Neste final de semana, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) realizou a V Conferência Municipal para Promoção da Igualdade Racial. A abertura do evento aconteceu na última sexta-feira, 10, às 18h30, no Centro Formação do Professor, seguida por uma plenária no sábado, 11, às 7h30 na Casa dos Conselhos. Organizado pelo Conselho Municipal para Promoção da Igualdade Racial de Juiz de Fora (Compir-JF), o evento teve como objetivo aprofundar a reflexão sobre os avanços da questão racial na cidade, com foco em quatro eixos temáticos e na proposição de ações para a construção de políticas públicas.
“Nós queremos ser uma cidade anti-racista. Este é um compromisso nosso desde a campanha. Tenho certeza de que a contribuição das muitas vozes presentes na conferência será muita proveitosa, fortalecendo e oferecendo saídas para o governo. Espero receber as conclusões e diretivas deste debate para que possamos transformá-los em políticas públicas contra o racismo em Juiz de Fora”, previu a prefeita Margarida Salomão, em um vídeo gravado para o evento.
O secretário de Direitos Humanos da PJF, Biel Rocha, lembrou que a boa política pública se faz através do diálogo e da participação popular. “No último ano, realizamos conferências sobre saúde mental, migrantes, refugiados e agora abordamos a igualdade racial. Quando criou a Secretaria Especial de Direitos Humanos, o objetivo da prefeita foi levar temas como esses para toda a administração municipal. Assim, cada projeto desta gestão da PJF, independente da secretaria, passou a contar também com o olhar dos Direitos Humanos”, explicou.
Segundo a presidente do Compir-JF, Marilda Simeão, o tema escolhido para o evento, “Nossos passos, nossas lutas vêm de longe”, remete aos desafios do povo negro desde os tempos da escravidão. “Se estamos aqui hoje, é porque alguém lutou lá atrás. Felizmente, agora, temos uma Prefeitura que dialoga. Por isso, queremos que este evento seja um local onde todos têm voz e voto. Assim, poderemos refletir sobre o que é uma sociedade igualitária e quais caminhos devemos seguir”.
Debates
“É muito importante valorizar e fortalecer espaços de participação popular como o Compir-JF. A criação dele foi fruto de muita luta. Por isso, devemos nos juntar aos seus conselheiros e conselheiras para que o significado do conselho não seja esvaziado”, ressaltou, durante a palestra de abertura do evento, a diretora-geral da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), Giane Elisa Sales, a primeira mulher negra a ocupar o cargo na instituição durante os seus 40 anos de existência.
Já no sábado, o professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Julvan Moreira, relembrou a origem humilde de seus pais, destacando que a luta deles foi igual à dos antepassados de muitos. “Vivemos em um país em que existe um racismo estrutural extremamente cruel. Hoje, temos cerca de 33.100 milhões de pessoas passando fome no Brasil, sendo a maioria negra. Além disso, só em 2022, o orçamento da UFJF sofreu um corte de R$ 30 milhões, incluindo bolsas para cotistas negros. Ainda assim, tenho esperança de que daqui sairão propostas para fazer o município avançar nessas questões”, afirmou.
A abertura do evento também contou com uma apresentação musical de capoeira, conduzida pelo mestre Gláucio Anacleto, e com o grupo percussivo “Charmosas do Tamborim”, além de uma feira de artesanato na Casa dos Conselhos, durante a plenária do sábado.
