O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), filiado à FIEMG, classificou como positiva a sua participação em duas audiências públicas realizadas nos Estados Unidos. A comitiva brasileira apresentou dados técnicos para tentar barrar uma proposta do governo norte-americano que prevê uma barreira tarifária severa: uma taxa aduaneira de 25%, acrescida de uma segunda alíquota de 12,5%, totalizando 37,5% de imposto sobre o ferro-gusa importado do Brasil.
O principal argumento da bancada mineira é a forte dependência que as próprias siderúrgicas americanas têm do insumo brasileiro para produzir aço.
A relevância do mercado e o tamanho do impacto comercial estão consolidados nos seguintes indicadores:
| Indicadores do Mercado de Ferro-Gusa | Proporção / Impacto |
| Tarifa total proposta pelos EUA | Até 37,5% de taxação combinada |
| Dependência interna dos EUA | Produção própria americana supre apenas 6% da sua demanda |
| Fatia de mercado do Brasil | 60% de todo o ferro-gusa importado pelos EUA vem do Brasil |
| Concentração em Minas Gerais | Estado responde por 70% da produção nacional do insumo |
| Estrutura produtiva de MG | 48 usinas, 63 fornos e polo principal em Sete Lagoas |
Compradores americanos apoiam o pleito brasileiro
De acordo com o presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, um dos pontos determinantes das audiências foi o posicionamento dos próprios clientes norte-americanos. Grandes compradores e importadores locais se manifestaram contra a aplicação das novas tarifas, alegando que a medida vai inflacionar diretamente o custo de fabricação do aço nos EUA, reduzindo a competitividade da indústria local.
"Ficamos muito satisfeitos com o desenrolar das duas audiências. Foram muito boas, tivemos perguntas relevantes e respondemos a todas com dados reais. A participação dos compradores americanos nos ajudou muito. Eles foram favoráveis à não entrada em vigor da tarifa, justamente porque isso pode comprometer o custo do aço produzido nos Estados Unidos", afirmou Varela.
A comitiva brasileira também aproveitou a oportunidade para responder a questionamentos jurídicos locais ligados à Seção 301 e a investigações de trabalho forçado. O sindicato comprovou que o setor mineiro e nacional adota rígidos padrões de conformidade e não possui qualquer vínculo com fornecedores ou países investigados por tais irregularidades.
Risco de fechamento de 55% das usinas no país
Caso o governo norte-americano confirme as tarifas, o reflexo na cadeia produtiva nacional será imediato e drástico. Por não haver outros mercados internacionais com o mesmo volume de absorção e o mercado interno ser limitado, o Sindifer-MG estima que cerca de 55% das usinas de ferro-gusa do Brasil podem paralisar as atividades por tempo indeterminado.
O impacto social e econômico se concentrará majoritariamente em Minas Gerais, que possui uma capacidade instalada de 420 mil toneladas mensais. O setor é responsável por manter mais de 60 mil empregos diretos e indiretos no estado, tendo como coração econômico o polo guseiro de Sete Lagoas, na região Central, que abriga 21 das 48 unidades produtoras mineiras.
O martelo sobre a aplicação ou o recuo das supertarifas será batido na próxima semana, com o anúncio oficial agendado para o dia 15 de julho.
FAQ
O que é o ferro-gusa e por que os EUA querem taxá-lo?
O ferro-gusa é a matéria-prima básica utilizada pelas siderúrgicas para a fabricação do aço. O governo dos EUA estuda aplicar uma tarifa de proteção comercial que pode chegar a 37,5%, encarecendo o produto importado.
Qual é o tamanho da dependência dos EUA em relação ao produto mineiro?
Os Estados Unidos são altamente dependentes da importação: a indústria americana consegue produzir apenas 6% do ferro-gusa que consome. O restante é importado, sendo que 60% desse volume total vem de usinas brasileiras (concentradas em Minas Gerais).
O que acontece se a tarifa americana for aprovada?
O Sindifer-MG prevê uma crise generalizada no setor, com a paralisação de 55% das indústrias de ferro-gusa no Brasil devido à perda do mercado americano. Em Minas Gerais, o colapso coloca em risco parte dos 60 mil empregos gerados pelo segmento.
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