A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, desacelerou para 0,67% em abril, conforme dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superando as expectativas do mercado. Apesar da queda em relação ao mês anterior (0,88%), a pressão dos alimentos continua sendo um fator relevante no aumento dos preços.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada alcançou 4,39%. Este patamar se mantém dentro da meta estabelecida pelo governo, que prevê 3% com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo, ou seja, até 4,5%.
Em contraste, o acumulado de um ano encerrado em março havia registrado 4,14%, enquanto em abril do ano anterior, a taxa de inflação foi de 0,43%.
O resultado do IPCA para abril surpreendeu positivamente o mercado financeiro, vindo abaixo das projeções. O relatório Focus, divulgado na última segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC), estimava uma taxa de inflação de 0,69% para o período.
O levantamento do IBGE detalhou o comportamento médio dos preços nos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA em abril, destacando as áreas de maior impacto na inflação:
- Alimentação e bebidas: 1,34% (impacto de 0,29 p.p.)
- Habitação: 0,63% (0,10 p.p.)
- Artigos de residência: 0,65% (0,02 p.p.)
- Vestuário: 0,52% (0,02 p.p.)
- Transportes: 0,06% (0,01 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 1,16% (0,16 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,35% (0,04 p.p.)
- Educação: 0,06% (0,00 p.p.)
- Comunicação: 0,57% (0,03 p.p.)
O índice de difusão, um indicador da abrangência da inflação na economia, registrou 65% em abril, uma leve queda em relação aos 67% observados em março. O IBGE monitora os preços de 377 produtos e serviços, categorizados como subitens.
Entre os produtos específicos pesquisados, a gasolina foi o item que mais contribuiu para a alta da inflação em abril. Outros produtos também exerceram pressão significativa:
- Gasolina: 1,86% (0,10 p.p.)
- Leite longa vida: 13,66% (0,09 p.p.)
- Produtos farmacêuticos: 1,77% (0,06 p.p.)
- Higiene pessoal: 1,57% (0,06 p.p.)
- Gás de botijão: 3,74% (0,05 p.p.)
- Carnes: 1,59% (0,04 p.p.)
- Energia elétrica residencial: 0,72% (0,03 p.p.)
- Cenoura: 26,63% (0,02 p.p.)
- Cebola: 11,76% (0,02 p.p.)
- Tomate: 6,13% (0,02 p.p.)
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
O IPCA é o indicador oficial da inflação no Brasil, responsável por medir o custo de vida para famílias com rendimentos que variam de um a 40 salários mínimos.
A metodologia de coleta de preços abrange diversas regiões metropolitanas do país, incluindo Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do Distrito Federal e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
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