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Sábado, 06 de Junho 2026
Saúde

Estudo revela que adolescentes continuam desprotegidos contra o HPV

Dados recentes do IBGE indicam que apenas 54,9% dos alunos, na faixa etária de 13 a 17 anos, confirmaram ter recebido a imunização

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Estudo revela que adolescentes continuam desprotegidos contra o HPV
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza uma ferramenta eficaz na prevenção de diversos tipos de câncer: a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV). Contudo, para que sua proteção seja otimizada, a imunização deve ocorrer no final da infância ou início da adolescência, período em que grande parte do público-alvo não está sendo alcançada.

Um levantamento recente, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (25), revelou que somente 54,9% dos adolescentes matriculados em escolas, com idades entre 13 e 17 anos, tinham certeza de terem sido imunizados contra o HPV.

O Papilomavírus Humano é o agente causal de 99% dos casos de câncer de colo do útero, além de estar associado a uma parcela significativa dos tumores de ânus, pênis, boca e garganta.

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Imunização acessível

A vacina contra o HPV, que oferece proteção crucial, pode ser encontrada gratuitamente em todas as unidades de saúde do Brasil. Ela é recomendada para meninas e meninos na faixa etária de 9 a 14 anos.

A escolha dessa faixa etária se justifica pelo fato de o vírus ser predominantemente transmitido por contato sexual, e a eficácia da vacina é maximizada quando administrada antes do início da vida sexual.

Ainda assim, os dados da pesquisa indicam que 10,4% dos alunos entrevistados pelo IBGE não haviam sido vacinados, e impressionantes 34,6% declararam não saber se haviam recebido o imunizante.

Essa realidade traduz-se em aproximadamente 1,3 milhão de adolescentes sem proteção e outros 4,2 milhões que podem estar em risco de contrair a infecção.

O mesmo levantamento apontou que 30,4% dos estudantes entre 13 e 17 anos já haviam iniciado a vida sexual, com a idade média para a primeira relação sendo de 13,3 anos para os meninos e 14,3 anos para as meninas.

Coletados em 2024, os dados do IBGE revelam uma preocupante queda de 8 pontos percentuais na proporção de estudantes vacinados, quando comparados à edição de 2019 da pesquisa.

Embora uma parcela maior de meninas tenha sido imunizada (59,5% versus 50,3% dos meninos), a redução na cobertura vacinal foi mais acentuada entre elas, com uma diminuição de 16,6 pontos percentuais.

Barreiras informacionais

Entre os estudantes que não receberam a vacina, metade justificou a ausência por desconhecer a necessidade da imunização. Para Isabela Balallai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, esse dado sublinha o impacto significativo da desinformação.

"Existe uma percepção comum de que a hesitação vacinal se limita às fake news, mas a realidade é mais complexa. A desinformação é apenas um dos fatores. Outros elementos incluem a dificuldade de acesso, a subestimação dos riscos da doença e a carência de informações claras. Este último ponto é um desafio crucial no Brasil, onde muitos desconhecem o calendário de vacinação e os imunizantes disponíveis", explicou Balallai.

Outras razões foram mencionadas, porém em menor escala:

  • 7,3% dos alunos relataram que seus pais ou responsáveis não autorizaram a vacinação;
  • 7,2% não se imunizaram por desconhecerem a finalidade da vacina;
  • 7% apontaram a dificuldade de acesso ao posto de vacinação como impedimento.

O estudo também evidenciou disparidades entre os estudantes das redes pública e privada. Na rede pública, 11% não foram vacinados, em contraste com 6,9% na rede particular.

Em contrapartida, a objeção dos pais à vacinação foi o motivo de hesitação para 15,8% dos estudantes da rede privada, percentual que caiu para 6,3% entre os da rede pública.

Conforme a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, as instituições de ensino podem desempenhar um papel fundamental:

"Ao analisar os principais motivos da hesitação vacinal, percebe-se que a escola pode ser a solução para todos eles. Ela combate a desinformação, educando os adolescentes. Supera a falta de informação, ao comunicar sobre as campanhas. Facilita o acesso, pois é mais prático imunizar na escola do que levar o adolescente a um posto de saúde. E, por fim, contribui para a conscientização dos pais", detalhou a diretora.

Um caso inspirador

Na residência da jornalista e escritora Joana Darc Souza, a única filha ainda não imunizada é a caçula, de 6 anos. Suas outras duas filhas, com 9 e 12 anos, já receberam a vacina.

"Nunca tive dúvidas sobre a eficácia das vacinas e sempre defendi a ideia de que elas salvam vidas. É um princípio que aprendi em casa, na infância, e que hoje transmito às minhas filhas", relatou Joana Darc.

As três meninas, filhas de Joana, são alunas da rede municipal do Rio de Janeiro, onde, segundo a mãe, ocasionalmente, os estudantes são chamados para campanhas de vacinação.

"Elas geralmente não participam dessas ações, mas apenas porque em nossa casa já mantemos um controle rigoroso sobre as vacinas", explicou.

Outra profissional crucial para o êxito das políticas de imunização que auxilia a família nesse acompanhamento é a pediatra. "Ela é extremamente atenciosa e sempre confere a caderneta de vacinação das minhas filhas", elogiou a mãe.

Estratégias de recuperação vacinal

Conforme o Ministério da Saúde, informações preliminares sobre as vacinas administradas em 2025 indicam uma cobertura superior à identificada na pesquisa, alcançando 86% entre as meninas e 74,4% entre os meninos. Vale ressaltar que, desde 2024, a vacina contra o HPV é aplicada em dose única.

No ano anterior, o Ministério também implementou uma campanha de resgate vacinal, visando imunizar adolescentes de 15 a 19 anos que não haviam recebido a dose na faixa etária recomendada.

Até o momento, 217 mil jovens foram imunizados por essa iniciativa, que se estenderá até junho de 2026 e inclui a realização de ações de vacinação em ambientes escolares.

Adicionalmente, todas as unidades de saúde continuam a oferecer o imunizante para esse público. Indivíduos sem o comprovante de vacinação podem verificar seu histórico no aplicativo Meu SUS Digital.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

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