As principais centrais sindicais do Brasil iniciaram uma mobilização nacional para pressionar os senadores a votarem a PEC que extingue a escala 6x1 antes do primeiro turno das eleições de 2026. A reação ocorreu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidir adiar a apreciação da matéria para o período pós-eleitoral.
A proposta de emenda à Constituição (PEC 221 de 2019) estabelece o fim do regime de seis dias de trabalho por um de descanso e reduz a jornada semanal para 40 horas. Dirigentes sindicais temem que adiar o debate permita que parlamentares votem contra o texto sem sofrer desgastes nas urnas.
Estratégia de pressão nos estados
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que o adiamento atende a pressões do setor empresarial. Segundo ele, os sindicatos vão intensificar panfletagens em centros comerciais e convocar protestos de rua para cobrar o posicionamento de cada senador em sua base eleitoral.
A estratégia foi definida em reunião do Fórum das Centrais Sindicais. As entidades aprovaram solicitar uma audiência oficial com Davi Alcolumbre para defender a antecipação da votação e denunciar publicamente os parlamentares contrários à medida.
Repercussão do adiamento
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, criticou o adiamento e lembrou que mais de 70% da população é favorável à proposta. Ele alertou que postergar a votação pode fazer a tramitação retornar à estaca zero.
A alteração da jornada também é defendida pela Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), que destacam os benefícios da medida para a saúde mental e a qualidade de vida da população. O texto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com apenas quatro votos contrários.
Contraponto do setor patronal
Por outro lado, entidades patronais apoiam o adiamento. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) argumenta que mudanças constitucionais de grande impacto exigem análise técnica rigorosa e ambiente de previsibilidade, longe da pressão do calendário eleitoral.

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