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Quinta-feira, 21 de Maio 2026
Saúde

Fiocruz inicia produção nacional de medicamento para esclerose múltipla no SUS

A iniciativa visa baratear o tratamento de alto custo e ampliar o acesso a pacientes com esclerose múltipla, que atualmente desembolsam até R$ 140 mil por ciclo de cinco anos.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Fiocruz inicia produção nacional de medicamento para esclerose múltipla no SUS
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciará a produção nacional da cladribina oral, um medicamento de alto custo crucial para pacientes com esclerose múltipla, que já é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esta iniciativa estratégica busca reduzir significativamente os custos de aquisição e, consequentemente, expandir o acesso ao tratamento para um número maior de brasileiros.

Conhecido comercialmente como Mavenclad, este fármaco foi incorporado ao SUS em 2023, especificamente para atender pacientes diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) em estágio altamente ativo. Isso inclui indivíduos que, apesar de já receberem terapia de base, continuam a apresentar surtos frequentes ou uma progressão acelerada da doença.

Atualmente, o custo médio para o tratamento de cada paciente atinge quase R$ 140 mil ao longo de um período de cinco anos. Estima-se que cerca de 3,2 mil pessoas no país sofram da forma mais agressiva e ativa da doença, necessitando dessa intervenção.

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Contudo, a realidade da esclerose múltipla no Brasil é ainda mais abrangente, com mais de 30 mil cidadãos vivendo com a variante remitente-recorrente, o tipo mais prevalente. Essa forma da doença é caracterizada por episódios de surtos neurológicos que se alternam com fases de remissão.

A esclerose múltipla é uma condição neurodegenerativa crônica que afeta diretamente o cérebro e a medula espinhal. Sua progressão pode variar de lenta a rápida, resultando em diferentes graus de comprometimento para os pacientes. Em casos mais graves, as sequelas podem ser devastadoras, incluindo cegueira, paralisia e perda de funções cognitivas essenciais.

A cladribina se destaca como o primeiro tratamento oral de curta duração a oferecer uma eficácia prolongada no controle da EMRR. Reconhecendo sua importância, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incluiu em sua Lista de Medicamentos Essenciais.

Estudos recentes, apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS), demonstraram que pacientes tratados com este medicamento apresentaram uma redução significativa na lesão neuronal em apenas dois anos. Outras pesquisas confirmaram que 81% dos usuários conseguiram manter a capacidade de andar sem auxílio, e mais da metade não precisou de terapias adicionais.

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A parceria estratégica

A concretização da produção nacional resultará de uma colaboração entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), parte da Fiocruz, a farmacêutica Merck — detentora do Mavenclad —, e a indústria químico-farmacêutica Nortec.

Silvia Santos, diretora de Farmanguinhos, ressaltou que este marco representa o primeiro medicamento voltado para o tratamento da esclerose múltipla a ser produzido pelo Instituto.

"Esta parceria reforça nosso empenho em fortalecer o Sistema Único de Saúde e em promover o acesso a tratamentos inovadores, com fabricação em território nacional. É um passo fundamental para transformar políticas públicas em cuidado efetivo para aqueles que mais precisam," complementou Silvia Santos.

O Instituto Farmanguinhos concentra sua produção em terapias de alto valor, com foco especial em doenças negligenciadas, alinhando-se à sua missão de saúde pública.

Mario Moreira, presidente da Fiocruz, destacou que essas alianças fortalecem os laços tecnológicos da Fundação com parceiros tanto nacionais quanto internacionais, ao mesmo tempo em que sublinham a importância estratégica dos laboratórios públicos.

Ele acrescentou: "Nosso objetivo é consolidar o Complexo Econômico e Industrial da Saúde, garantindo a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos."

Além desta iniciativa, a Fundação possui outros dois acordos em andamento com a Merck. Estes incluem a produção de outra terapia para a esclerose, a betainterferona 1a, e de um medicamento essencial para o tratamento da esquistossomose em crianças.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

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