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Quinta-feira, 21 de Maio 2026
Saúde

Brasileiros com diabetes clamam por tecnologias avançadas no tratamento

Pesquisa revela que 95% dos pacientes com diabetes tipo 1 consideram essenciais ferramentas capazes de prever hipoglicemia e hiperglicemia, buscando maior controle e bem-estar.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Brasileiros com diabetes clamam por tecnologias avançadas no tratamento
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
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A busca por um melhor gerenciamento do diabetes e a melhoria da qualidade de vida impulsionam brasileiros a defenderem o uso de tecnologias avançadas no tratamento. Uma pesquisa global, realizada em setembro de 2025 pelo Global Wellness Institute (GWI) em parceria com a Roche Diagnóstica, com 4.326 pessoas com diabetes (20% delas no Brasil), destaca que a doença impacta significativamente o bem-estar emocional de sete em cada dez pacientes (70%), evidenciando a necessidade de ferramentas que ofereçam maior monitoramento contínuo e previsibilidade.

O estudo, que abrangeu 22 países, incluindo o Brasil, revelou que 78% dos entrevistados brasileiros sentem ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco relatam sentimentos de solidão ou isolamento devido à condição. Para o grupo de pacientes com diabetes tipo 1, essa afetação emocional é ainda mais acentuada, atingindo 77% dos indivíduos.

Entendendo o diabetes

O diabetes é uma condição crônica caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, o hormônio essencial para regular a glicose no sangue e fornecer energia ao organismo. Níveis elevados de glicemia podem levar a sérias complicações, afetando o coração, artérias, olhos, rins e nervos, e em casos extremos, pode ser fatal.

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Especificamente, o Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível e hereditária, marcada pela destruição das células pancreáticas responsáveis pela produção e secreção de insulina, resultando em uma deficiência hormonal crítica.

Dados do Atlas Global do Diabetes 2025 da International Diabetes Federation (IDF) posicionam o Brasil como o 6º país no mundo em número de casos de diabetes, com 16,6 milhões de adultos diagnosticados.

Demandas por inovação e resultados

A pesquisa aponta que o diabetes impõe diversas limitações diárias: 56% dos brasileiros entrevistados afirmam que a doença restringe sua capacidade de passar o dia fora de casa, e 46% enfrentam dificuldades em situações cotidianas, como trânsito ou reuniões prolongadas. Adicionalmente, 55% não acordam plenamente descansados devido às flutuações glicêmicas noturnas.

Apesar dos avanços médicos, a maioria dos pacientes expressa insatisfação com o modelo de cuidado atual, com apenas 35% se sentindo muito confiantes na gestão de sua própria condição. Este cenário sublinha a urgência por soluções que melhorem o controle e a previsibilidade da doença.

Nesse contexto, 44% dos consultados defendem a priorização de tecnologias mais inteligentes, capazes de prever alterações nos níveis de glicose para prevenir complicações. Além disso, 46% dos usuários de medidores tradicionais, como glicosímetros, consideram que os sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM) deveriam ser amplamente adotados por sua funcionalidade de alertas preditivos.

A importância da previsibilidade

A capacidade de prever os níveis futuros de glicose é a funcionalidade mais desejada em sensores com inteligência artificial (IA), segundo 53% dos entrevistados, um número que salta para 68% entre os pacientes com diabetes tipo 1.

Para 56% dos brasileiros, conhecer as tendências antecipadas da glicose proporcionaria uma sensação de controle sobre a doença. Outros 48% acreditam que a redução de picos e quedas inesperadas de glicose elevaria significativamente sua qualidade de vida. Entre os pacientes com DM1, a demanda é ainda mais contundente: 95% consideram ferramentas fundamentais capazes de prever hipoglicemia e hiperglicemia, o que simplificaria drasticamente sua condição.

O papel do monitoramento contínuo

André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), enfatiza que o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico contínuo são cruciais para evitar complicações. Ele destaca que o uso de tecnologias, especialmente para pacientes com diabetes tipo 1, cuja glicemia oscila intensamente, pode ser um divisor de águas.

“O ideal para esses pacientes é ter um monitoramento contínuo da glicose por meio de sensores que já estão amplamente disponíveis em grande parte do mundo. Esse sensor permite à pessoa entender precocemente o que vai acontecer nas próximas horas antes desse diagnóstico acontecer. A pessoa vai saber se a glicose dela daqui a meia hora vai estar alta ou baixa e pode tomar uma atitude preventiva”, explicou o endocrinologista.

Vianna acrescenta que uma das grandes vantagens desses sensores é a redução de complicações e, consequentemente, a diminuição de gastos para o sistema público de saúde. “Essas pessoas vão acabar indo menos para o hospital, vão se internar menos, vão menos para o pronto-socorro. Isso, inclusive, além de melhorar a saúde, diminui o custo do tratamento. Por isso, o monitor contínuo já é algo bastante estabelecido no mundo”, afirmou.

Cenário do mercado no Brasil

No Brasil, esses dispositivos de monitoramento contínuo são mais acessíveis a pessoas com maior poder aquisitivo. Contudo, no sistema público de saúde, a disponibilização em larga escala ainda não se concretizou. Atualmente, quatro empresas comercializam esses aparelhos no país. Em nações desenvolvidas, como Estados Unidos (via operadoras privadas), França e Reino Unido (gratuitamente pelos sistemas de saúde), a oferta é ampla.

Para André Vianna, a adoção de sensores e tecnologias como a inteligência artificial (IA) tem o potencial de melhorar substancialmente a qualidade de vida. “Vem diminuir essa carga do diabetes, esse estresse diário e constante das pessoas que convivem com diabetes e com a incerteza do que vai acontecer com a sua glicose daqui a algum tempo, atrapalhando muitas vezes as funções diárias do indivíduo – o sono, o trabalho, atrapalhando, por vezes, momentos de descontração”.

O vice-presidente da SBD esclarece que os benefícios do sensor são evidentes tanto para o diabetes tipo 1 quanto para o tipo 2, sendo mais imediatos para o DM1 e de longo prazo para o DM2, com menos internações e complicações.

Acesso via SUS

Apesar da crescente demanda e dos comprovados benefícios, o Ministério da Saúde publicou em janeiro de 2025 a Portaria nº 2, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde, que decidiu pela não incorporação do monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2.

Em contrapartida, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou em dezembro do ano passado o Projeto de Lei 323/25. A proposta visa obrigar o SUS a fornecer gratuitamente dispositivos para monitorar a glicose de pacientes com diabetes mellitus por meio de escaneamento intermitente. O texto ainda aguarda análise conclusiva pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Senado e, eventualmente, se tornar lei. Procurado para comentar o tema, o Ministério da Saúde não se manifestou.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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