O Azeite Alto das Oliveiras, originário de Delfim Moreira, na Serra da Mantiqueira, Sul de Minas, garantiu sua vaga como finalista no Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva. Esta importante conquista, alcançada na categoria Monovarietal, destaca a qualidade superior do produto de José Martins e reflete o notável crescimento da olivicultura mineira, que se prepara para uma produção recorde de 300 mil litros de azeite em 2026.
Elaborado a partir da variedade italiana Grapollo, o azeite de José Martins foi criteriosamente selecionado entre inúmeras amostras provenientes de todo o território nacional. A avaliação, conduzida por renomados especialistas do setor, considerou atributos como aroma, amargor, picância, complexidade e a identidade regional inerente aos produtos participantes.
Este reconhecimento é fruto do esforço contínuo de produtores que integram o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Olivicultura. O pioneiro grupo dedicado a essa cultura em Minas Gerais foi estabelecido em janeiro de 2025, congregando aproximadamente 30 olivicultores da Serra da Mantiqueira, incluindo José Martins, o responsável pelo azeite que chegou à final.
Em sua propriedade de apenas três hectares, José Martins alcança uma produção anual de cerca de 1.500 quilos de azeitonas, que se convertem em aproximadamente 150 litros de azeite. Com certificações de produtor orgânico e biodinâmico, sua decisão de concorrer à premiação foi motivada pelo encorajamento do técnico de campo do ATeG.
“O Prêmio CNA, para além de conferir visibilidade ao meu produto, projeta os azeites brasileiros em um patamar de altíssima qualidade. Observamos que o consumidor está cada vez mais apto a reconhecer e valorizar azeites de excelência”, declarou o produtor.
Conforme Daniel F. Miranda, técnico de campo do ATeG com mais de uma década de experiência na olivicultura, a orientação técnica tem sido fundamental. Ela impulsiona a adoção de práticas de manejo mais eficientes, resultando em uma melhoria significativa no desempenho das propriedades rurais.
“Nosso objetivo principal foi evidenciar a importância de um manejo adequado para a cultura. No entanto, é inegável que, na olivicultura, o fator climático permanece como um elemento decisivo para o êxito de cada safra”, esclareceu Miranda.
O técnico ressalta que as oliveiras demandam um mínimo de 400 horas de frio, com temperaturas abaixo de 12°C e baixa amplitude térmica, condições essenciais para assegurar um desenvolvimento robusto e uma produtividade satisfatória.
Produção em expansão
Os resultados alcançados pelos produtores assistidos pelo ATeG são um testemunho da evolução da atividade em Minas Gerais. Na safra de 2026, o grupo registrou uma colheita superior a 74 toneladas de azeitonas, cultivadas em uma área total de 46 hectares.
Esse desempenho marca uma recuperação notável em comparação com a safra anterior. Em 2025, as condições climáticas adversas resultaram em uma produção limitada a apenas duas toneladas, distribuídas por 16 hectares.
O avanço da olivicultura também é visível nos indicadores estaduais. Projeções da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) indicam que a produção mineira de azeite alcançará cerca de 300 mil litros em 2026, um feito que estabelecerá um novo recorde histórico para o estado.
Este volume representa uma vigorosa recuperação frente aos 50 mil litros produzidos em 2025, superando em 100% o recorde anterior, que foi de 150 mil litros em 2024.
Reconhecimento à produção artesanal
Organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Prêmio CNA Brasil Artesanal tem como objetivo laurear produtores que demonstram excelência, autenticidade e alta qualidade em seus produtos artesanais.
Além da rigorosa avaliação técnica e sensorial, conduzida por especialistas e com a participação de um júri popular, a premiação valoriza a história por trás da produção, a identidade regional e o terroir dos azeites, enaltecendo o esmero e a dedicação dos produtores rurais brasileiros.
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