Desde 2019, mais de 4 mil mulheres têm acesso aos serviços da Casa da Mulher em Juiz de Fora. O espaço tem o objetivo de ajudar e proteger a vida dessas pessoas, muitas delas vítimas de violência doméstica. Esta é uma das informações estratégicas obtidas pelo eixo de Mapeamento do projeto “Cultura de Paz e Prevenção das Violências: Tecendo Redes”, parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), nas reuniões realizadas com instituições e trabalhadores que integram a rede de enfrentamento das violências no município .
Um dos objetivos do Eixo de Mapeamento é identificar e entender como funciona na prática a rede de acolhimento às vítimas de violência doméstica e sexual. As visitas, entre quarta, 26, e sexta-feira, 28, aconteceram na Casa da Mulher, no Creas Centro 2, na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e na Vara de Violência Doméstica.
A Casa da Mulher recebe desde 2013 mulheres vítimas de violência doméstica, com um olhar mais humanizado e com o acolhimento necessário às mulheres. A coordenadora, Fernanda Moura, ressaltou a importância da reunião com a equipe da UFJF. “É uma forma também de divulgarmos os serviços que a gente oferece. E será muito boa essa parceria, até mesmo de fazermos um trabalho de prevenção à violência doméstica aqui em Juiz de Fora”.
Durante a reunião com os investigadores na Deam, a delegada Alessandra Azalim afirmou que a violência atinge todas as classes sociais e é preciso que a rede seja mais fortalecida utilizando de todos os aparelhos para apoiar a vítima. A delegacia atende mulheres vítimas de violência doméstica e sexual e, desde agosto de 2022, começou a atender lésbicas, mulheres trans e crianças e adolescentes de ambos os sexos vítimas de violência sexual.
Para Alessandra, “a rede de enfrentamento existe e é de suma importância, precisa estar fortalecida com a presença de vários órgãos e instituições tanto da iniciativa privada quanto de instituições públicas.” A responsável pela Deam enfatizou também que a rede é importante “para que a violência possa ser combatida e para que o ciclo da violência seja rompido. E, principalmente, para a conscientização, informação, prevenção e a repressão a todo e qualquer tipo de crime que envolva esses grupos vulneráveis”.
A professora do departamento de Geociências da UFJF e uma das coordenadoras do Núcleo de Pesquisa Geografia, Espaço e Ação (Nugea), Clarice Cassab, destacou a relevância da Deam para a rede de acolhimento. “A delegacia tem um papel fundamental na rede, ela é uma porta de entrada importantíssima para o atendimento às mulheres vítimas de violência, não só na demanda espontânea com as mulheres que chegam aqui, mas também através da porta de entrada de outros equipamentos. A delegacia é uma porta de entrada mas também de encaminhamento dessas mulheres”.
Cultura de Paz e Prevenção das Violências: Tecendo Redes
O Projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e busca contribuir para o desenvolvimento do Plano Municipal de Fortalecimento da Vigilância das Causas Externas da PJF. A iniciativa tem duração de seis meses e vai contar, ainda, com fóruns e campanhas que pretendem alcançar as comunidades e sensibilizá-las para o debate sobre o tema e para a busca de soluções para as diferentes demandas.

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