A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados deu aval a uma proposta legislativa que estabelece, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), um registro nacional. O objetivo é identificar e monitorar mulheres em condições de risco ou vulnerabilidade social que apresentem maior predisposição ao desenvolvimento ou agravamento de cânceres, com foco especial nos tipos de mama e de colo do útero.
O cadastro abrangerá mulheres que se enquadrem em pelo menos um dos seguintes critérios:
- Residir em localidades com elevado índice de vulnerabilidade social, conforme dados do IBGE ou do CadÚnico;
- Fazer parte de grupos populacionais tradicionais, como comunidades quilombolas, indígenas ou ribeirinhas;
- Encontrar-se em situação de rua ou em acolhimento institucional;
- Possuir histórico familiar de câncer ginecológico ou apresentar fatores de risco clínicos relevantes;
- Estar em condição de privação de liberdade.
O Ministério da Saúde terá a prerrogativa de estabelecer outras condições adicionais por meio de regulamentação específica.
Objetivos do programa
- Assegurar o rastreamento periódico e prioritário das mulheres incluídas no registro;
- Garantir acesso simplificado a exames de triagem, diagnóstico, biópsias, acompanhamento e tratamento oncológico no SUS;
- Integrar as informações com os sistemas de dados de saúde para um monitoramento eficaz das políticas públicas;
- Oferecer suporte a iniciativas de "navegação" do paciente e acompanhamento contínuo em todas as etapas do cuidado oncológico.
Acompanhamento e emenda
O Projeto de Lei 2756/25, de autoria da deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), recebeu aprovação da comissão, incorporando uma emenda proposta pela relatora, deputada Silvia Cristina (PP-RO).
A alteração introduzida pela emenda prevê que equipes de assistência social realizem visitas domiciliares regulares. O propósito é verificar o andamento do acompanhamento médico das pacientes, oferecendo suporte e efetuando os encaminhamentos necessários.
Para a relatora, a implementação deste registro possibilitará um mapeamento detalhado das populações em situação de vulnerabilidade.
"Essa abordagem estratégica viabiliza um planejamento mais eficaz das políticas públicas, a priorização de exames e tratamentos, além de contribuir para a diminuição das disparidades no acesso aos serviços de saúde, reforçando os princípios de equidade estabelecidos pela Constituição Federal e pelo SUS", declarou a deputada.
Próximos passos legislativos
A proposta, que segue em tramitação conclusiva, ainda será submetida à avaliação de outras comissões, incluindo a de Defesa dos Direitos da Mulher, a de Finanças e Tributação, e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para que se converta em lei, o texto necessita de aprovação tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Entenda melhor o processo de tramitação de projetos de lei
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