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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Política

Pesquisa do Projeto Confia revela que fake news sobre eleições focam nas urnas eletrônicas

Estudo do Pacto pela Democracia aponta que mais de 45% dos conteúdos falsos miram o sistema de votação, explorando a falta de conhecimento técnico da população.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Pesquisa do Projeto Confia revela que fake news sobre eleições focam nas urnas eletrônicas
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Uma pesquisa recente do Projeto Confia, iniciativa do Pacto pela Democracia, revelou que mais de 45% dos conteúdos de fake news sobre as últimas eleições tiveram as urnas eletrônicas como alvo principal. O estudo, que analisou ciclos eleitorais recentes no Brasil, destaca como a desinformação explora o desconhecimento técnico da população para minar a confiança no sistema de votação.

Além dos ataques diretos às urnas, a pesquisa identificou outras categorias de desinformação. O Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades foram alvos em 27,1% dos casos, enquanto teorias de fraude na apuração dos votos representaram 21,8%. A desinformação sobre regras e logística eleitoral somou 15,4% dos conteúdos analisados.

Dentre as narrativas de fake news mais comuns sobre as urnas eletrônicas, destacam-se alegações de um suposto atraso no botão “confirma” e a falsa afirmação de que o equipamento completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor, manipulando o voto.

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Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, explica que esses conteúdos desinformativos se aproveitam do desconhecimento técnico da população em relação ao funcionamento do sistema eleitoral eletrônico.

“As narrativas utilizam falsas explicações técnicas para sugerir falhas e potenciais manipulações. Elementos tangíveis da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são empregados para causar estranhamento e fomentar dúvidas”, detalha Salvador.

Para Helena, a lacuna entre o contato esporádico da população com a urna e a compreensão aprofundada da tecnologia que a opera cria um ambiente propício para a proliferação desses conteúdos.

“O acesso das pessoas à urna ocorre apenas a cada dois anos, no dia da votação. Essa limitação dificulta a checagem rápida de informações falsas disseminadas sobre botões ou teclas específicas do equipamento”, esclarece.

O principal objetivo do estudo, segundo a coordenadora, foi compreender a origem da desconfiança nas eleições e desenvolver estratégias eficazes para combater a desinformação, visando as eleições de 2026.

“Nosso intuito era identificar os pontos específicos onde a crença nas eleições foi abalada. O levantamento evidencia que a maior parte da desinformação se concentra nas urnas eletrônicas. Queremos estar preparados para 2026, com contra narrativas robustas e capacidade de resposta ágil aos ataques direcionados ao sistema eleitoral”, pontua Salvador.

A metodologia da pesquisa envolveu a análise de mais de 3 mil conteúdos veiculados durante os ciclos eleitorais de 2022 e 2024. Desses, 716 mensagens foram escolhidas para uma análise qualitativa aprofundada, revelando que 326 delas — o equivalente a mais de 45% do total — continham ataques diretos às urnas eletrônicas.

O Pacto pela Democracia, uma coalizão de mais de 200 organizações da sociedade civil, dedica-se à defesa do Estado Democrático de Direito, ao monitoramento de ameaças à democracia e ao combate à desinformação eleitoral. O estudo em questão analisou especificamente as mensagens desinformativas que circularam nas eleições de 2022 e 2024.

A confiança nas urnas eletrônicas

Uma pesquisa da Quaest, divulgada em fevereiro deste ano, indicou que 53% dos brasileiros confiam nas urnas eletrônicas. Este índice representa uma queda significativa em comparação com 2022, quando um levantamento do Datafolha, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontava 82% de confiança.

Entre os eleitores com 60 anos ou mais, 53% expressam confiança no sistema, um percentual que os pesquisadores associam à memória do voto em cédulas de papel, anterior a 1996. Por outro lado, a confiança atinge 57% na faixa etária de jovens entre 16 e 34 anos.

Contudo, entre a população de 35 a 50 anos, 50% declaram não confiar nas urnas eletrônicas, evidenciando uma lacuna de credibilidade nessa faixa etária.

“As críticas às urnas eletrônicas não se limitam a meras insatisfações; elas são frequentemente embasadas em explicações sofisticadas disseminadas online, com o objetivo de persuadir as pessoas de que o sistema é falho. Isso ressalta a importância de desmistificar e tornar mais transparente o processo de votação, desde o momento em que o eleitor digita seu voto até a totalização final”, conclui Helena Salvador.

FONTE/CRÉDITOS: Anna Karina de Carvalho - Repórter da Agência Brasil

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