A edição 260 do Papo de Trivela, exibida ao vivo nesta terça-feira (4 de agosto), recebeu um dos nomes marcantes do futebol brasileiro nas décadas de 1980 e 1990. O ex-zagueiro Alexandre Torres, com passagens de destaque por Fluminense, Vasco da Gama e Nagoya Grampus, do Japão, participou de uma entrevista exclusiva, na qual compartilhou histórias da carreira, bastidores do futebol e momentos marcantes vividos dentro e fora dos gramados.
A entrevista foi conduzida pelo jornalista Leandro Dias e contou também com a participação dos comentaristas Fernando Luiz Baldioti, José Eduardo Araújo, Chico Cícero e Giovani Trombini, que abordaram diferentes fases da trajetória do ex-jogador, desde a formação nas categorias de base do Fluminense até a passagem pelo futebol japonês, o retorno ao Vasco e a convivência com um dos maiores nomes da história do esporte mundial: seu pai, Carlos Alberto Torres.
Assista à entrevista completa
Quem não acompanhou a transmissão ao vivo pode assistir à íntegra da participação de Alexandre Torres e de toda a edição 260 do Papo de Trivela pelos canais da RCW TV.
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Uma paixão pelo futebol que nasceu naturalmente
Logo no início da entrevista, Alexandre Torres fez questão de mostrar que sua paixão pelo futebol surgiu de maneira espontânea, muito antes de carregar o peso de ser filho de Carlos Alberto Torres.
Ele contou que passou a infância na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde havia um campo de futebol em frente à casa em que morava.
"Eu virei jogador porque gostava de jogar bola. Tinha um campinho em frente à minha casa e eu passava praticamente todos os dias lá. Foi essa paixão pelo futebol que me levou ao Fluminense."
Alexandre também relembrou que seus pais se separaram quando ele tinha entre cinco e seis anos de idade. Na época, Carlos Alberto Torres defendia o Santos, enquanto ele permaneceu no Rio de Janeiro ao lado da mãe.
Apesar da separação, fez questão de destacar que o pai nunca deixou de participar de sua criação.
"Meu pai sempre foi muito presente. Sempre esteve ao meu lado, acompanhando tudo de perto. Foi um grande pai durante toda a minha vida."
O desafio de ser filho de Carlos Alberto Torres
Ao recordar o início da carreira, Alexandre revelou que uma das maiores dificuldades era conviver com a expectativa criada pelas pessoas.
Segundo ele, a pressão nunca partiu do pai.
"Meu pai nunca me pressionou. Nunca disse como eu tinha que jogar ou que precisava jogar igual a ele. A cobrança vinha das pessoas, que queriam comparar o filho com o pai."
A postura de Carlos Alberto acabou sendo fundamental para o desenvolvimento da carreira do filho.
Alexandre afirmou que sempre encontrou apoio dentro de casa e que isso lhe deu tranquilidade para construir sua própria história no futebol.
Um dos momentos mais marcantes da entrevista aconteceu quando revelou uma frase que costumava ouvir do pai.
Carlos Alberto Torres dizia frequentemente que o filho jogava mais do que ele.
Na época, Alexandre confessa que não entendia aquela afirmação.
Hoje, pai de três filhos, enxerga a situação de forma completamente diferente.
"Meu pai sempre dizia que eu jogava mais do que ele. Eu não entendia aquilo. Hoje, depois que me tornei pai, compreendo perfeitamente. Para um pai, o filho sempre será o melhor."
A declaração emocionou os participantes do programa e mostrou o lado humano de um dos maiores ídolos da história do futebol brasileiro.
O início no Fluminense
Alexandre chegou às categorias de base do Fluminense aos 14 anos e começou a ter as primeiras oportunidades entre os profissionais em 1983.
A consolidação na equipe principal aconteceu gradativamente.
Na época, a concorrência era extremamente forte.
O elenco contava com grandes zagueiros, como Ricardo Gomes e, posteriormente, Edinho.
"Era uma disputa muito difícil. Fui conquistando meu espaço aos poucos, aprendendo e aproveitando cada oportunidade até conseguir me firmar."
Pelo Tricolor, conquistou o Campeonato Carioca e a Taça Guanabara de 1985, além da Taça Rio de 1990.
A mudança para o Vasco e uma das melhores fases da carreira
Ao falar da transferência para o Vasco da Gama, Alexandre revelou que nunca imaginou defender um dos maiores rivais do Fluminense.
Entretanto, ressaltou que encarou a mudança com profissionalismo.
O Vasco vivia um grande momento e possuía um elenco extremamente qualificado.
Foi em São Januário que viveu uma das fases mais importantes da carreira.
Alexandre integrou a equipe campeã carioca em 1992, 1993 e 1994, formando uma sólida dupla de zaga ao lado de Ricardo Rocha.
Segundo ele, a chegada do companheiro serviu como motivação.
"Quando o Ricardo Rocha chegou, eu queria jogar tão bem quanto ele. Era uma competição saudável. Isso fez com que nós dois crescêssemos muito. Até hoje somos grandes amigos e conversamos praticamente toda semana."
A Seleção Brasileira
O excelente momento vivido no Vasco levou Alexandre Torres à Seleção Brasileira.
Apesar das convocações, a sequência acabou sendo interrompida por lesões.
"Cheguei a ser convocado e, em uma oportunidade, fui cortado por causa de uma contusão. Isso acabou atrapalhando bastante."
Além dos problemas físicos, Alexandre lembrou que o Brasil vivia uma geração extremamente qualificada.
A concorrência entre os zagueiros era enorme, justamente no período que antecedeu a Copa do Mundo de 1994.
Cinco temporadas de sucesso no Japão
Entre 1995 e 1999, Alexandre viveu uma das experiências mais enriquecedoras da carreira.
Durante cinco temporadas, defendeu o Nagoya Grampus, do Japão.
Além das duas conquistas da Copa do Imperador, destacou a oportunidade de conhecer uma nova cultura.
"Foi uma experiência maravilhosa. Gostei muito de jogar e também de morar no Japão. Aprendi bastante convivendo com outra cultura."
Segundo Alexandre, sempre procurou construir uma história duradoura nos clubes em que atuou.
"Nunca tive o objetivo de jogar em muitos clubes. Sempre procurei permanecer vários anos em cada equipe."
O retorno ao Vasco
Em 2000, Alexandre retornou ao Vasco para integrar um dos elencos mais fortes do futebol brasileiro.
Atuou ao lado de craques como Romário, Edmundo e Juninho Pernambucano. Ao final daquela temporada, participou das conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa Mercosul.
Na defesa, voltou a enfrentar uma forte concorrência com Mauro Galvão, Júnior Baiano, Odvan e Géder.
As contusões, entretanto, impediram uma sequência maior na reta final da carreira.
Alexandre encerrou sua trajetória como jogador profissional em 2001.
Ex-jogadores podem contribuir muito com a formação dos jovens
Mesmo após deixar os gramados, Alexandre continuou ligado ao futebol.
Até poucos meses atrás, trabalhou como observador técnico para um clube do exterior, acompanhando jovens atletas brasileiros entre 18 e 21 anos.
Na entrevista, defendeu uma maior participação de ex-jogadores na formação das categorias de base.
"Quem viveu o futebol dentro de campo tem muito a contribuir. A experiência faz diferença na formação dos jovens atletas."
Uma homenagem ao pai e um momento de emoção
A parte final da entrevista foi dedicada ao legado de Carlos Alberto Torres, eterno capitão da Seleção Brasileira na conquista do tricampeonato mundial de 1970.
Em novembro deste ano, completam-se dez anos de seu falecimento.
Visivelmente emocionado, Alexandre afirmou que a maior herança recebida do pai não foi o futebol.
Foi a maneira como Carlos Alberto conduziu sua formação como homem.
"Se eu fui jogador de futebol profissional, devo muito ao meu pai. Nunca me pressionou. Nunca quis que eu fosse igual a ele. Sempre respeitou minhas escolhas. Isso foi fundamental para que eu construísse minha carreira."
Para Alexandre, Carlos Alberto Torres será lembrado eternamente não apenas pelos títulos conquistados, mas pelo exemplo de pai, amigo e ser humano.
"Tenho muito orgulho de ser filho do Carlos Alberto Torres. Além do grande jogador que foi, era um pai extraordinário e uma referência para toda a nossa família."
A entrevista terminou sob aplausos dos integrantes do programa e dos internautas que acompanharam a transmissão ao vivo, encerrando um dos momentos mais marcantes da história recente do Papo de Trivela.
O programa seguiu com os principais destaques do esporte
Após a participação de Alexandre Torres, a edição 260 do Papo de Trivela debateu a campanha do Athletic Club na Série B do Campeonato Brasileiro, a classificação do Aymorés às semifinais do Módulo II do Campeonato Mineiro, o desempenho das equipes da Zona da Mata e Campos das Vertentes nas competições estaduais de base e a conquista do Chacarense na Copa Regional Zona da Mata de Futebol Amador.
O programa também analisou o momento de Atlético, Cruzeiro e América, além dos principais assuntos envolvendo Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco, sem deixar de lado o tradicional Plantão Esportivo, com as notícias mais relevantes do esporte regional, nacional e internacional.
O Papo de Trivela vai ao ar todas as terças-feiras, às 20h, reunindo informação, análise e opinião sobre os principais acontecimentos do esporte. A apresentação é de Leandro Dias, com comentários de Fernando Luiz Baldioti, José Eduardo Araújo, Chico Cícero, Giovani Trombini, Sebastião Marcato, Paulo Rassa (Belo Horizonte/MG) e Sidnei Amaral (Rio de Janeiro/RJ). O Plantão Esportivo é comandado por Hugo Vilas, com supervisão de Franklin Silva, Fernando de Lélis e Hiago de Paula, colaboração de Genito Pires e Bruno Bianchini, e direção de Geraldo Gomes. Além dos debates semanais, o programa recebe periodicamente convidados especiais do cenário esportivo para entrevistas exclusivas, aproximando ainda mais o público dos grandes personagens do esporte brasileiro.

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