossa audição. As exposições não laborativas, que seriam aquela exposição por uma festa, por uso prolongado de fones de ouvido, por exemplo, tem surgido como um hábito muito deletério para audição, já que neles não há a medida de decibéis que a pessoa está exposta”.
Uma forma de minimizar os impactos dessa situação seria, em locais com ruídos de maior intensidade, adotar o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) para minimizar danos a longo prazo, conforme estabelecido em Lei para algumas atividades.
Outros fatores que são prejudiciais estão relacionados à exposição à substâncias químicas que sejam tóxicas para o ouvido e o uso inadequado de remédios com grau de toxicidade para esse órgão. Aliado a isso, hábitos como o consumo de álcool e cigarro, por questões de toxinas presentes neles, também podem desencadear lesões de estruturas vasculares relacionadas ao trato auditivo. Por conta disso, é importante adotar um estilo de vida saudável e uma alimentação balanceada.
Como procurar atendimento
Determinadas formas de surdez podem ser passageiras, como conta Ludimila. “Algumas perdas de audição são temporárias e podem ser revertidas com medicamentos ou com algum procedimento, seja cirurgia ou algum outro realizado no próprio consultório pelo profissional especializado”. Outras formas da perda de capacidade de ouvir podem ser minimizadas com o uso de um aparelho auditivo.
Entretanto, ao notar os primeiros sinais de uma possível surdez, a pessoa deve se dirigir primeiramente à Unidade Básica de Saúde (UBS) da sua região, para que passe por um processo de triagem realizado pelo médico generalista. De posse do diagnóstico, o médico irá analisar cada caso e havendo a necessidade encaminha o paciente para um especialista no DCE PAM Marechal. “Caso a pessoa venha a precisar do nosso atendimento, ela pode esperar um atendimento humanizado e específico para seu problema”, ressaltou.