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Minas Gerais

Condenado por mandar assassinar servidora do MPMG é preso em Belo Horizonte após ter prisão domiciliar revogada

Advogado que cumpria pena em regime domiciliar por falta de vagas retorna ao sistema prisional após ação coordenada de promotorias em Minas Gerais

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Condenado por mandar assassinar servidora do MPMG é preso em Belo Horizonte após ter prisão domiciliar revogada
MPMG/REPRODUÇÃO
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O advogado condenado por ser o mandante do assassinato da servidora pública Lilian Hermógenes foi preso pela Polícia Militar na tarde da última terça-feira, 30 de junho, no bairro Camargos, região Noroeste de Belo Horizonte. A captura ocorreu poucas horas após a Vara de Execuções Criminais da capital expedir um novo mandado de prisão, revogando o benefício do regime domiciliar que havia sido concedido ao detento na comarca de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A ação penal de alta periculosidade não gerou desdobramentos ou reflexos na segurança pública de Juiz de Fora.

Histórico do cumprimento da pena e a transferência de comarca

O réu foi condenado pelo Tribunal do Júri em setembro de 2022 a uma pena de 24 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão por homicídio triplamente qualificado, roubo duplamente majorado e fraude processual majorada. Inicialmente, ele cumpria a reprimenda em uma Sala de Estado-Maior em Uberlândia, prerrogativa legal assegurada a profissionais da advocacia.

Ao progredir para o regime semiaberto, o juízo daquela comarca concedeu-lhe a prisão domiciliar (regime harmonizado) devido ao déficit de vagas em unidades de regime semiaberto na região. Com o benefício, o condenado mudou-se para Belo Horizonte, fixando residência próximo aos familiares da vítima com menos de um terço da pena total cumprida.

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Atuação institucional do Ministério Público

A revogação do benefício foi motivada por uma ação articulada entre a 10ª Promotoria de Justiça de Execução Penal de Belo Horizonte, a 21ª Promotoria de Justiça de Uberlândia e órgãos internos do MPMG, como o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Segurança Pública (CAO-SEP).

Os promotores de Justiça comprovaram que a justificativa de falta de vagas perdeu o objeto prático:

  • Existência de vagas: O Ministério Público identificou a disponibilidade de vagas adequadas para o regime semiaberto em estabelecimentos penais da região metropolitana de Belo Horizonte.

  • Proteção à família: O monitoramento por tornozeleira eletrônica em ambiente domiciliar próximo aos parentes de Lilian causava abalo psicológico e sensação de vulnerabilidade à família, conforme relatório técnico emitido pela "Casa Lilian", o Centro de Apoio às Vítimas do MPMG.

O órgão também formalizou uma contestação jurídica contra parte dos 675 dias de remição de pena obtidos pelo detento por meio de cursos de leitura e ensino a distância. O MPMG argumenta que a instituição de ensino emissora não comprovou integração com o projeto pedagógico oficial do presídio, contrariando a jurisprudência fixada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O réu possui mais de 15 anos de pena em regime fechado ou semiaberto a cumprir.

Relembre o feminicídio de Lilian Hermógenes

Lilian Hermógenes, que tinha 44 anos e atuava diretamente na Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, foi assassinada a tiros no dia 23 de agosto de 2016, no momento em que saía de sua residência, no bairro Industrial, em Contagem.

As investigações da Polícia Civil demonstraram que o ex-marido planejou o crime por não aceitar o término do casamento de duas décadas e por motivos financeiros, já que possuía dívidas e dependia do salário da servidora. Lilian possuía uma medida protetiva de urgência ativa no momento do crime e deixou dois filhos. Em sua homenagem, a resolução PGJ 38/2023 batizou o centro de amparo a vítimas de crimes violentos e de ódio em Minas Gerais como "Casa Lilian".

FAQ

O que significa a Súmula Vinculante 56 do STF citada pelos promotores no caso? A Súmula Vinculante 56 do Supremo Tribunal Federal estabelece que a falta de vagas em estabelecimento prisional adequado não autoriza a manutenção do preso em regime mais severo. No entanto, o MPMG destacou que a concessão de prisão domiciliar é excepcional e exige rigor, devendo ser revogada imediatamente se surgirem vagas no regime correto, como ocorreu na região metropolitana de Belo Horizonte.

O que é uma Sala de Estado-Maior, onde o advogado estava preso anteriormente? Trata-se de uma prerrogativa prevista pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). Consiste em um compartimento com instalações dignas, salubres e sem grades, localizado em unidades militares ou prisionais específicas, destinado a abrigar advogados que estejam presos antes do trânsito em julgado da sentença condenatória ou em condições especiais de cumprimento.

Qual é a função da Casa Lilian instituída pelo Ministério Público? Criada pelo MPMG, a Casa Lilian atua como o Centro Estadual de Apoio às Vítimas. O órgão oferece atendimento psicossocial, orientação jurídica e proteção integrada para vítimas diretas, familiares e comunidades afetadas por crimes violentos (como homicídios e latrocínios), crimes sexuais e crimes de ódio (como racismo e LGBTfobia).

FONTE/CRÉDITOS: MPMG

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