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Terça-feira, 12 de Maio 2026
Economia

Petrobras intensifica produção para conter impacto da guerra e estabilizar preços de combustíveis

Presidente Magda Chambriard reitera foco na segurança energética do Brasil diante da volatilidade do mercado internacional.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Petrobras intensifica produção para conter impacto da guerra e estabilizar preços de combustíveis
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A Petrobras, por meio de sua presidente Magda Chambriard, anunciou nesta terça-feira (12), no Rio de Janeiro, que intensificará a produção de derivados de petróleo para assegurar a segurança energética do país e evitar ajustes drásticos nos preços de combustíveis no mercado nacional. A medida visa atenuar os impactos da escalada dos valores do petróleo bruto no cenário internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.

Durante entrevista coletiva para apresentar o balanço financeiro da companhia, Chambriard enfatizou que a estatal tem se empenhado em elevar a oferta de derivados no mercado interno, uma estratégia que ganhou ainda mais relevância desde março, em meio ao cenário de guerra no Irã. Ela reiterou que a intenção da empresa não é realizar "mudanças abruptas" nos repasses de preços.

O contexto de instabilidade teve início em 28 de fevereiro, com os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã. Essa região é crucial para o abastecimento global, abrigando importantes nações produtoras de petróleo e o estratégico Estreito de Ormuz.

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Antes do conflito, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás natural transitava por essa passagem marítima no sul do Irã, que agora enfrenta bloqueios.

A turbulência na cadeia logística global resultou em uma redução da oferta de óleo cru e seus derivados, impulsionando a escalada dos preços. O barril do Brent, parâmetro internacional, registrou um salto significativo, passando de US$ 70 para valores acima de US$ 100, com picos próximos a US$ 120.

Por ser uma commodity negociada em mercados internacionais, o petróleo tem seus preços globalmente influenciados. Consequentemente, mesmo o Brasil sendo um país produtor, o encarecimento do produto é inevitavelmente sentido internamente.

Com o objetivo de conter a alta no mercado doméstico, o governo federal implementou ações como a isenção de tributos federais sobre os combustíveis e a concessão de subvenções econômicas, uma espécie de reembolso a produtores e distribuidores.

Monitoramento de gasolina e etanol

Desde o início do conflito, a Petrobras promoveu reajustes nos preços do óleo diesel, essencial para caminhões e ônibus, e do querosene de aviação (QAV).

Contudo, a gasolina não teve seu preço alterado. Ao ser questionada sobre um possível aumento para alinhar-se à valorização internacional, a presidente mencionou que a companhia monitora não apenas os preços, mas também sua participação de mercado (market share) e a competitividade com o etanol.

"A competição com o etanol é um fator relevante, especialmente porque seu preço registrou queda nos últimos quinze dias. O Brasil possui uma vasta frota flex, permitindo ao motorista a escolha do combustível no momento do abastecimento", detalhou Chambriard.

Magda Chambriard acrescentou que a produção de gasolina da Petrobras é suficiente para atender à demanda interna brasileira, destacando que o país tanto importa quanto exporta o combustível.

Angelica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, esclareceu que a decisão sobre um eventual aumento no preço da gasolina não está atrelada à aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026.

Este PLP, que tramita no Senado, propõe zerar as alíquotas de PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis para mitigar a alta de preços.

"Caso a empresa avalie que o preço atual não corresponde persistentemente às nossas expectativas, faremos o aumento. O PLP, por sua vez, poderia auxiliar a evitar esse repasse direto ao mercado", explicou Laureano.

A diretora assegurou, contudo, que o preço praticado atualmente "está equilibrado".

Desempenho operacional e recordes

A presidente da Petrobras ressaltou o notável desempenho operacional da companhia, que alcançou um recorde na produção de óleo e gás. No primeiro trimestre, o volume produzido superou em 16,1% o registrado no mesmo período do ano anterior.

Conforme Magda Chambriard, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias da estatal ultrapassou 100%, marcando o patamar mais elevado desde dezembro de 2014.

O FUT é um indicador que mede o nível de produção das refinarias. A Petrobras esclarece que, embora as refinarias possuam capacidades máximas de projeto e de referência, é viável operar acima desses limites mediante autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o órgão regulador federal do setor.

A companhia reiterou seus investimentos na confiabilidade de suas estruturas e destacou que 2026 será um ano com menor volume de manutenções programadas (paradas).

Resultados financeiros: lucro e investimentos

A Petrobras anunciou um lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse montante representa um crescimento de 110% em relação aos R$ 15,6 bilhões registrados no trimestre anterior (último trimestre de 2025).

Contudo, na comparação com o mesmo período de 2025, quando o lucro foi de R$ 35,2 bilhões, houve uma retração de 7,2%.

Magda Chambriard explicou que essa diferença negativa é atribuída ao efeito cambial. Se o lucro fosse calculado em dólar, a companhia apresentaria uma leve alta.

"Existe um efeito cambial que, no entanto, não impacta o caixa da companhia", afirmou a presidente.

O balanço financeiro da Petrobras também indicou que os investimentos da empresa somaram R$ 26,8 bilhões, um aumento de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

A dívida da companhia atingiu US$ 71,2 bilhões (equivalente a R$ 350 bilhões) no trimestre, representando um crescimento anual de 10,8%. Apesar disso, o valor permanece dentro do limite estabelecido no plano de negócios 2026-2030, que prevê um teto de US$ 75 bilhões.

O custo médio do barril de petróleo tipo Brent, referência internacional de preço, foi de US$ 80,61, um aumento de 26,6% em comparação ao último trimestre de 2025.

Conforme comunicado da companhia, o recente aumento nos preços do petróleo e o recorde de produção não tiveram impacto nas receitas do primeiro trimestre.

"No mercado asiático, por exemplo, que absorve a maior parte das nossas exportações, a precificação geralmente se baseia nas cotações do mês anterior à chegada da carga", detalhou a Petrobras.

"Dessa forma, a valorização dos preços do petróleo após o início do conflito no Oriente Médio será refletida nas exportações do segundo trimestre", concluiu o comunicado aos investidores.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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