O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como a inflação do aluguel, registrou uma alta de 2,73% em abril, o maior avanço mensal desde maio de 2021. O resultado reflete os impactos diretos da guerra no Oriente Médio nos custos para consumidores e produtores brasileiros, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O indicador, que havia registrado 0,52% em março e 0,24% em abril do ano anterior, agora acumula 0,61% em 12 meses. Essa elevação interrompe uma sequência de cinco meses de deflação, marcando uma mudança significativa no cenário inflacionário.
Matheus Dias, economista do Ibre, enfatizou que todos os índices analisados apresentaram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio global de energia.
Segundo Dias, os preços ao produtor foram particularmente afetados, com o grupo de matérias-primas brutas avançando quase 6%. Esse choque, provocado pela guerra, também gerou repasses mais expressivos em produtos da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas, essenciais para o varejo.
O economista também destacou que a alta nos preços ao consumidor está fortemente ligada ao comportamento dos combustíveis. A gasolina, por exemplo, teve um aumento médio de 6,3% em abril, enquanto o óleo diesel registrou uma elevação de 14,9%.
A inflação dos combustíveis não apenas eleva os custos de transporte, mas também se propaga para outros setores, como o de alimentos, devido ao aumento do frete, especialmente considerando o uso intensivo de óleo diesel por caminhões.
Guerra no Oriente Médio e seus reflexos
O conflito que se intensificou em fevereiro com ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã tem seu epicentro em uma região vital para a produção de petróleo e para a passagem marítima do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás.
A ameaça de bloqueio do estreito pelo Irã tem gerado instabilidade logística na indústria petrolífera, resultando em menor oferta e, consequentemente, elevação dos preços no mercado internacional. Como petróleo e seus derivados são commodities, essa variação impacta diretamente países produtores como o Brasil.
Em resposta à escalada dos preços, o governo brasileiro tem implementado medidas como isenção fiscal e subsídios para produtores e importadores de derivados de petróleo.
Componentes do IGP-M sob análise
A apuração do IGP-M pela FGV considera três componentes principais. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60%, mediu uma alta de 3,49% em abril, a maior desde maio de 2021. Este índice reflete a inflação sentida pelos produtores.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, subiu 0,94% no mês. Entre os vilões para as famílias em abril, destacam-se a gasolina (6,29%), o leite tipo longa vida (9,20%), o tomate (13,44%) e o óleo diesel (14,93%). A tarifa de eletricidade residencial também apresentou alta (0,80%).
O grupo transporte, diretamente afetado pelos combustíveis, viu seus preços médios expandirem em 2,26%. O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), registrou alta de 1,04% no período.
IGP-M e o reajuste de aluguéis
O IGP-M é popularmente conhecido como a inflação do aluguel devido à sua utilização frequente no cálculo de reajustes anuais de contratos imobiliários. Além disso, o indicador é aplicado no reajuste de tarifas públicas e serviços essenciais.
A coleta de dados para o IGP-M, realizada pela FGV entre 21 de março e 20 de abril, abrangeu as cidades de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
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