Aconteceu na última sexta-feira, 15, a terceira edição do Café com Cidadania. O evento reuniu parceiros e atores da segurança, da assistência e de serviços voltados para as garantias de direitos em torno do tema “desafios da prevenção às violências”. A partir da apresentação feita pelo jornalista e membro do Núcleo de Estudos da Violência e Direitos Humanos, da Universidade Federal de Juiz de Fora (Nevidh/UFJF), Ricardo Bedendo, a discussão fluiu com relatos e contribuições sobre o problema da violência no ambiente escolar.
A diversidade de público, com objetivos comuns, proporcionou ampla participação, o compartilhamento de olhares e o incremento das trocas. Participaram do encontro representantes da educação, da cultura, assistência social, da saúde, programas como o “Fica Vivo”, “Se Liga”, “Mediação de Conflitos”, Programa de Inclusão Social de Egressos do Sistema Prisional (PrEsp), Central de Acompanhamento de Alternativas Penais (Ceapa), Centro Socioedicativo, Polícias Militar e Civil, Guarda Municipal, Exército, agentes de transporte e trânsito, estudante e professores de direito, servidores da Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania e voluntários da “Rua de Brincar”.
O pesquisador do Nevidh/UFJF expôs, aos presentes, reflexões suscitadas por sua pesquisa de doutorado, que aborda o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), levado pela Polícia Militar a crianças e adolescentes da rede escolar. Segundo ele, o programa é meritoso, mas não é capaz de dar conta da complexidade da questão sozinho. “O sucesso de ações como essa depende do estabelecimento de redes para atuar dentro da escola, inclusive com políticas públicas que tornem as crianças e os adolescentes protagonistas de suas relações”, defendeu em relação à importância de reforçar medidas que aprofundem os laços de socialização neste ambiente. “É um desafio estabelecer uma lógica de rede, que funcione. Exige trabalho de longo e médio prazo”, finalizou o pesquisador.
Em seu relato da experiência com o público escolar, o soldado Sidney, da Polícia Militar, que atua no Proerd, trouxe o testemunho das carências por ele encontradas. “A polícia dentro da escola se justifica, hoje, porque a criança precisa de parâmetros, que ela muitas vezes não aprendeu em casa”, afirmou.
Para o coordenador do curso de Direito da Faculdade Estácio de Sá, Ricardo Braida, o fator cultural intrínseco ao comportamento violento traz em si a resposta ao problema. “A violência é um fator de afirmação da juventude. A depender dos locais, a violência é um dos maiores valores que um jovem pode ter no momento em que ele se insere no tráfico, ou que pratica um crime contra o patrimônio. Se a violência é cultural, se nós somos construções sociais, é plenamente possível que nós possamos redesenhar esse modelo. Porque se nós somos moldáveis de acordo com a cultura, a gente pode oferecer outras culturas, que não a violência, no intuito de mudar essa sociedade”, analisou, defendendo o acesso à cultura.
O Café com Cidadania vem criando oportunidade de diálogo e articulação de rede, com pessoas e instituições que pensam temas afins. O objetivo é entender as dificuldades, com foco na convergência e na vontade de realizar ações para o fortalecimento da cidadania em uma sociedade mais segura.
“Quando a gente pensou o Café com Cidadania, pensou em ampliar o trabalho da pasta da segurança, que é gigantesca. Já é incomum ter uma secretaria municipal de segurança, uma vez que a questão sempre foi muito delegada ao estado. Assim, precisamos ser o agente integrador, que vai reunir setores, às vezes dispersos, para se falarem e construírem soluções juntos”, explica a secretária de segurança Urbana e Cidadania, Letícia Paiva Delgado.
A construção coletiva de caminhos para a consolidação de políticas públicas é uma condição que permeia todo o trabalho da segurança na administração municipal. A iniciativa se insere no modelo de trabalho intersetorial, fortalecendo parcerias e redes como instrumentos para a cidadania e da cultura de paz.
