Ferramentas tecnológicas tornaram-se aliadas decisivas no combate à violência contra a mulher, permitindo registros de denúncias a qualquer hora. Durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (2), na Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher, especialistas destacaram que assistentes virtuais e sistemas eletrônicos expandiram o acesso das vítimas à proteção legal fora do horário comercial.
A defensora pública-geral de São Paulo, Luciana Armiliato de Carvalho, informou que a assistente virtual Júlia realizou cerca de 36 mil atendimentos de violência doméstica. Entre 2023 e 2025, os pedidos de medida protetiva de urgência feitos pela plataforma cresceram 15%.
Segundo a defensora, 23% das solicitações na Defensoria Pública paulista ocorrem fora do expediente comercial, sendo 11% nos finais de semana. A tecnologia garante assistência ininterrupta, cobrindo horários em que as instituições físicas geralmente estão de portas fechadas.
Registros digitais e integração de dados
Na Delegacia de Defesa da Mulher on-line de São Paulo, a coordenadora Jamila Jorge Ferrari revelou que 26% dos boletins de ocorrência de violência doméstica já são eletrônicos. O sistema encaminha os pedidos de medida protetiva imediatamente ao Judiciário e ao Ministério Público para agilizar a decisão judicial.
Iniciativas da sociedade civil também apresentam resultados expressivos. Rafael Wanderley, diretor da organização Direito Ágil, destacou o projeto Maria da Penha virtual, desenvolvido por estudantes do Rio de Janeiro, que já atendeu mais de 16 mil mulheres.
Para aumentar a eficácia da proteção, Luciana de Carvalho defendeu a criação de uma base nacional de dados unificada. A proposta visa integrar os sistemas das instituições públicas e entidades civis, permitindo um atendimento mais ágil e articulado.
Proposta de seminário no Congresso
Organizadora do debate, a deputada Luizianne Lins (Rede-CE) sugeriu a realização de um seminário no Congresso Nacional para expor essas inovações. A ideia é incluir o evento na campanha global 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, celebrada entre 25 de novembro e 10 de dezembro.
A parlamentar ressaltou que as plataformas digitais devem servir como suporte e auxílio técnico, sem jamais substituir as políticas públicas presenciais e efetivas promovidas pelo Estado.

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