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Justiça

TST determina que Havan pague indenização por racismo contra ex-colaboradora

Funcionária de caixa sofreu ofensas racistas recorrentes na filial de São José, em Santa Catarina

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
TST determina que Havan pague indenização por racismo contra ex-colaboradora
© Valter Campanato/Agência Brasil
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O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que as lojas Havan paguem uma indenização de R$ 100 mil a uma ex-operadora de caixa. A trabalhadora foi submetida a práticas de racismo recreativo na unidade da empresa em São José (SC). A decisão do tribunal foi comunicada nesta sexta-feira (27).

Conforme os autos do processo, a empregada era frequentemente alvo de comentários pejorativos feitos por seu supervisor. O gestor teria dito à operadora que ela precisava "melhorar a cara para não tomar chibatadas ou ir para o tronco", em referência a práticas de escravidão.

O processo também aponta que o supervisor exibiu aos colegas uma fotografia de uma pessoa escravizada, apresentando-a como se fosse a trabalhadora. Adicionalmente, foram feitos comentários sobre o cabelo da funcionária, comparando-o a uma "gambiarra".

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As ocorrências de racismo foram comunicadas ao departamento de recursos humanos da empresa. Contudo, o chefe minimizou as falas, alegando que eram "brincadeiras", e não sofreu qualquer sanção por parte da Havan.

A trabalhadora relatou, durante o processo judicial, que tolerava as humilhações por receio de perder seu posto de trabalho. Ela foi dispensada em junho de 2022, sem justa causa.

Análise judicial

Inicialmente, a Justiça do Trabalho condenou a Havan a pagar R$ 50 mil de indenização à funcionária. Em grau de recurso, o valor foi reduzido para R$ 30 mil. Posteriormente, o TST reverteu a decisão, mantendo a condenação e elevando a indenização para R$ 100 mil.

Durante a análise do caso, o ministro Agra Belmonte, relator, destacou que os episódios de racismo recreativo causaram humilhação e inferiorizaram a funcionária, justificando a indenização por assédio moral.

"A falácia de que é só uma brincadeira ou não teve intenção de ofender desconsidera o impacto devastador que essas condutas têm sobre as vítimas, perpetuando ciclos de exclusão e marginalização", ressaltou o ministro.

Posicionamento da empresa

A Agência Brasil buscou contato com a Havan para obter um posicionamento e aguarda resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

Em sua defesa apresentada ao TST, a Havan contestou as alegações, afirmando que a operadora de caixa não foi vítima de injúria racial e negando que tenha sofrido qualquer tipo de tratamento humilhante ou discriminatório.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Brasil

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