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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
Brasil/Mundo

Judocas do Brasil superam barreiras e motivam novas gerações

Rafaela Silva e Jéssica Pereira debateram sobre suas trajetórias, preconceitos e dificuldades em um encontro no Rio, em celebração ao Dia Internacional da Mulher.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Judocas do Brasil superam barreiras e motivam novas gerações
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A judoca Rafaela Silva expressou a importância de sua participação em eventos, afirmando que suas vitórias e sua trajetória pessoal servem como fonte de inspiração para as futuras gerações.

Essa declaração foi feita pela atleta brasileira Rafaela Silva, que, ao lado de Jéssica Pereira, também integrante da seleção nacional de judô, marcou presença em um encontro focado em equidade de gênero e progresso social. O evento foi realizado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março.

Durante o debate, que aconteceu na última quinta-feira (12) nas instalações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as esportistas abordaram temas como suas carreiras, os desafios inerentes à manutenção em um esporte de alta performance, e os preconceitos sociais e de gênero com os quais se depararam ao longo de suas jornadas.

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Com um total de 28 medalhas olímpicas, o judô se destaca como a modalidade que mais contribuiu para o quadro de pódios do Brasil nos Jogos. Notavelmente, das cinco medalhas de ouro conquistadas, três foram obtidas por atletas femininas: Sarah Menezes (2012), Rafaela Silva (2016) e Beatriz Souza (2024).

A mediação da discussão ficou a cargo de Camila Dantas, gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

A ascensão feminina no judô

Aos 33 anos, Rafaela relembrou sua iniciação no judô aos 5 anos, por meio de um programa social próximo à sua residência, na Cidade de Deus, Rio de Janeiro. Após sentir-se excluída nas aulas de futebol, onde era a única garota, ela percebeu que no judô a interação entre as crianças ocorria de forma mais inclusiva, sem distinção de gênero.

Jéssica Pereira, de 31 anos, detentora de três títulos pan-americanos e sete campeonatos brasileiros, compartilhou que seu contato com o esporte começou aos 7 anos. Para escapar da violência na Ilha do Governador, nas proximidades do Morro do Dendê, sua mãe a inscreveu, junto com seus cinco irmãos, nas aulas de judô, buscando uma atividade para as crianças durante o dia.

"Receber mensagens no Instagram de pessoas que me veem como inspiração, ou de crianças que dizem ter ingressado no judô por me assistir lutar, são momentos extremamente gratificantes. Percebemos que isso serve como um grande estímulo para a nova geração que se aproxima", afirmou a atleta.

Rafaela Silva relatou que, no início de sua trajetória na seleção brasileira em 2008, os treinamentos no Japão eram exclusivos para os homens. A justificativa da confederação era que as mulheres não possuíam o nível técnico adequado para treinar no berço do judô. Contudo, a atleta ressaltou que essa realidade se transformou ao longo dos anos.

"O judô feminino é equivalente ao masculino. Lutamos pelo mesmo período, recebemos a mesma premiação e desfrutamos das mesmas oportunidades, mas ainda há quem mantenha uma visão diferente", ponderou.

Superando obstáculos e celebrando vitórias

Rafaela recordou que, ao longo de sua carreira, enfrentou olhares de reprovação e desconfiança por ser uma mulher atleta. O preconceito manifestava-se tanto no círculo familiar quanto em torneios internacionais.

"Muitas de nossas tias costumavam dizer: 'Não, isso é coisa de homem, ficar se agarrando, se batendo'. Mas, com o tempo, elas foram compreendendo nossa jornada na modalidade e alteraram sua percepção", explicou.

Apesar dos obstáculos, as vitórias da categoria feminina no judô são notáveis. A ex-judoca Mayra Aguiar, por exemplo, figura como a maior medalhista brasileira da modalidade, com três bronzes olímpicos conquistados em Londres 2012 e Tóquio 2020.

Mayra Aguiar também se tornou a primeira mulher brasileira a obter três medalhas olímpicas em esportes individuais, um feito que atualmente compartilha com a ginasta Rebeca Andrade.

Iniciativas da federação internacional

A Federação Internacional de Judô tem investido no progresso da categoria feminina. Em 2017, durante o campeonato mundial, foi introduzida a modalidade de competição por equipes mistas, combinando homens das categorias 73 kg, 90 kg e +90 kg com mulheres das categorias 57 kg, 70 kg e +70 kg.

Previamente, as disputas por equipes eram segregadas por gênero. Essa alteração impulsionou nações com forte tradição no judô, como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, a direcionarem recursos para a formação e o desenvolvimento profissional de suas atletas.

Com as Olimpíadas de 2028 em Los Angeles no horizonte, Rafaela Silva já percebe um aumento na participação de atletas femininas nas competições. Aos 33 anos, ela afirma não ter intenção de se aposentar tão cedo.

*Conteúdo produzido por estagiária sob a supervisão da jornalista Mariana Tokarnia. 

FONTE/CRÉDITOS: Alice Rodrigues* – Agência Brasil

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